25/07/1930
06/02/2026
PROVÍNCIA DA CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY NO BRASIL
NÚCLEO SAGRADA FAMÍLIA
IRMÃ ROSA CELESTE
(MARIA COLLA)
*25/07/1930
+ 06/02/2026
“O que fazeis aos meus irmãos mais pequeninos
é a Mim que o fazeis.” (Mt.25,40)
Foi no dia 25 de julho de 1930, numa fria manhã de inverno, que, em Sananduva, nasceu, para alegria de seus pais, Pedro Colla e Rosina Slongo, a tão esperada filha que recebeu o nome de Maria. Família de exemplar vivência cristã, levou a filha para ser batizada, em 13 de agosto de 1930, na Paróquia São João Batista de Sananduva. Em 12 de março de 1933, na mesma Paróquia, Maria foi crismada por Sua Excia. Revma. Dom João Becker, em visita Pastoral.
Maria era bem pequena quando a mãe, Rosina, foi a óbito em decorrência de enfisema pulmonar. Passado o tempo, Pedro, o pai, se decidiu por um novo casamento. A escolhida foi Rosa, irmã de Rosina.
Irmã Rosa Celeste se gloriava de ter tido duas mães: uma que lhe deu vida, outra que a educou.
Pedro era criador de cavalos, por isso comprou um sítio em Concórdia para onde se mudou com a família. Preocupado com a formação de seus filhos, os pais matricularam as crianças no Grupo Escolar da localidade.
Maria cresceu num ambiente familiar de muita fé, o que favoreceu o despertar de sua vocação para a Vida Religiosa Consagrada.
Em Concórdia conheceu as Irmãs de São José. Admirava-as pelo seu modo de ser e de agir. Concluído o Ensino Primário, Maria foi trabalhar com as Irmãs na farmácia do Hospital São Francisco. Com letra firme e clara, registrava a entrada e saída dos medicamentos em livro próprio. Recebia, na moeda da época, o equivalente a cem reais, hoje. Assim, Maria ficava feliz em ajudar o pai a pagar o sítio adquirido.
Em contato com as Irmãs, Maria manifestou aos pais o desejo de ser Irmã para se colocar a serviço de pessoas que muito necessitavam. Os pais, de comum acordo e orientados pelas Irmãs, encaminharam Maria para o Convento São José de Garibaldi, onde cursou o Ciclo Ginasial. De saúde frágil, retornou à família para se fortalecer. Anos depois, já em boa saúde, solicitou ao pai para retornar ao Convento. O pai concordou, dizendo: “Só aos 18 anos e desde que não seja só para passear”. E foi o que aconteceu.
Ao retornar para o Juvenato, a jovem Maria se preparou para a entrada no Postulado do Convento São José, em 22 de fevereiro de 1950. Em 17 de outubro do mesmo ano, foi admitida ao Noviciado com o nome de Irmã Rosa Celeste.
Após dois anos de Noviciado, em 15 de dezembro de 1952, fez sua Profissão Temporária e, em 22 de fevereiro de 1958, fez Profissão Definitiva, emitindo os votos Perpétuos de Pobreza, Castidade e Obediência.
Após sua primeira Profissão Religiosa, integrou a Comunidade do Ginásio São José de Antônio Prado, onde exerceu a função de professora, de 1952 a 1958. De 1959 a 1977, respondendo à necessidade de professoras nas pequenas Escolas mantidas pela Congregação, no interior do Estado, Irmã Rosa Celeste assumiu, sucessivamente, e com muita disponibilidade, a função de professora na Escola Nossa Senhora do Brasil de Maximiliano de Almeida; Escola Sagrada Família, em Nova Pádua; Casa da Criança, em Rio Grande/RS; Escola Nossa Senhora Auxiliadora e no Colégio Sévigné, em Porto Alegre. Em 02 de março de 1967, integrou a Comunidade São Luiz e passou a lecionar no Ginásio São Luiz, como Professora de Educação Artística.
Irmã Rosa Celeste demonstrava grande habilidade para artes e, para aprimorar seus conhecimentos, cursou Artes Decorativas na Escola Profissional Darci Vargas, de Porto Alegre, durante três anos. Sua atuação nas Escolas, como professora de Artes, marcou seus alunos pela dedicação, amor à arte, alegria, dinamismo e competência.
