Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Fale Conosco
A Consciência Coletiva e a Capacidade de Nos Solidarizar
08/12/2020


“Encruzilhada, dores do parto de uma nova visão mundial”,[i] um documentário que, literalmente, faz pensar. Produzido pelo cineasta Joseph Ohayon é uma provocação para mergulhar em temas sociais urgentes sobre o futuro da humanidade. Entre as muitas questões abordadas, destaco o assunto sobre consciência do coletivo e da interdependência.

 

E este é um tema bastante abordado pelo Papa Francisco que, durante uma audiência, dia 02 de setembro de 2020, dirigiu ao público a questão: “Eu penso na necessidade dos outros?”. A pergunta do pontífice me incomoda e à indagação, eu acrescentaria: Eu penso no cuidado dos outros? Eu penso na vida dos outros? Talvez nunca a humanidade tenha sido “obrigada” a pensar tanto, a considerar tanto a necessidade dos outros e de tudo que a envolve, como neste tempo pandêmico.

 

A consciência coletiva, enfatizada no documentário é apregoada pelo sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo ele, pode ser uma maneira de coagir o indivíduo a um comportamento, a uma conduta aceitável na sociedade, e essa ideia, talvez, nunca fez tanto sentido como hoje. Lavar as mãos, uso de máscaras, distanciamentos, protocolos a seguir à risca são regras de vida na atualidade. Têm a ver com a necessidade dos outros, além da minha, é claro. A humanidade descobre, da pior forma, o quanto está interligada, interconectada. Um vírus revela suas fragilidades, necessidades e dependências. A situação é dramática. Neste contexto, ou nos salvamos todos ou morremos, coletivamente. E já somam quase um milhão de mortes no planeta, apenas pelo vírus, e quantos outros milhares, milhões, morrem de fome, de câncer, de violência, de tantos outros males? Mas será que temos consciência plena da situação? Eu arrisco dizer que não, pelo menos uma parcela da população planetária está alheia à realidade que a cerca.

 

Mais uma vez, recorro a Durkheim. No texto ‘os tipos de solidariedade social’, disponível no site brasilescola.uol.com.br, ele fala da Solidariedade Orgânica, onde cada indivíduo tem uma função específica, mas depende dos outros para sobreviver. Essa Solidariedade Orgânica é fruto das diferenças sociais, e são essas diferenças que unem os indivíduos pela necessidade e pela sua interdependência. Diferenças que unem e interdependência são elementos que podem gerar estranheza em uma sociedade individualista, onde o eu se sobrepõe ao nós. A proposta de unir e a consciência da interdependência ressoam positivamente em um momento urgente para a sobrevivência humana no planeta.

 

A Física Quântica também é aliada nesta conjuntura. Um de seus princípios está relacionado ao fato de que “tudo está conectado”, tudo é um. Há uma energia universal, que interliga tudo e todos. Com base em seus pressupostos, podemos entender que “tudo o que fazemos à Terra fazemos a nós mesmos”. Dessa forma, percebemos a urgência da consciência coletiva e de ações eficazes, que venham intervir positiva e coletivamente para salvar as vidas que habitam na terra.

 

O documentário, pano de fundo desta reflexão, apresentado no início do texto, destaca que o mundo, baseado na Física Quântica, tem como referência a natureza de energias presentes nos sentimentos, nas emoções, no amor e na beleza. E isso precisa estar acima do que é material, do dinheiro, do poder. Assim, faz-se necessário uma decisão pessoal, individual. Essa decisão se somará à outra, e à outra e dessa forma, o coletivo é construído e se fortalece. Somente desse modo a necessidade dos outros vai fazer eco em mim. Vou sentir, me interessar, cuidar do outro. Um primeiro passo pode ser a coragem para romper as correntes que nos mantêm aprisionados ao individualismo, ao comodismo, ao materialismo, ao ceticismo.

Papa Francisco fala de uma “diversidade solidária”, uma proposta que vem contribuir para curar estruturas e processos sociais doentios, injustos, que oprimem e matam. “A solidariedade hoje é o caminho a percorrer em direção à cura de nossas doenças interpessoais, sociais, planetárias”.

 

Portanto, o convite é despertar a consciência e ativar a capacidade de nos solidarizar com os outros, antes que tudo possa naufragar. “Eu sou porque nós somos” diz uma filosofia africana denominada Ubuntu. O sentido de coletividade dos povos africanos nos ensina que a natureza humana, em sua essência, é compaixão, partilha, respeito, empatia, interesse pelos outros. A humanidade é, ou pode ser solidária e amorosa. Há esperança para nosso futuro, temos que escolher!

 

Por Eliana Aparecida dos Santos


[i] https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=PJX-j7RbZ5Q&fbclid=IwAR0gPX_KcGbqs-owlPWVYlm2yWAKW_g0UpreHCdG2RbZ7OK4BoeEkms8dxU

 





Galeria de imagens

(1 imagens)
Envie seu comentário

*Campos marcados com  barra são de preenchimento obrigatório.