Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Notícia
08/07/2017
O Futuro da Religião em Tempos de Redes

Livro trata de desafios e desdobramentos das religiões na era digital

Moisés Sbardelotto analisa a presença do catolicismo no ambiente digital e o futuro da religião em tempos de redes


“O ambiente digital emerge como um novo lócus religioso e teológico. Formam-se novas modalidades de percepção, de experiência e de expressão do ‘sagrado’ em novos ambientes comunicacionais.” Essa é uma das considerações que Moisés Sbardelotto, jornalista, mestre e doutor em Ciências da Comunicação, indica em seu novo livro “E o Verbo se fez rede: religiosidades em reconstrução no ambiente digital”, publicado pela Paulinas Editora, para a coleção “Pastoral da Comunicação: teoria e prática”, série “Comunicação e Cultura”.


Hoje, tudo está em rede – redes sociais, redes digitais, redes midiáticas. Com o desenvolvimento da internet e do ambiente digital, as pessoas vivem novas formas de relação e de interação, sem fronteiras de espaço e sem limites de tempo. E as práticas sociais no ambiente on-line complexificam o fenômeno religioso. O livro de Sbardelotto, fruto de sua pesquisa de doutorado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), revela que o “sagrado” passa a circular na internet não apenas por meio da “produção” eclesiástica ou midiática, mas também por meio da comunicação das inúmeras pessoas conectadas.


Como aponta Sbardelotto, em rede, “o fenômeno religioso se manifesta não apenas como ações de religação (religare) entre o humano e o divino, mas principalmente de reconexão entre o humano, o social, o tecnológico, o simbólico, o divino”. Nesse novo ambiente comunicacional, a Igreja e as religiões vêm sendo impelidas a modificar suas estruturas comunicacionais e sistemas internos e externos de significação do sagrado em sociedade. O livro “E o Verbo se fez rede” discute justamente quais desdobramentos isso pode provocar ou já está provocando.


Da presença do pontífice no Twitter, na conta @Pontifex, passando pela primeira página oficial da Igreja Católica no Facebook, a do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano, pela página Jovens Conectados no Facebook, projeto promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), até as “periferias existenciais” em rede, como a página Diversidade Católica no Facebook, Sbardelotto acompanha o movimento de circulação do catolicismo, especificamente, nos meandros das conexões digitais.


Além de uma profunda reflexão teórica sobre o que o autor chama de “midiatização digital da religião” e de observações empíricas em detalhe, o livro contém entrevistas realizadas pelo autor com expoentes da comunicação católica, como Dom Claudio Maria Celli e Dom Paul Tighe, então prefeito e secretário, respectivamente, do ex-Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, com quem Sbardelotto conversou no período de seu estágio doutoral, realizado na Universidade La Sapienza, em Roma, entre 2014 e 2015, quando visitou os escritórios de comunicação da Santa Sé.


Segundo o autor, que também foi membro da comissão que elaborou o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, aprovado pela CNBB em 2014, “para uma instituição bimilenar como a Igreja Católica e para uma tradição religiosa como o catolicismo, a circulação do ‘católico’ em rede explicita uma profunda e desafiadora tensão transformadora entre tradição e reforma, entre estabilidade e movimento, entre permanência e mudança”.


No prefácio da obra, o padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica, afirma que “a internet é uma realidade que já faz parte da vida cotidiana: não uma opção, mas um fato. (...) A evangelização não pode desconsiderar essa realidade. E é esse fenômeno que Moisés Sbardelotto perscruta neste seu livro, de modo articulado, preciso e profundo, ao mesmo tempo”.


Já o posfácio é assinado pelo Prof. Dr. Stewart Hoover, diretor do Center for Media, Religion and Culture, da Universidade do Colorado Boulder, Estados Unidos. Segundo Hoover, Sbardelotto leva as considerações sobre a evolução da Igreja Católica na era digital “a um novo nível de seriedade e de substância acadêmica”.

 

 

Redação Jornal Correio Riograndense



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