Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Notícia
05/10/2020
06 de outubro aniversário de Pe Jean Pierre Médaille.

Dia 06 de outubro celebramos o nascimento de Pe Jean Pierre Médaille, fundador da Congregação das Irmãs de São José.


 Irmãs de São José, poucas leis,  muito amor, Poucas palavras, muita vivencia. Pe Jean Pierre Médaille. João Pedro Médaille 


A formação do futuro missionário da Companhia de Jesus


João Pedro Médaille nasceu em 6 de outubro de 1610 em Carcassonne, França. Se pai era advogado e foi importante para o estabelecimento de um Colégio Jesuíta, onde João Pedro Médaille foi um dos primeiros alunos, em 1623.  


Com 16 anos entrou para o Noviciado em Toulouse onde seu irmão, João Paulo, o seguiria mais tarde. Pode-se ver, pelo “Catálogo dos Noviços”, de 1627 a 1628, qual a impressão que o jovem João Pedro deu durante seu Noviciado. Sua inteligência é considerada excelente. Por outro lado, sua saúde física é fraca e, nos documentos sobre ele, haverá sempre a mesma afirmação, durante toda a sua vida.  Seu espírito de mortificação é sempre considerado “notável e excepcional”. Ao comparar esta mesma afirmação, nos dois anos de Noviciado, e as que foram feitas sobre os outros 29  noviços, pode-se julgar o quanto o Padre Médaille se distinguiu pelo seu zelo e por sua inteligência ao entrar na Companhia de Jesus.  


Com a idade de 18 anos, pronunciou seus primeiros votos e continuou sua formação intelectual. Ele estudou retórica no mesmo colégio que São Francisco Regis, o futuro Apóstolo de Auvergne, que estava estudando teologia.  


Depois de 2 anos em Carcassonne como professor, retornou a Toulouse para estudar teologia e, 2 anos antes da data normal, foi ordenado padre em 1637. 


Depois ele foi enviado ao Colégio de  Aurillac como “ministro”, como assistente e Conselheiro do Superior, para a organização física da casa.  Numa comunidade com 18 Jesuítas, o Padre Médaille, com 27 anos, era o mais jovem dos padres. Ele foi também prefeito da associação externa dos estudantes, reunindo os interessados na formação espiritual e apostólica. Em 1641-1642, o Padre Médaille tem a sua primeira experiência de campanhas missionárias, com um companheiro do Colégio de Le Puy. Finalmente, sua formação religiosa termina em Toulouse com o “terceiro ano” na companhia do Padre Noël Chabanel, martirizado no Canadá em 1646. Sua profissão solene foi em 11 de outubro de 1643. Ele tinha 33 anos de idade e foi mandado para Saint Flour para organizar um colégio fundado naquele mesmo ano. Este marca um dos períodos mais difíceis da vida de João Pedro Médaille. Neste tempo em que ele era responsável por vários ministérios internos e externos, há também as suas atividades de Fundador. 


 O jovem Jesuíta de 33 anos serviu como Ministro, Assistente do Superior, o que o faz se envolver bastante nos aspectos materiais e de organização da nova casa. A partir dos relatórios anuais, compilados dos catálogos, usualmente em outubro, quando começa o ano escolar, parece que durante a sua estada em St Flour, o Padre Médaille também teve outros postos importantes como o de Procurador (Tesoureiro), de Consultor, de Conselheiro do Superior, e o cargo de escrever ao Superior Geral uma vez por ano sobre a situação da casa;   foi Admonitor: ele deve transmitir ao Superior os comentários recebidos dos membros  da comunidade para o bem de sua pessoa e do da comunidade – uma tarefa que requer julgamento e discernimento; Prefeito Espiritual, ou seja, a pessoa que ajuda o Superior na orientação espiritual da comunidade e Confessor dos “Nossos”, isto é, dos membros da comunidade. Havia outros ministérios pastorais como Confessor dos Externos e Catequista, que o punha  em contato com homens e mulheres de todas as camadas sociais. 


 Isto não quer dizer que o nosso Jesuíta já não tenha feito isto anteriormente, mas só que aqui ele estava envolvido de modo regular, com tarefas explícitas do Superior Provincial. É ele quem indica os confessores, tanto para os membros externos como para os externos. No caso dos externos, ele deve ouvir a opinião da comunidade e ter a aprovação do Bispo do lugar, para verificar que eles sejam pessoas maduras para as suas idades e ter o espírito e os costumes. 


