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Província das Irmãs de São José de Chambery
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MÁXIMAS DO PEQUENO INSTITUTO

Padre Jean Pierre Medaille

Máximas de 1 a 100

MÁXIMAS DO PEQUENO INSTITUTO
MÁXIMAS DO PEQUENO INSTITUTO1
(1) Os Man. A e S não têm essas Máximas. Ap. tem somente 14.
Minhas queridas Irmãs, esforcem-se por observar as máximas seguintes que são o espírito de seu Pequeno Instituto.

1. Tenham sempre bem presente a finalidade de sua vocação que é sublime e nunca façam nada que não seja coerente com o testemunho de uma vida plena de modéstia, de mansidão e de santidade.

2. Tomem por regra geral de sua vida, de suas virtudes e de todas as suas ações, serem perfeitas como seu Pai celeste é perfeito, isto é, em todas as coisas, assumam o que possa levar à maior glória de seu Pai celeste, o que for mais perfeito e mais agradável aos olhos dele e mais conforme à sua puríssima vontade.

3. Aniquilem-se sempre em honra do Verbo Encarnado que amorosamente se aniquilou por vocês e comprometam-se a praticar a mais pequena e aniquilada, a mais sincera e mais profunda humildade que puderem, para com todos e em todas as ocasiões, especialmente para com Deus, de quem necessariamente deve vir toda bênção sobre o seu Instituto.

4. Vivam, se for possível, de tal modo, que suas vidas, em honra do Espírito Santo, sejam um ato contínuo da mais pura e perfeita caridade que, em Deus, vocês puderem praticar.

5. Não façam maior caso do mundo e de suas vaidades do que de um pouco de esterco: que o mundo lhes seja crucificado e vocês para o mundo, isto é, desprezem a figura do mundo que passa e tenham horror às suas máximas que são cheias de malícia e de impiedade.

6. Despojem-se inteiramente do velho homem para se revestirem do novo, e de acordo com esta máxima.2. (2) No Man. Ap. Ba. C e H1 as máximas 6 e 7 fazem um todo e trazem o nº 6.

7. Levem uma vida inteiramente morta ao mundo e ao amor próprio, mas plena de mansidão, humildade de coração, sinceridade, modéstia, paz interior e exterior, plena de caridade para com o próximo. Numa palavra, uma vida totalmente moldada na santidade e nas amáveis virtudes de Jesus, que vocês procurarão formar em si mesmas. Com a graça de Deus poderão assim atrair muitas outras pessoas que se beneficiarão de seus exemplos e de suas palavras.

8. No que diz respeito ao zelo característico de sua humílima vocação, imitem o fervor das pessoas mais zelosas. Assumam pelo desejo, a salvação e a perfeição de todos, com o espírito pleno de uma verdadeira humildade e de uma generosa coragem que as levem a tudo fazer, tudo sofrer, tudo empreender, para promover a glória de Deus e a salvação do querido próximo.

9. Apoiem toda a força de suas resoluções e a esperança do sucesso de suas realizações sobre o conhecimento de suas infinitas fraquezas, a desconfiança total de si mesmas e sobre a confiança firme e segura que vocês devem ter em Deus, a quem nada é impossível e que as ajudará sempre, em tudo o que empreenderem para a sua glória, pelo impulso de sua graça e conforme a obediência.

10. Fujam sempre, e com profunda aversão, de todas as vaidades, complacências e infidelidades à graça, como pestes que infectam as boas obras e impedem a fluência da bênção divina sobre a orientação de sua vida.

11. Não falem jamais de si mesmas, nem bem nem mal, sem grande necessidade. Não tenham nenhuma estima pessoal, nem do que fizerem, pois o que são e o que poderão fazer nada é diante de Deus, uma vez que vocês têm muitas imperfeições, capazes de fazê-las desprezíveis, se fossem conhecidas.

12. Falem sempre bem dos outros e valorizem o bem que eles fizerem, desculpando e encobrindo do melhor modo possível os defeitos que poderão existir neles.

13. Prefiram sofrer todos os males do tempo que o menor mal da eternidade, todos os males da natureza que a menor perda da graça, pois toda a espécie de razões e de luzes ensina que é preciso viver segundo essa verdade.

