Vidas que inspiram - Irmã Eliana Aparecida dos Santos
O Projeto "VIDAS QUE INSPIRAM" , nos apresenta, nesta primeira quarta - feira do mês, a vida de nossa Irmã Eliana Aparecida dos Santos

Uma história de vocação, comunicação e missão
Eu sou Eliana Aparecida dos Santos, nascida em 22 de julho de 1977, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Venho de uma família simples, do interior, marcada pela pobreza, mas também pela força, pelo trabalho e pela fé. Minha infância foi vivida entre irmãos e primos, brincadeiras no rio — onde aprendi a nadar aos sete anos — e a presença constante da comunidade da igreja, especialmente através do envolvimento profundo da minha mãe nas atividades comunitárias.
Durante um período da infância, moramos em uma fazenda distante da cidade, o que dificultou meu acesso à escola. Fiquei cerca de dois anos sem estudar porque a escola era longe demais. Quando finalmente consegui matrícula, minha mãe me levava de bicicleta. Lembro-me com emoção do dia em que a ponte caiu e eu não consegui chegar à prova — chorei muito. Talvez ali tenha nascido em mim uma consciência ainda mais profunda do valor da educação.
Sempre fui uma estudante dedicada. Como havia ficado um tempo sem estudar, era geralmente a aluna mais velha da turma, e isso me motivava a ser exemplo, a estudar mais, a fazer sempre o meu melhor. A educação se tornou uma marca forte na minha vida.
A presença da Igreja também foi decisiva desde cedo. Aos 14 anos comecei a ajudar na catequese. Aos 17, já participava ativamente da organização de uma comunidade que estava começando em um novo bairro para onde minha família havia se mudado, mudávamos muito, pois, não tínhamos casa própria. Celebrávamos nas casas, organizávamos catequese no porão das casas, organizávamos grupo de jovens, visitávamos famílias. As Irmãs de São José vinham nos orientar nas pastorais nos fins de semana. Eu queria estar ali o tempo todo. Meu pai chegou a brincar: “Já estava levando a cama para vocês lá na igreja, porque vocês quase moram lá.”
E, de certa forma, ele estava certo.
Durante um mês vocacional, ao ouvir um testemunho sobre o chamado de Deus, algo tocou profundamente meu coração. Perguntei às postulantes das Irmãs de São José que nos ajudavam na comunidade: “Como faço para ser como vocês?” Fiz meu discernimento entre agosto e dezembro. Aos 18 anos, já estava na Casa de Formação.
Professei meus Primeiros Votos no ano 2000, na minha cidade natal, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima - a mesma onde fui batizada e crismada. Foi um momento profundamente marcante. Toda minha família estava presente. Meu padrinho de batismo, já cego e debilitado pela diabetes, participou daquela celebração. Foi a última vez que ouvi sua voz. Pouco depois, ele faleceu. Essa memória permanece como um tesouro no meu coração.
Em 2025 celebrei 25 anos de vida consagrada, celebrando sobretudo a fidelidade de Deus e sua confiança no meu frágil, mas perseverante desejo de segui-lo diariamente.
Ao longo da vida religiosa, exerci diversos serviços: faxineira, professora, coordenadora de projetos sociais, animadora vocacional, coordenadora de comunidades, missionária na Tanzânia e nos últimos 10 anos comunicadora.
Atuei como coordenadora de um projeto social na região de Caxias do Sul, ajudando a fundar um espaço de atendimento a crianças em situação de vulnerabilidade no turno inverso à escola. Também morei três anos em um assentamento no interior do Mato Grosso do Sul, onde nossa casa se tornou espaço de acolhida. Muitas famílias dormiam em nossa casa para conseguir atendimento médico ou odontológico de madrugada. Colchões espalhados pela casa eram sinal de comunhão e cuidado.