 O Padre Médaille é particularmente dotado no ministério da confissão, como indicam alguns dos registros e ele terá este ministério até o fim de sua vida. A respeito do ensino da Doutrina Cristã, o Padre Médaille certamente não é novo neste ministério porque  a ele tinha sido confiada a formação dos jovens tanto enquanto ele era estudante como quando ensinando nos colégios. 


 Pode-se dizer daí que o Padre Médaille tinha dons tanto para as coisas práticas e de organização como para as espirituais. De grande interesse são as avaliações anuais do Superior, Padre Étienne Salomão, que envolvem o nosso Jesuíta. Ele nota que o Padre Médaille tem “uma experiência incomum das coisas espirituais” e um “grande talento para treinar e dirigir almas”.


 Cada ano relatórios e demonstrações são enviados de todas as comunidades para o Superior Geral, em Roma, e em 1647 temos algumas cartas que revelam um fato novo na vida do Padre Médaille: ele fundou um “grupo de mulheres piedosas” e lhes deu regulamentos.   Isto é como a ponta de um iceberg cuja parte submersa é muito maior do que a que aparece. O Superior Geral, Pe Carrafa,  responde à questão pessoal que o Padre Médaille lhe havia apresentado: “Quanto ao grupo de mulheres piedosas que você me diz ter começado, não posso responder de outro modo a não ser lhe dizer que “Isto não deveria ter começado sem a aprovação do Padre Provincial, muito menos os regulamentos não deveriam ter sido dados a elas sem a aprovação dele porque tanto uma coisa quanto outra dão muito que falar e levam a queixas e mesmo, talvez, a perigos. Este é o motivo pelo qual você deveria ter me informado através do Padre Provincial. Eu deveria saber mais sobre todo este assunto porque, se é para a glória de Deus, isto deve continuar de um modo útil e seguro.””  


 Esta carta mostra, aproximadamente, a data de início da fundação pelo Padre Médaille porque ela se refere a fatos que ocorreram antes, e não depois de 1646. Mas quando o Padre Médaille fundou este piedoso grupo de mulheres? Onde? Esta foi uma fundação real ou só algumas constituições espontâneas para um grupo ao qual ele dá ou sugere algumas regras de vida espiritual? São as regras aqui mencionadas as mesmas preservadas em manuscritos em Lion? É a Carta Eucarística a descrição deste primeiro projeto?


 O Superior Geral Carrafa, ainda que expresse reservas e receios, não bloqueia a iniciativa do Padre Médaille. Ele o autoriza a continuar, como indicado no final da carta dirigida ao Pe. Médaille. Na verdade, ele o exorta a ir através da autoridade provincial, porque a concordância dela garantiria a implementação de um modo mais seguro e mais útil. O que o Padre Médaille fez quando recebeu esta resposta? Será que ele solicitou uma entrevista com o Padre Provincial? Escreveu para ele? Qual foi a reação do Provincial?


 Podemos achar algumas respostas a estas perguntas através da correspondência que se seguiu. Nós não temos a carta do Padre Médaille dirigida ao Padre Geral. Talvez a questão toda se deva à falta de informação dada ao Geral pelo Provincial daquele ano de 1646. Além disso, o próprio Carrafa tinha sido eleito naquele ano. O Padre Médaille pode ter encontrado um grupo de mulheres desejando viver um determinado estilo de vida. Ele lhes dá conselhos e regras com as quais este grupo começa com uma nova base.  Certamente ele não poderia ter agido por sua própria iniciativa, sem informar o Reitor ou o Provincial, e não teria sido tão ingênuo em dizer ao Geral que ele tinha fundado uma congregação ou lhes dado regras sem permissão. Ele sabia que isto era contrário às Regras da Companhia. Por esta razão, devemos acreditar que o Padre Médaille não tinha intenção de fundar algo ou de iniciar uma congregação. Ele não tinha dito nada aos Superiores e, por isto, não tinha informado o Geral também. Sabemos também que, em 1649, o Padre Médaille deu o hábito a Anna Déchaux em Dunières, uma aldeia a 50 km de Le Puy. Com tantas atividades fora de St Flour, ele deve ter tido muitas oportunidades de encontrar mulheres e viúvas no campo. 