14. Para explicar claramente a máxima acima, prefiram perder todos os bens e sofrer todos os males do que ir contra a santíssima vontade de Deus.

15. Sejam sempre profundamente humildes, pois o que empreenderem para si mesmas e para os outros depende da pura misericórdia de Deus e de sua benevolência infinita, que lhes concede graças absolutamente necessárias, das quais vocês se tornarão indignas se não forem plenas de humildade.

16. Sejam igualmente muito fiéis à graça do Espírito Santo, escutando-o atentamente, obedecendo-lhe pronta e inteiramente, rendendo-lhe como é justo, a honra do êxito de suas ações.
17. Em tudo e em toda a parte tenham em vista somente Deus, sua vontade e sua glória, e nada mais levem em conta.

18. Não sejam ambiciosas, sejam moderadas em seus desejos, e para melhor dizer, vivam sem desejo e sem projeto; abandonem-se, numa serena entrega de si mesmas, à amorosíssima providência de Deus.

19. Façam um tão perfeito sacrifício de si mesmas e de sua vontade, de modo que vocês nada mais sejam e não tenham outro gosto a não ser querer deliberadamente que a puríssima vontade de Deus seja inteiramente realizada em vocês, por vocês e em toda a parte.

20. Reconheçam e amem ternamente essa amabilíssima vontade em todos os acontecimentos, quaisquer que possam ser, e em todas as ordens e decisões dos superiores, a menos que lhes ordenem alguma coisa em que haja pecado evidente.

21. Apliquem-se com total seriedade a fazer com perfeição a vontade de Deus no presente, sem se desviarem disso; não façam considerações inúteis sobre o que lhes será manifestado em tempo e lugar oportunos.

22. Não desejem nenhum louvor nem recompensa de suas boas obras nesta vida para tê-los maiores e mais puros na eternidade.

23. Pelo contrário, procedam de tal forma que suas boas ações estejam ocultas no tempo e conhecidas apenas por Deus, para aparecerem unicamente na eternidade ou jamais aparecerem, se Deus assim o quiser.

24. Amem unicamente a Deus e aquilo que se pode chamar divino.

25. Sejam todas de Deus por um abandono sagrado, todas para Deus por um amor puro, inteiramente desinteressado; todas em Deus, pela contínua busca de sua presença, todas segundo Deus pela conformidade de vida, de vontade e de tudo.

26. Alegrem-se em todas as coisas unicamente com a glória de Deus, não importa por quem seja ela promovida. Alegrem-se ainda mais quando parecer que são os outros que a promovem diante dos homens, mais do que vocês.

27. Procurem em todas as coisas agradar somente a Deus e para melhor praticar esta máxima, lembrem-se em todo o seu proceder, na desolação, doença etc... de desejar unicamente aquilo que mais lhe agrada, sem considerar seus próprios interesses.

28. Amem a vida oculta e interior de Jesus, tanto quanto o permitirem as necessárias atividades apostólicas.

29. Não ponham sua alegria na estima ou na afeição do mundo; creiam sinceramente que esses pensamentos e afeições são inutilmente empregados para com pessoas que o merecem tão pouco; pelo contrário, desejem unicamente que todos os pensamentos e afetos dos homens e dos anjos sejam totalmente de Deus ou para Deus somente. Creiam com Santa Teresa as verdades de sua religião, com uma fé tanto mais firme quanto mais difíceis de serem compreendidas.

30. Da mesma forma, na prática da esperança, confiem mais em Deus, quando em seu procedimento e em seus projetos houver menos possibilidade de êxito ou de auxílio humano e mais dificuldades, na realização de seus dedicados empreendimentos.

31. Em seus maiores sofrimentos e perigos, esperem com firme confiança, não que Deus tire de seu caminho todas as dificuldades, mas ao contrário, que ele faça por vocês e em vocês sua santíssima e amável vontade; vivam perfeitamente satisfeitas nessa esperança.