De 2011 a 2015 vivi uma experiência missionária na Tanzânia, após sentir fortemente um chamado feito pelo Conselho Geral da Congregação. Lá coordenei um hostel para meninas estudantes do ensino médio que não tinham condições de frequentar a escola a partir de suas casas. Vivi intensamente uma dimensão materna no cuidado cotidiano. Entre muitas experiências, uma marcou profundamente meu coração: uma estudante foi violentamente agredida na escola por não conseguir terminar uma tarefa e chegou a desmaiar. Esse episódio despertou em mim ainda mais o compromisso com a defesa da vida, da dignidade e de uma educação humanizadora.
Sou formada em Letras, em Jornalismo, Mestra em Comunicação e pós-graduanda em Filosofia e Autoconhecimento. Curiosamente, o Jornalismo não foi um sonho pessoal. Sempre amei escrever - prefiro escrever a falar - mas não me via no perfil tradicional de jornalista. No entanto, diante de uma necessidade institucional e após ouvir que eu tinha boa escrita, capacidade de síntese e trabalho em equipe, aceitei o desafio. Hoje posso dizer que o Jornalismo, a comunicação me conquistou. É uma profissão apaixonante e profundamente alinhada com meu desejo de dar voz a quem não é ouvido.
Atualmente trabalho no setor de Comunicação da Congregação das Irmãs de São José. Nosso desafio é desenvolver uma verdadeira cultura da comunicação entre os membros da Província e da Congregação Em um mundo marcado pelo individualismo e pela indiferença, acredito que comunicar a partir do Evangelho é um ato de misericórdia de justiça e de comunhão. Como comunicadora religiosa, desejo dar visibilidade às histórias que precisam ser contadas - histórias de esperança, de luta, de dignidade.
Como disse o Papa Francisco:“Em um mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade”.
Hoje permaneço na missão que a graça de Deus me concedeu, renovando diariamente o meu primeiro “sim” e repetindo com o coração confiante:“Seduziste-me, Senhor, para amar e servir, certa de que estás sempre comigo”.
Uma história de vocação, comunicação e missão
Eu sou Eliana Aparecida dos Santos, nascida em 22 de julho de 1977, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Venho de uma família simples, do interior, marcada pela pobreza, mas também pela força, pelo trabalho e pela fé. Minha infância foi vivida entre irmãos e primos, brincadeiras no rio — onde aprendi a nadar aos sete anos — e a presença constante da comunidade da igreja, especialmente através do envolvimento profundo da minha mãe nas atividades comunitárias.
Eu sou Eliana Aparecida dos Santos, nascida em 22 de julho de 1977, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Venho de uma família simples, do interior, marcada pela pobreza, mas também pela força, pelo trabalho e pela fé. Minha infância foi vivida entre irmãos e primos, brincadeiras no rio — onde aprendi a nadar aos sete anos — e a presença constante da comunidade da igreja, especialmente através do envolvimento profundo da minha mãe nas atividades comunitárias.
Durante um período da infância, moramos em uma fazenda distante da cidade, o que dificultou meu acesso à escola. Fiquei cerca de dois anos sem estudar porque a escola era longe demais. Quando finalmente consegui matrícula, minha mãe me levava de bicicleta. Lembro-me com emoção do dia em que a ponte caiu e eu não consegui chegar à prova — chorei muito. Talvez ali tenha nascido em mim uma consciência ainda mais profunda do valor da educação.
Sempre fui uma estudante dedicada. Como havia ficado um tempo sem estudar, era geralmente a aluna mais velha da turma, e isso me motivava a ser exemplo, a estudar mais, a fazer sempre o meu melhor. A educação se tornou uma marca forte na minha vida.
A presença da Igreja também foi decisiva desde cedo. Aos 14 anos comecei a ajudar na catequese. Aos 17, já participava ativamente da organização de uma comunidade que estava começando em um novo bairro para onde minha família havia se mudado, mudávamos muito, pois, não tínhamos casa própria. Celebrávamos nas casas, organizávamos catequese no porão das casas, organizávamos grupo de jovens, visitávamos famílias. As Irmãs de São José vinham nos orientar nas pastorais nos fins de semana. Eu queria estar ali o tempo todo. Meu pai chegou a brincar: “Já estava levando a cama para vocês lá na igreja, porque vocês quase moram lá.”
