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Segunda Sessão Capitular: Peregrinas de Esperança, Testemunhar a Unidade

Notícias da Província
Conteúdo próprio

24.08.2026 - 14:48:00 | 4 minutos de leitura

Segunda Sessão Capitular: Peregrinas de Esperança, Testemunhar a Unidade

No dia 22 de agosto de 2026, mais de 120 pessoas, entre Irmãs de São José de Chambery da província brasileira, leigas, leigos, colaboradores, participaram, de forma on-line, da segunda sessão do IV Capítulo Provincial das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil.


Com o tema “Peregrinas de Esperança, Testemunhar a Unidade” e o lema “Que sejam aperfeiçoadas na Unidade” (Jo 17,23), a segunda sessão deu continuidade ao caminho capitular, proporcionando um tempo de oração, escuta, reflexão e discernimento. O encontro contou com a assessoria da Ir. Zuleica Aparecida Silvano, da Congregação das Irmãs Paulinas, que acompanha o processo e contribui para aprofundar a compreensão do Capítulo como um tempo de revisão da caminhada, discernimento da realidade e renovação da missão. 


Acolhida e oração: abrir-se à ação do Espírito


Na acolhida, a Superiora Provincial, Ir. Consolação Rocha Coelho, destacou que viver como peregrinas/os de esperança exige coragem, fé e confiança na graça de Deus para testemunhar a unidade desejada por Jesus. Ao recordar a Eucaristia como fonte e inspiração da missão, reafirmou o chamado a viver um amor capaz de construir comunhão e fraternidade.

 O momento de oração inicial, conduzido pela Ir. Rosa Porangaba, colocou toda a assembleia sob a ação do Espírito Santo. A proclamação das Constituições recordou a identidade missionária da Congregação e o compromisso de viver uma fidelidade dinâmica ao carisma, sendo “fermento de unidade no mundo” e colocando-se a serviço, com preferência pelos mais necessitados.


 A assembleia também acolheu com alegria o Hino Oficial do Capítulo, composto por Maria Madalena Silveira, leiga do Pequeno Projeto. A letra traduz o espírito desta caminhada e reafirma a identidade de quem se coloca a caminho: “somos peregrinas de esperança”.


 Peregrinar, esperar e testemunhar a unidade


Em sua reflexão, Ir. Zuleica partiu de uma pergunta que orientou o aprofundamento do tema: “Como podemos ser peregrinas/os de esperança, testemunhando a unidade?”

 A partir da Sagrada Escritura e da realidade da Igreja Sinodal e da Vida Religiosa Consagrada, a assessora apresentou a peregrinação como um caminho de transformação, conversão e abertura à ação de Deus.

 Peregrinar significa reconhecer-se sempre a caminho, acolhendo a própria vulnerabilidade, o encontro com o diferente e a necessidade de deixar-se conduzir pelo Senhor. A esperança, por sua vez, não se reduz à espera passiva, mas é confiança ativa na promessa de Deus, vivida no presente por meio da fé e da caridade.


 A reflexão também evidenciou que peregrinar é caminhar em direção à unidade. As experiências bíblicas de Jacó, José, do Êxodo, do Exílio e os Salmos de peregrinação revelam processos de transformação, reconciliação e comunhão. Em contraste, Babel recorda que projetos centrados no poder e nos interesses individuais podem gerar dispersão e divisão.


 A unidade como dom e missão


Ao aprofundar o texto de João 17, Ir. Zuleica ressaltou que a unidade desejada por Jesus não significa uniformidade nem ausência de conflitos. Ela nasce da comunhão entre o Pai e o Filho e constitui um dom que precisa ser acolhido, cultivado e testemunhado.

Nesse sentido, a unidade também é missão. O mundo pode reconhecer o amor de Deus quando encontra comunidades que vivem relações marcadas pela comunhão, pelo serviço, pelo cuidado e pela fraternidade.


A proposta capitular convida, assim, a olhar para a unidade não apenas como uma realidade interna da Congregação, mas como um testemunho que toca a missão e a própria presença da Vida Religiosa no mundo.


Caminhos de conversão para uma Vida Religiosa mais sinodal


A reflexão apresentou ainda importantes desafios para a Vida Religiosa Consagrada, apontando caminhos concretos de conversão: da estrutura hierárquica à cultura sinodal; da autorreferencialidade à identidade relacional; da participação formal à corresponsabilidade; do poder ao serviço da autoridade; da convivência funcional à fraternidade; da lógica da crise à esperança na fragilidade; da conservação à atualização do carisma; e da repetição à criatividade missionária.


Esses caminhos provocam a Congregação a avançar em direção a uma Vida Religiosa mais sinodal, participativa, fraterna e missionária, aberta às necessidades do mundo e, ao mesmo tempo, fiel ao Evangelho e ao carisma recebido.


Um caminho que continua


A segunda sessão capitular constituiu um momento significativo de oração, escuta, reflexão e discernimento. Mais do que um processo institucional, o Capítulo se apresenta como um caminho espiritual de conversão, renovação e abertura à ação do Espírito Santo.


Ser peregrinas/os de esperança é reconhecer que estamos sempre a caminho, confiando naquele que nos conduz. Ser testemunhas da unidade é tornar visível, nas relações, nas comunidades e na missão, o desejo de Jesus: “Que sejam aperfeiçoadas na unidade”.

Com os olhos voltados para Cristo, o coração aberto ao Espírito e a disposição de caminhar juntas e juntos, a assembleia é chamada a construir uma unidade que não seja apenas palavra ou ideal, mas testemunho vivo do amor de Deus no mundo.


O caminho capitular continua. E, como peregrinas/os, somos convidados a avançar com esperança, corresponsabilidade e confiança, deixando que o Espírito conduza os próximos passos e renove, em cada pessoa e em toda a Congregação, o compromisso com a comunhão e a missão.


Pelo Grupo de Comunicação
Irmã Vilma de Oliveira, ISJ

 

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