32. Quando vocês forem abandonadas pelas criaturas, ou mesmo por Deus, pela privação de suas graças sensíveis, lembrem-se do abandono do querido Salvador na Cruz, e amem ternamente o abandono que experimentarem, considerando o de Jesus.

33. Desejem agradar tanto a Deus em cada uma de suas ações, se for para a sua glória, como ninguém o tenha feito neste mundo, praticando as mesmas ações.

34. Fiquem atentas para que somente Deus seja o princípio e o fim de suas iniciativas; nos progressos, não se afastem nunca de sua divina vontade; quanto ao resultado, sejam perfeitamente indiferentes, tenham êxito ou não, desejando em tudo e em toda a parte que a vontade de Deus se cumpra perfeitamente, vontade que vocês devem reconhecer e amar, quando seus louváveis projetos forem adiados e aniquilados, bem como quando forem realizados e tiverem êxito.

35. Procurem convencer-se de que em toda a parte Deus as vê e as considera e não façam em sua presença aquilo que não ousariam fazer diante de uma pessoa de respeito.

36. Amem e procedam pela razão e pelo dever e não por capricho e inclinação natural.

37. Não percam nada, não recusem nada, a não ser que julguem absolutamente necessário, depois de ter recomendado tudo a Deus; mesmo nesse caso, façam-no por uma simples proposta, numa atitude de perfeita disponibilidade.

38. Quando seus pedidos forem atendidos ou recusados, não se queixem nunca dos outros mas unicamente de si mesmas.

39. Não sejam nada para si mesmas; sejam todas para Deus e para o próximo.

40. Amem somente o que é eterno.

41. Busquem unicamente e por amor ser em tudo perfeitamente semelhantes ao Salvador. Façam com que ele viva em vocês e vivam exclusivamente nele.

42. Aspirem somente e sempre ao grande amor de Deus e de nosso Salvador Jesus; todavia sem inquietação.

43. Sejam, ao menos, por desejo, as pessoas mais pobres do mundo, as mais humildes e submissas, as mais puras e obedientes, para se tornarem semelhante àquele que foi o mais pobre, o mais humilde e que é o divino modelo que vocês devem seguir.

44. Nada façam que não seja coerente com a busca da santidade.

45. Sejam sempre discretas quando tratarem com os estranhos. Entretanto, que essa discrição seja alegre e amável, plena de suave e santa simplicidade.

46. Vivam com o Senhor na Cruz e morram aos prazeres; aceitem a humilhação e morram à vaidade; vivam unicamente para Deus e morram inteiramente a si mesmas.

47. Quando se tratar de fazer várias coisas ao mesmo tempo na comunidade, se lhes oferecerem a oportunidade de escolher, tomem para si o mais humilde e difícil, deixando para as outras o mais fácil e mais honroso.

48. Procurem em tudo a glória de Deus, a salvação de si mesmas e do próximo, e não o prazer e a consolação que nisso se encontrar.

49. Sejam da maior condescendência possível para com o próximo em tudo o que não houver perigo de Deus ser ofendido ou menos glorificado. Não deixem transparecer nenhuma dificuldade, mas conservem uma fisionomia alegre e serena, como se vocês tivessem grande prazer naquilo que as faz sofrer e lhes causa maior dificuldade. Tudo o que fizerem ao querido próximo, façam-no com o mesmo sentimento de respeito e caridade como se o fizessem à própria pessoa de Jesus Cristo.

50. Prefiram sempre o contentamento e a vontade dos outros à sua própria, até mesmo com prazer e alegria de espírito, contanto que Deus não seja ofendido ou evidentemente menos glorificado.

51. Procurem dar de coração, o maior prazer que puderem, aos que lhes forem mais desagradáveis.

52. Interpretem todos os acontecimentos da melhor forma possível.

53. Tenham um coração sempre despojado e desapegado das coisas terrenas, quaisquer que sejam as aparências do bem.

54. Procurem agir sempre por convicção, não cedendo às solicitações viciosas, e comprometam-se generosamente a nunca condescender naquilo que for contrário a Deus.

55. Quando trabalharem pelo próximo, tenham um amor muito desinteressado, sem esperar recompensa de seus trabalhos, procurando unicamente ajudá-lo e, ao mesmo tempo, agradar a Deus.