E, de certa forma, ele estava certo.
Durante um mês vocacional, ao ouvir um testemunho sobre o chamado de Deus, algo tocou profundamente meu coração. Perguntei às postulantes das Irmãs de São José que nos ajudavam na comunidade: “Como faço para ser como vocês?” Fiz meu discernimento entre agosto e dezembro. Aos 18 anos, já estava na Casa de Formação.
Professei meus Primeiros Votos no ano 2000, na minha cidade natal, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima - a mesma onde fui batizada e crismada. Foi um momento profundamente marcante. Toda minha família estava presente. Meu padrinho de batismo, já cego e debilitado pela diabetes, participou daquela celebração. Foi a última vez que ouvi sua voz. Pouco depois, ele faleceu. Essa memória permanece como um tesouro no meu coração.
Em 2025 celebrei 25 anos de vida consagrada, celebrando sobretudo a fidelidade de Deus e sua confiança no meu frágil, mas perseverante desejo de segui-lo diariamente.
Ao longo da vida religiosa, exerci diversos serviços: faxineira, professora, coordenadora de projetos sociais, animadora vocacional, coordenadora de comunidades, missionária na Tanzânia e nos últimos 10 anos comunicadora.
Atuei como coordenadora de um projeto social na região de Caxias do Sul, ajudando a fundar um espaço de atendimento a crianças em situação de vulnerabilidade no turno inverso à escola. Também morei três anos em um assentamento no interior do Mato Grosso do Sul, onde nossa casa se tornou espaço de acolhida. Muitas famílias dormiam em nossa casa para conseguir atendimento médico ou odontológico de madrugada. Colchões espalhados pela casa eram sinal de comunhão e cuidado.
De 2011 a 2015 vivi uma experiência missionária na Tanzânia, após sentir fortemente um chamado feito pelo Conselho Geral da Congregação. Lá coordenei um hostel para meninas estudantes do ensino médio que não tinham condições de frequentar a escola a partir de suas casas. Vivi intensamente uma dimensão materna no cuidado cotidiano. Entre muitas experiências, uma marcou profundamente meu coração: uma estudante foi violentamente agredida na escola por não conseguir terminar uma tarefa e chegou a desmaiar. Esse episódio despertou em mim ainda mais o compromisso com a defesa da vida, da dignidade e de uma educação humanizadora.
Sou formada em Letras, em Jornalismo, Mestra em Comunicação e pós-graduanda em Filosofia e Autoconhecimento. Curiosamente, o Jornalismo não foi um sonho pessoal. Sempre amei escrever - prefiro escrever a falar - mas não me via no perfil tradicional de jornalista. No entanto, diante de uma necessidade institucional e após ouvir que eu tinha boa escrita, capacidade de síntese e trabalho em equipe, aceitei o desafio. Hoje posso dizer que o Jornalismo, a comunicação me conquistou. É uma profissão apaixonante e profundamente alinhada com meu desejo de dar voz a quem não é ouvido.
Atualmente trabalho no setor de Comunicação da Congregação das Irmãs de São José. Nosso desafio é desenvolver uma verdadeira cultura da comunicação entre os membros da Província e da Congregação Em um mundo marcado pelo individualismo e pela indiferença, acredito que comunicar a partir do Evangelho é um ato de misericórdia de justiça e de comunhão. Como comunicadora religiosa, desejo dar visibilidade às histórias que precisam ser contadas - histórias de esperança, de luta, de dignidade.
Como disse o Papa Francisco:
“Em um mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade”.
Hoje permaneço na missão que a graça de Deus me concedeu, renovando diariamente o meu primeiro “sim” e repetindo com o coração confiante:
“Seduziste-me, Senhor, para amar e servir, certa de que estás sempre comigo”.


















