Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Notícia
05/02/2020
América Latina precisa superar cinco séculos de violência e exclusão

Triste dia que chegaram os conquistadores, porque não adoram o Deus verdadeiro, mas o ouro e a riqueza. O cristianismo traiu Jesus na América Latina. A afirmação é do professor Fernando Altemeyer. Ele foi o palestrante do segundo dia do VII Seminário da Congregação de São José da América Latina e Caribe. Ele acrescentou que a América Latina nasceu da negação da religiosidade dos povos originários, porque a chegada dos missionários deu uma nova identidade ao continente.

Para o teólogo, tão dramático quanto à perda da memória e a banalidade do mal é a morte dos povos originários da América Latina. Por isso, é necessário superar o circuito de morte que dura cinco séculos com a responsabilidade de superar posturas racismas, discriminatórias e homofóbicas. Altemeyer insistiu que os religiosos e agentes sociais precisam aprender de Jesus que visibilizou os pobres, as crianças, as mulheres e os que estavam escondidos.

Um segundo movimento de destruição humana na América Altina aconteceu com a constituição das ditaduras, patrocinada pela Armada Norte Americana no Brasil, que preparou o golpe militar que matou cinco mil pessoas, torturou 50 mil e provocou o desaparecimento de 500 pessoas. Depois se instalou no Uruguai, Argentina, Chile, com muitos genocídios na região. “Um de cada cinco uruguaios foi torturado e trinta mil desapareceram na Argentina. O mais grave é que parcela da hierarquia da Igreja apoiou os movimentos ditatoriais”.

Apesar da colonização que impôs valores, princípios e formas de vida surgiram figuras que mudaram a história. “Recentemente, Dom Enrique Angelelli(bispo da Argentina), Oscar Romero em El Salvador, Ir. Dulce dos Pobres e Ir. Dorothy Stang no Brasil, demonstraram a esperança de superar a dominação que submete os pobres à exclusão”. Para Altemeyer, sem mártires não há religião católica, não há fidelidade, porque os cristãos são seguidores de um mártir: Jesus Cristo. “Os mártires da América Latina caminham conosco, então temos com quem caminhar”.

O teólogo enumerou como grandes desafios para atuação das Irmãs de São José e dos leigos ligados à congregação o fenômeno da urbanização, as migrações, o envelhecimento da população, as patologias mundiais, a questão ecológica, a violência, a drogadição e a exclusão.

A Igreja precisa retomar a dimensão missionária. “Necessitamos de projetos concretos de evangelização fora da Igreja, porque o Papa Francisco que uma Igreja que não seja burocrática, mais uma atuação fora dos templos, com missionários comunicando o Evangelho”. Ele acrescentou que o atual Papa está promovendo uma mudança fundamental propondo a misericórdia ao invés da punição do direito. “Os homens e o amor são mais importantes que a lei, pois não é a lei que vai salvar o mundo, mas o amor e a misericórdia”. Para Altemeyer, a Congregação das Irmãs de São José precisa estar atenta para os novos sujeitos que são os jovens. Somente na cidade de São Paulo, 500 mil jovens não têm amigos. “Mas, eles é que vão promover as grandes mudanças da humanidade porque são apaixonados pela ecologia e vivem no novo ambiente da tecnologia, mas precisam ser escutados e respeitados numa postura de diálogo e amizade”.

 









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