56. Tenham receio e não complacência se o que fizerem for do agrado das pessoas, porque São Paulo adverte que os que procuram glórias humanas não são servos de Jesus Cristo.

57. Na conclusão das boas obras deem toda a glória ao nosso querido Salvador que, por sua morte, se tornou verdadeiramente o princípio de suas vidas e de suas boas ações.

58. Por si mesmas, vocês só podem colocar obstáculos à graça de Deus. Acreditem nisso.

59. Quando suas obras tiverem êxito creiam que os pecados cometidos ao realiza-las impediram grandemente o resultado que Deus tinha o direito de esperar da sua colaboração.

60. Amem e busquem unicamente a serenidade interior, vivendo na paz e na tranquilidade de todas as paixões, agindo em todas as coisas sem perturbação e sofrendo o que tiverem de sofrer sem queixa, nem murmuração, nem inquietação alguma.

61. Procurem viver, de todo o coração, a tranquila e íntima união com Deus, a cordial caridade e clemência para com o próximo, a verdadeira pureza de coração, a perfeita fidelidade à graça, acompanhada de um despojamento total de todas as inclinações naturais, a verdadeira humildade, a simplicidade e sinceridade, a obediência da criança que não busca razões, a pobreza completamente despojada e a constante alegria de espírito, como características de seu Instituto; numa palavra, vivam o puro e perfeito amor de Deus.

62. Continuem contentes no caminho da virtude e da vida que escolheram, não mudando nada a não ser em vista de maior perfeição.

63. Jamais considerem os acontecimentos adversos como obstáculos, e sim como ajuda, e acolham-nos, quaisquer que sejam, como sinais da terna e amorosa Providência de Deus seu Pai.

64. Procurem ser sempre serviçais para com todos e não desgostar a ninguém.

65. Sejam exatas e diligentes em fazer as coisas que lhe foram recomendadas ou que são de sua responsabilidade, especialmente quando forem úteis e necessárias ao próximo. Vejam como é comum sermos frequentemente levadas a diferir essas coisas para fazer outras menos obrigatórias, porém mais conformes às nossas inclinações naturais e aos nossos pequenos interesses.

66. Sejam corajosas para assumir o que Deus lhes pede e constantes para perseverar em seus compromissos; jamais desistam, quaisquer que sejam as dificuldades e os obstáculos encontrados no caminho, a não ser que se sintam totalmente incapazes diante deles.

67. De acordo com essa máxima, levem até o fim, com mansidão e eficácia, o que tiverem resolvido assumir e que, prudentemente, acreditam corresponder à maior glória de Deus.
68. Considerem como suspeito qualquer desejo que seja muito insistente e capaz de distraí-las dos serviços indispensáveis, ligados a seu dever.

69. Jamais pensem no futuro, a não ser que tenha alguma ligação com o presente; confiem tudo à Providência de Deus.

70. Não procurem informar-se sobre as decisões dos superiores a seu respeito; aguardem-nas da mão de Deus, e desejem que lhes sejam manifestadas somente na hora que ele determinou, desde a eternidade; não se apressem para conhecê-las antes.

71. Vivam satisfeitas com o trabalho que a obediência lhes confiou, dedicando-se a ele cuidadosamente, sem se deixar levar pelo menor pensamento de mudança, até que a obediência o ordene.

72. Estejam sempre disponíveis a obedecer tranquilamente, indiferentes a tudo o que não seja contra a vontade de Deus: a viver ou a morrer, a ter saúde ou estar doente, contentes ou descontentes, encontrando sempre sua completa satisfação unicamente em cumprir a vontade divina.

73. Tenham apenas um desejo, o de realizar sempre a vontade de Deus a seu respeito quanto à natureza, à graça e a glória, agora e na eternidade.

74. Obedeçam pronta, simples e alegremente, sem permitir um só pensamento de repugnância ou de recusa, sem intercalar uma palavra entre a ordem e sua execução, a não ser que seja óbvio tratar-se de pecado.

75. Desejem que se tenha modesta opinião a seu respeito e boa opinião dos outros; entristeçam-se quando as levarem em consideração e alegrem-se quando outros forem apreciados.