Ao deixar suas atividades no Ginásio São Luiz, passou a trabalhar como funcionária da antiga FEBEM, atual FASE – Fundação de Atendimento Sócio Educativo de Porto Alegre, que abriga menores infratores. Nessa Instituição, Ir. Rosa Celeste trabalhou 17 anos, como professora de Artes. Sua função era dar aulas de Laborterapia, incluindo: artesanato, tricô, crochê, macramê, e sessões de trabalho com argila, para detentos com idade entre 11 e 18 anos. Esses momentos de atividade pré-profissionais já delineavam a possibilidade de um futuro digno. Por isso, Irmã Rosa Celeste enriquecia o trabalho com diálogo e reflexão sobre a dignidade humana, o valor do trabalho, o amor à família, justiça e solidariedade.
Assim Ir. Rosa Celeste se expressava: “As atividades de artesanato eram, para os pequenos infratores, momentos de relax e de higiene mental. Falavam com naturalidade sobre seus problemas, admitiam seus erros e percebiam que seu futuro poderia ser bem melhor com possibilidades de trabalho digno e convivência amiga. Sem dúvida, estar presente, ouvir, acolher, é grande ajuda no tratamento. Quem trabalha consegue viver bem o dia a dia e, muitos, ao deixar a FASE se tornaram bons amigos.” Irmã Rosa Celeste não deixou de expressar sua percepção em relação às condições em que viviam os internos: “Há necessidade de maior envolvimento na ressocialização, a começar pela melhoria das condições em que vivem os meninos e meninas da FASE. O melhor caminho é aquele que previne e capacita”.
A partir de 1991, além de suas atividades na FASE, Ir. Rosa Celeste dedicou-se à Laborterapia, na Casa Santa Marta, que abrigava meninas grávidas e, no Educandário São João Batista do Ipanema, para crianças com necessidades especiais.
Suas condições de saúde não lhe permitindo mais realizar trabalhos externos, com muita disponibilidade, colaborou em pequenos trabalhos comunitários e se dedicou a confeccionar Terços de Nossa Senhora para serem distribuídos a pessoas de fé e amor à Mãe Maria. Irmã Rosa Celeste viveu o Carisma da Irmã de São José na missão e na Comunidade. Mulher simples, dedicada, atenciosa, disponível e de muita oração.
Nos últimos anos, já mais fragilizada, física e mentalmente, não conseguia dedicar-se a fazer aquilo que muito gostava. Diante da necessidade de maior assistência, Ir. Rosa foi transferida para a Comunidade Nazaré, na Rua Nonoai, nº 737, em junho de 2025, onde as Irmãs, as enfermeiras e cuidadoras cuidam das pacientes dia e noite.
Em janeiro de 2026, começou a sentir-se mais fraca e, nos primeiros dias de fevereiro foi preciso levá-la à emergência do Hospital Ernesto Dorneles, onde foi hospitalizada e parecia estar decaindo dia a dia. Irmã Rosa Celeste veio a falecer no dia 06 de fevereiro de 2026, às 7h30min, com 95 anos de idade e 73 anos de Vida Religiosa Consagrada, na Congregação das Irmãs de São José de Chambéry.
Após a Celebração de Exéquias, Irmã Rosa Celeste foi levada ao Cemitério São José em Porto Alegre, onde foi sepultada no Jazigo da Província das Irmãs de São José de Chambéry.
Irmã Rosa Celeste,
Você viveu muitos anos trabalhando em favor dos pobres,
dos simples, dos jovens e de mulheres necessitadas de aprender algo para assumir
um emprego e ter uma vida digna. Com delicadeza e sempre com caridade lhes ensinava a rezar, a terem respeito e amor a Deus e ao próximo,
a aprender a ler, escrever e distinguir o que é bom.
Lá do céu intercede junto a Deus para que surjam vocações para a Vida Religiosa em nossa Congregação de Irmãs de São José e para a Igreja.
Pede ao Senhor Jesus que abençoe e cuide seus familiares, as Irmãs, enfermeiras, cuidadoras e outras pessoas que lhe ajudaram nos últimos anos de vida.
Descansa na paz do Senhor!
Porto Alegre, 06 de fevereiro de 2026.