 A Pequena Congregação das Irmãs de São José ou o Fundador relutante


A situação torna-se cada vez mais difícil para o Padre Médaille a respeito de seus Superiores e de seus colegas que parecem não aprovar as suas iniciativas. Ele vive um impasse. Provavelmente, ele está praticando o que escreverá mais tarde nas Máximas, no capítulo sobre a Esperança: “Na prática da esperança, confiem mais em Deus, quando em suas dificuldades e sofrimentos, houver menos possibilidade de socorro humano.”  Pode ser que, neste período, ele tenha recebido uma iluminação espiritual na oração, a “Carta Eucarística”, e que ele tenha comunicado isto a uma colaboradora, (sem dúvida, Marguerite de Saint Laurent, que fará o papel de Mestra de Noviças). Ele escreve: “nosso único Salvador me fez ver um modelo completo do Pequeno Projeto na Santíssima Eucaristia ... e não devemos nós, por suas ordens, trabalhar para o estabelecimento de um Instituto aniquilado?” Padre Médaille não se considera como Fundador. “O que eu acho maravilhoso/miraculoso neste novo projeto, é que ele não tem nem pai, nem mãe, nem fundador visíveis... O “Pequeno Projeto” é obra de Deus” .


 O encontro com Dom Henrique de Maupas liberta o Padre Médaille. O Bispo de Le Puy aparece agora como o fundador oficial. 


 Indicado para Aurillac em 1650, Padre Médaille segue o rápido desenvolvimento da Congregação de longe. Ele exerce as funções de “pregador fora da cidade” durante o primeiro ano e, então, é “ministro”;  pode, portanto, continuar suas pregações no campo. Ele vai para Marlhes em 1651, onde estabelece a “Congregação das Filhas de São José” e dá o hábito a Catherine Frappa. No ano seguinte, preside outra tomada de hábito, em 15 de outubro, em outra aldeia. Enquanto isto, Padre Médaille escreveu as Constituições, o Pequeno Diretório e uma série de recomendações, etc. A nota que acompanha o Pequeno Diretório mostra a discrição e a delicadeza do Fundador que se apaga diante da autoridade dos superiores presentes. Ele dá total liberdade de decisão: “Minhas queridas Irmãs, desejo, se os seu Superior aprovar, que cada uma de suas casas tenha uma cópia disto e que seja lido de tempos em tempos no refeitório ou no capítulo. O desejo que tenho pela perfeição de sua congregação me faz tomar a liberdade de enviar-lhe esta lembrança”.


 No outono de 1654, Padre Médaille é nomeado para Montferrand, perto de Clermont, onde ele não terá outra atividade a não ser as missões para as quais os seus Superiores sempre enfatizaram seu “grande talento”. Por 15 anos, na companhia de um amigo que também é missionário Jesuíta, ele incansavelmente vai enfrentar duras caminhadas no Auvergne, especialmente durante o Inverno, quando a neve e o frio não permitem aos fazendeiros trabalharem nos campos. 


 Em 1662, as autoridades vão apelar para a sua praticidade e sua indulgência para trazer ordem e paz na abertura do Colégio de Clermont, que tinha encontrado fortes hostilidades. As Máximas são impressas em Clermont e, depois, complementadas pelas Elevações e as Contemplações, que aparecem 3 anos depois da morte do Padre Médaille. 


Mais e mais Padre Médaille deixou a Congregação se desenvolver por si mesma. Das 4 cartas que temos dele, a mais interessante é a endereçada à Superiora de Saint Didier: “ Eu não tenho recebido carta de você faz tempo. Teria ficado muito contente de ter noticias da sua Congregação, mas Deus não quis assim.” 


 No outono de 1669, Padre Médaille deve abandonar suas queridas missões e se retirar para Billon, perto de Clermont, que serviu como casa para os Padres idosos ou doentes. Continua ainda a ser confessor das pessoas de fora e ele se une ao seu Senhor no dia 30 de dezembro de 1669, com 59 anos de idade. 


Nada restou do local de seu túmulo. A única evidência que temos dele é seu breve necrológio. “Padre Médaille viveu boa parte de sua vida na missão da Província com tal reputação de santidade que, em vários lugares, ele é chamado de “santo” ou “apóstolo”. Os frutos de suas atividades apostólicas não são menores do que a sua reputação: “Ele foi sempre muito querido tanto pelos ricos como pelos pobres e especialmente pelos Bispos em cujas dioceses ele trabalhou.


Poucos fundadores foram tão escondidos durante a vida e até mesmo em sua morte. As Elevações e as Contemplações revelam como o seu coração permaneceu fixo em Deus apesar das objeções e dos mal-entendidos; foi sempre em frente porque contava somente com Deus. Ele viveu o que escreveu; o amor de Deus e do próximo sempre o levaram a “tudo empreender e sofrer para a salvação e a perfeição do próximo”.

 

 




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