76. Procurem ocultar, do melhor modo possível, os poucos dons que Deus lhes concedeu; deem a conhecer, se houver ocasião, o que possa torna-las menos estimadas, mas façam-no discretamente.

77. Todas as suas ações sejam impregnadas de um grande e verdadeiro amor de Deus; tudo está nisso.

78. Ponham sua glória no desprezo, e aceitem as situações difíceis não somente com paciência, mas ainda com alegria e ação de graças. É na contradição e no desprezo que as grandes almas encontram um tesouro de graças, de méritos e de bênçãos celestes.

79. Alegrem-se quando acontecer que as outras tenham mais inteligência e mais talentos que vocês, mais graças e até mais virtudes, colocando sua alegria unicamente na realização da vontade de Deus.

80. Podem estar certas de que não se é mais santo quando se cometem menos faltas e se pratica a virtude com mais facilidade, mas que isso se deve a Deus e à sua graça. Esta frequentemente torna as pessoas principiantes mais fervorosas no exercício das boas obras e menos sujeitas às faltas do que as mais adiantadas. A santidade consiste em algo muito escondido que conhecido somente de Deus.

81. Se reconhecerem possuir alguma virtude, não se afastem nunca dos sentimentos de um verdadeiro temor de Deus, porque os julgamentos divinos são impenetráveis e seus sentimentos muito diferentes dos nossos.

82. Creiam que nada existe de perfeito no exercício de seu apostolado, exceto desejar serena e desinteressadamente a glória de Deus. Ele concede esses desejos mesmo às criaturas mais indignas.

83. Por mais puras que pareçam suas intenções, convençam-se de que ainda assim estão procurando alguma satisfação pessoal, no mais íntimo de seus corações.

84. Não antecipem jamais a graça por um fervor indiscreto, mas aguardem tranquilamente sua inspiração e sigam-na quando se manifestar, com muita mansidão, humildade, coragem e perfeita fidelidade.

85. Procurem encaminhar as boas obras até o fim e, se puderem, deixem que alguém as termine e delas receba a glória.

86. Não se deixem dominar por coisa alguma que esteja abaixo de Deus nem influenciar pelas coisas do mundo, procurando mantê-las sob o domínio da razão e da virtude.

87. Desprezem profundamente como ilusões quaisquer aparências de virtudes que possam perceber em si mesmas. Lembrem-se: o que há em vocês e o que fazem é somente ilusão e pecado e quando tiverem feito todo o bem, vocês ainda continuam servas inúteis.

88. Empreguem bem o tempo que é tão precioso; não percam sequer um minuto, consagrando e oferecendo tudo a Deus sem restrições, com intenções muito mais puras e sublimes.
89. Quando tiverem oportunidade, aproveitem as ocasiões de praticar as “virtudes gerais”(3), no seu mais elevado grau.

(3) Transcrição da nota do Pe. Nepper em “Máximas de Perfeição, p. 183s. O sentido das “virtudes Gerais” nos é dado por este texto de São Francisco de Sales que transcrevemos aqui: “Nem sempre podemos praticar a magnanimidade, porém a mansidão, a temperança, a humildade, são virtudes que devem dar um colorido a todas as ações de nossa vida. O açúcar é melhor do que o sal, porém, o sal é mais usado e generalizado. Razão pela qual é necessário fazer provisão destas “virtudes gerais” que nos são úteis diariamente” (São Francisco de Sales, em Introdução à vida devota, 3ª parte, Cap.1)

90. Façam com diligência e perfeição suas ações comuns e extraordinárias e nunca sejam negligentes nisso.

91. Cultivem a grandeza de alma que considera insignificante tudo o que não vem de Deus, que empreende com serenidade e entusiasmo as grandes causas apostólicas, inspiradas pelo Espírito Santo. Ede acordo com esta máxima:

92. Que seu coração ache sempre pouco tudo o que vocês puderem fazer e sofrer, como de fato     o é, comparado à grandeza de Deus e ao que merecem suas infinitas perfeições.

