Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Processo de Integração

Iluminando o olhar

A caminhada feita até o momento com as três fichas de preparação aos dois Seminários realizados durante o mês de setembro em Garibaldi - RS e Itu - SP, ofereceu um material precioso que foi “digerido” por todas, como o pão saboroso que o Profeta Elias comeu no deserto para poder seguir caminhando.
O mês de outubro marca outro passo nessa estrada. Está chegando a vocês uma carta das coordenadoras que esboça o “mapa do caminho”. Há trilhas traçadas. Mas é preciso saber o parecer de todas as Irmãs. As que participaram dos seminários puderam dialogar discernir, confrontar ideias. É preciso agora dar continuidade e escutar a quem não esteve em Garibaldi e Itu. Chegará, no seu devido tempo, o instrumento para colher essa reflexão e opção pessoal de cada uma.
Nesta ficha 4, além de tomar conhecimento da leitura feita pela facilitadora das fichas 1 e 2, seremos acompanhadas por uma mulher da Bíblia: a Sirofenícia de Mc 7,24-30. Ela nos contará sua experiência de caminhar no escuro, de tentar mudanças sem ter certeza de nada. Sua persistência em “cruzar a fronteira” e sua ousadia em “invadir a casa” fez Jesus mudar o “chip” e adiantar a sua hora aos estrangeiros.
Depois de ler atentamente a carta da Coordenação e o anexo relativo às fichas 1 e 2, convidamos vocês para rezarem com o texto citado, seguindo os passos da leitura orante da Palavra.

    1. Ler a carta das Irmãs coordenadoras e também a síntese das fichas 1 e 2 feita pela facilitadora. Tomar consciência dos sentimentos que afloram em você com relação ao Processo de Integração. Qual é o sentimento predominante? Anotar e falar com Deus sobre essa realidade, agradecendo, louvando, pedindo...
    2. Invocar o Espírito de Deus que “paira sobre a realidade” (Gn 1,1) e infunde vida e paz com o seu sopro divino.
    3. Ler o texto de Mc 7,24-30, procurando descobrir o que estava vivendo essa mulher.
    4. Reler o mesmo texto em hermenêutica da imaginação criativa, escutando a mulher narrando a sua história.
    5. “Trazer” o texto para a realidade que você está vivendo, para os sentimentos que você descreveu no primeiro ponto deste roteiro. Que luzes a experiência dessa mulher projeta sobre a sua realidade com relação ao Processo Integrando?
    6. Responder as perguntas que a Mulher Sirofenícia lhe faz e selecionar o que deseja partilhar na celebração comunitária.

A Mulher Sirofenícia nos conta a sua experiência

Fazia muito tempo que eu vinha sofrendo com a minha filhinha doente. Ela não tinha sossego: andava de um lado para outro, não se centrava em nada, ficava agressiva por qualquer coisa, a maioria das vezes, sem motivo aparente. Suas reações eram sempre muito desproporcionadas aos estímulos. Havia tentado fazer de tudo para vê-la recuperar-se, desde consultas médicas até bênçãos de pessoas que se diziam curandeiras. De nada adiantava todo o meu esforço. Estava quase desanimada ou “entrando em depressão”, como costuma dizer-se de uma pessoa triste e desanimada.
Aquele dia, logo cedo, ficou sabendo que Jesus tinha chegado à nossa região. Tinha ouvido falar que ele era capaz de curar qualquer tipo de doença e, inclusive, de ressuscitar os mortos. Sabia que ele estava na casa de uma amiga e que não queria ser perturbado. Pelas informações que me tinham chegado, ele vinha cansado do trabalho de pregador ambulante e das contínuas discussões com os seus opositores: escribas, fariseus e doutores da lei. Ele tivera uma grande polêmica com eles antes de deixar o território judeu e partir para o território fronteiriço (cf. 7,1-23).
Pensei muito antes de ir até a casa. Seria prudente perturbar o seu repouso? Seria recebida por ele ou não? Atenderia Ele o meu pedido? Foi uma decisão difícil de tomar, pois teria que lidar com a fronteira, com o diferente, com mentalidades de dois povos diversos. Mas o meu problema familiar exigia uma solução urgente. Minha filha estava sofrendo e eu tinha que buscar todos os meios para aliviar o seu e o meu sofrimento.
Eu era consciente da minha realidade de dor e exclusão. Além de ser mulher, era uma estrangeira e possivelmente considerada amaldiçoada por um Mestre judeu, pois tinha o demônio em minha casa. Qual seria a realidade que ele trazia? Viria condicionado pela “doutrina” recebida desde a infância como bom judeu?
Depois de muito pensar, tomei a firme decisão de ir ao seu encontro. Quando entrei na casa, o primeiro impulso que senti foi ajoelhar-me aos seus pés e suplicar. Sua pessoa me cativou, mas fiquei decepcionada com a sua atitude. Percebi nela um preconceito duro e excludente. Ele me disse: “Deixa que primeiro os filhos se saciem porque não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos” (cf. v. 27).
É verdade que ele não estava me negando nada, mas pedia que eu esperasse. Esperar até quando? Pela minha angústia percebia-se que o caso era urgente. Será que ele não via? Dei-me conta que os nossos pontos de partida eram diferentes: ele partia da doutrina, eu da realidade; ele partia do que deveria ser; eu partia do que era: a realidade de dor, de exclusão e de fome que afetavam judeus e estrangeiros. Era preciso dialogar, entrar na parábola e ir mais longe. Então eu disse: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que caem” (cf.v.28).
Com isto eu lhe estava dizendo que os dois povos éramos necessitados; havia demônio lá e aqui; havia fome lá e aqui. Com isto eu lhe recordava que a recusa do povo de Israel que não sabia aproveitar aquilo que ele estava oferecendo poderia ser revertido em benefício nosso. E lhe oferecia uma nova estratégia: por que não tratar aos dois povos sem um antes e um depois? Por que não repartir os bens do Reino para todos, embora fosse de maneira diferente (uns sentados à mesa e outros debaixo dela)? Por que nós, estrangeiros, não poderíamos comer das “sobras” do povo judeu? Não seria tudo mais fácil se ele tratasse os dois povos ao mesmo tempo?
Minha argumentação foi convincente. Notei que ele ficou impressionado com o que eu dizia. Parou um pouco para pensar e logo me disse: “Pelo que disseste, vai: o demônio saiu da tua filha” (cf. v. 29).
Voltei correndo para a minha casa. Ao chegar, encontrei a criança estendida sobre a cama, calma, serena, tranquila. O demônio da exclusão e da marginalização; o demônio da discriminação das culturas diferentes não assumidas; o demônio de um passado marcado por conflitos, tinha ido embora. Minha coragem tinha sido mediação para o milagre.
Penso que você está vivendo um momento parecido com o meu: o Processo de Integração que sua Congregação está fazendo. Não deixa de ser difícil lidar com o novo, com o diferente, com as situações específicas de cada realidade, de cada província/região.

VOCÊ QUE ME ESCUTA:
a) como se sente nesse processo de expansão de fronteiras de Províncias/Região?
b) que mudança de mentalidade é necessário assumir para aproximar-se das “fronteiras” Províncias/Região? Indicar até três.
c) sente-se desejosa de ser mediação para o “milagre”?
d) está disposta a continuar o caminho dando sua colaboração? Qual?

Hermenêutica da imaginação criativa
Elaborada por Virma Barion, CCV


OBS.: Enviar as considerações da letra “b” à Irmã referência da Equipe Integrando de sua Província/Região até 10 de novembro 2013.


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