Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Notícia
12/06/2020
Corpus Christi em tempo de Pandemia.

Começo partilhando essa experiência com um texto de Thomas Keating:


"Quando você se sente inquieto, agitado ou atormentado por alguma experiência emocional, a melhor forma de passar o tempo é esperar que ela termine. Quando estamos sofrendo uma emoção estressante, é grande a tentação de tentar rechaçá-la. No entanto, ao permitir que a atenção se dirija suavemente para a emoção e ao mergulhar nela, como se estivesse entrando numa banheira de hidromassagem, você está abraçando Deus no sentimento. Não pense; simplesmente sinta a emoção". (D. Thomas Keating, "Mente Aberta, Coração Aberto", pg. 139, ed. Ed. Loyola)


Em suma, não adianta tentarmos fugir ou ignorar nossos sentimentos, emoções etc sejam bons ou não. A melhor maneira é reconhecer, acolher, aceitar, pois tudo o que Deus nos permite vivenciar, está dentro de Seus desígnios para nós. A pandemia nos está oferecendo tempo para encarar nossos medos, emoções, fraquezas, fragilidades. E também nossa força, coragem e capacidade de nos doarmos, de sermos solidários.


Hoje, sai de casa com medo para ir levar Eucaristia para uma catequista e seu filho que testou positivo para coronavírus. Mesmo com medo, resolvi partir. Ao começar a caminhar, me veio presente que hoje é dia de Corpus Christi, onde Jesus Eucarístico sai para a rua e percorre abençoando o povo. Então, me emocionei, pois devido a Pandemia, esse ano não é possível ter esse momento tão lindo e profundo. Mas eu tinha essa oportunidade. Com Jesus Eucarístico fiz uma procissão, passando ao sair de minha comunidade até a casa da catequista, pelo hospital onde foi a primeira parada: abençoei com as lágrimas nos olhos, lembrando de tantos irmãos e irmãs que estão doentes pelo coronavirus. Aqui em Confresa-MT, temos 195 casos. Continuando, passei pelo CAPS, realizei a segunda parada: lembrei de todos que estão deprimidos, angustiados e fragilizados devido a essa Pandemia. E continuando, a terceira parada foi na frente da casa de uma senhora que todas as celebrações estava na Igreja. Nessa, lembrei de tantos irmãos e irmãs que hoje gostariam de receber a Eucaristia e estarem em procissão com Jesus Eucarístico e não podem devido ao isolamento social.


Assim, chego na casa da família da catequista, que está com uma mesa preparada: com bíblia, imagem do Pai Eterno, vela... e a catequista e o filho com máscara olhando para mim emocionados. Confesso que não foi fácil manter as lágrimas. Coloquei Jesus Eucarístico na mesa e me mantive à distância. Juntos rezamos e eles comungaram. Nesse momento, lembrei que Jesus percorria os povoados, entrando nas casas das pessoas doentes e os abençoando e curando-os. Pedi para Jesus abençoar e curar todo o povo da doença do coronavirus e também do mal da ignorância religiosa e política.


Lembremo-nos: "A paz esteja nessa casa”, disse Jesus. Que a paz venha em todas as casas.


Abraço a todos os irmãos e irmãs, muita força e coragem! Cada dia é único. Vivamos pois. "Tudo vai ficar bem", disse Jesus à Santa Juliana de Norwich.


Irmã Marilusi Aparecida Sandi 

 





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COMENTÁRIOS!
Vânia
22/06/2020 14:56:25
Que bonita experiência, Marilusi!!! Vale a pena ousar novas travessias, a travessia do medo!! A recompensa não tem preço. Deus a abençoe em sua caminhada e missão, aí em Confresa. Abraços. Vânia

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