93. Não pense ter alcançado o verdadeiro amor de Deus, senão quando esse amor tiver esvaziado seu coração de toda a vaidade, mesquinhez, indolência, sensualidade, apegos e afeições terrenas, para que vocês vivam, segundo as inspirações da graça, as máximas da Igreja e o Evangelho de Jesus Cristo. 

94. Desejem ardentemente a perfeição às três faculdades de sua alma: à memória, um esquecimento geral de tudo e de si mesmas, para se lembrarem somente de Deus; à inteligência, em todas as coisas, a simplicidade do olhar voltado para Deus, para sua glória, sua vontade e seu beneplácito; à vontade, a exclusiva liberdade de ir para Deus, de amá-lo e acolher os desígnios de sua providência com todo o amor de seus corações.

95. Cuidem de não serem iludidas pelo demônio disfarçado em anjo de luz, que leva a confundir os impulsos da natureza com os da graça e as ilusões com as verdadeiras inspirações e revelações de Deus.

96. Cultivem sentimentos de desapego e de resignação à vontade de Deus, de abandono sagrado e entrega perfeita de si mesmas à Providência, de amorosa aceitação de todos os desígnios de sua vontade, quaisquer que sejam os acontecimentos da vida, de uma terna afeição à puríssima vontade de Deus, de um desejo ardente de ser inteiramente conformes ao seu coração. Todas essas coisas expressam de modos diversos a conformidade de sua vontade com a de Deus.

97. Quando sentirem a presença da graça e os desejáveis efeitos do amor de Deus, lembrem-se que esses dons não lhes pertencem, mas que são méritos do Salvador Jesus. O mesmo Salvador Jesus pode tirá-los quando quiser, sem lhes causar a menor injustiça; e se ele retirar por um instante suas graças, o que houver de bom em vocês desaparecerá como fumaça.

98. Procurem fortificar-se contra o medo diante das contradições, guardando sempre a esperança, mesmo que tudo pareça perdido.

99. Não desejem a morte na hora dos grandes sofrimentos. Aceitem ser crucificadas com Cristo tanto quanto e como agradar a Deus e deixem que ele disponha de sua vida e de sua morte como lhe aprouver

 100. Para compreenderem e praticarem essas máximas e todas as outras da grande virtude, a união com Deus é absolutamente indispensável, porque toda e qualquer virtude, a de vocês e a dos outros, é uma contínua influência da graça, acompanhada de fiel correspondência de sua parte; graça que Deus comunica com maior ou menor abundância de acordo com a disponibilidade das pessoas em acolhê-la. Assim, vivam e trabalhem sempre para a união total de sua alma com Deus.

Finalizemos este tratado das máximas definindo as virtudes que ajudarão a conquistar e a manter a união com Deus e que são síntese de seu Pequeno Instituto.

Essas virtudes, em primeiro lugar, são:
- uma grande e, ouso dizer, uma infinita pureza de coração e de intenção;
- uma profundíssima e pequenina humildade em tudo;
- uma perfeita mortificação do amor próprio, do julgamento, da vontade, e mesmo dos sentidos, com discrição, que chegue até o aniquilamento de todas as tendências por pouco viciosas que sejam;
- uma obediência muito fiel a todas as inspirações da graça;
- uma cândida e sincera simplicidade, acompanhada contudo de grande prudência;
- um menosprezo e desapego total de todas as criaturas e perfeito despojamento de si mesmas;
- a paz e a mansidão que sofre e age sem preocupações e sem pressa;
- a total entrega de si mesmas nas mãos da Providência, numa dependência absoluta;
- o gosto pela solidão e oração, fora do tempo destinado aos trabalhos apostólicos;
- a perfeitíssima caridade para com o próximo, amando a todos, pura, igual e constantemente em Deus e para Deus; enfim, o puro amor de Deus que faz com que a alma pense continuamente nele e dificilmente possa viver longe de sua presença.

Ó Jesus, concedei por vossa misericórdia, estas virtudes, a todas as pessoas chamadas ao nosso Pequeno Instituto, e não permitais que jamais pessoa alguma seja admitida sem ter o desejo de adquiri-las. Amém! Deus seja bendito.

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