Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Notícia
27/03/2019
Palavra Do Conselho Provincial

Estimado Frei Ladir Antoniazzi, queridas Irmãs, Leigos/as do Pequeno Projeto, familiares e amigos!


Nesta Celebração Eucarística, na presença de Deus e de cada um/uma de vocês, queremos confiar nossas vidas, dons, energias e nosso tempo à serviço da liderança da Província, neste quadriênio, em comunhão com toda a Congregação e a Igreja. Nossa profunda gratidão às Irmãs Luiza, Geni e Neuza, pela caminhada do triênio 2016-2018 de, na unidade, “abraçar a missão, ousando fazer novas todas as coisas”.


No final do Capítulo Provincial, Ir. Sally, Superiora Geral, fez uso de uma metáfora interessante quando nos disse: “O Conselho Provincial é como um maestro. A qualidade da música depende das Irmãs”. Rezando esta metáfora, alguns pensamentos nos inspiram neste momento:


Como Equipe de Coordenação Provincial, somos regentes de pessoas... Somos maestrinas de vidas humanas, de uma história a construir e de travessias a serem realizadas em vista do futuro. Assim como um maestro não faz nada sozinho, precisamos do engajamento de cada Irmã para darmos passos audaciosos e decididos, para buscarmos alternativas diante dos desafios e continuarmos os processos de mudança.


A presença do maestro dá unidade. Ele usa a batuta (varinha) geralmente na mão direita, para expressar as normas e procedimentos da orquestra. Nós, usamos as Constituições, o Evangelho e as decisões capitulares para marcar o tempo, o compasso e o andamento para que todas as Irmãs consigam caminhar, juntas, na mesma direção. E, com mão esquerda e o movimento do restante do corpo, o maestro vai indicando o sentimento que a obra musical deve exprimir, No nosso caso, é a mística profética do nosso carisma de unidade que testemunhamos pelo nosso ser e fazer.


O maestro diz muito sem precisar falar quase nada. Trata a todos com igualdade, independente se alguém toca um instrumento mais “nobre” que outros. Todos têm seus valores. Um maestro nem sempre sabe tocar todos os instrumentos de uma orquestra, mas no serviço de liderança precisa conhecer a função de cada instrumento e incentivar a ação individual-orquestral. Um desafio para nós!


Nossa Província é uma orquestra feminina, de mulheres consagradas, Irmãs de São José. Somos cinco vezes mais do número de músicos que participam de uma orquestra sinfônica ou filarmônica. A qualidade de uma orquestra começa pela qualidade individual dos músicos, de cada Irmã da Província com sua idade, sua cultura, sua experiência e formação.


Na diversidade, somos chamadas a continuar tocando a partitura do nosso carisma de UNIDADE, escrita por nosso fundador Pe. Jean Pierre Médaille e apresentada no palco de muitos contextos geográficos e históricos, há mais de 368 anos. Uma sinfonia tocada com o coração, com coragem, fé e também com renúncia e sacrifício.


Temos consciência de que nem sempre tocamos de forma afinada e harmoniosa dentro de nós mesmas, nas relações cotidianas de nossas comunidades e no serviço apostólico. Imaginem a sensação de ver uma música favorita ser reproduzida sem vontade, descompassada e com erros contínuos. Em uma orquestra, se há algum tom que não está encaixado, acabamos ouvindo isso e percebemos que algo está em dissintonia. Ainda precisamos sincronizar relações que nos capacitem a abraçar o diferente, potencializar nossas forças, inserir os leigos nos espaços de missão, empenharmo-nos mais no despertar vocacional, organizar a gestão das nossas estruturas...


Imaginem o que seria de uma orquestra se os músicos não soubessem que obra tocar, quando, onde, para quem e como. O Capítulo Provincial nos ajudou a nos situar onde estamos, onde queremos chegar e o como chegar... A ir além do instrumento que tocamos, a olhar além do nosso “umbigo” e a alinhar objetivos e ações comuns.


Uma orquestra é itinerante, para além dos palcos de um teatro fechado. Somos chamadas a tocar a sinfonia da esperança, da paz e da unidade em lugares onde as feridas da humanidade estão mais expostas. Nos espaços em que o tom é de intolerância e  ódio; de  indiferença à realidade; de injustiça... Conforme o Papa Francisco, “há uma humanidade que espera: pessoas que perderam toda a esperança, famílias em dificuldades, crianças, doentes e idosos abandonados, jovens sem futuro algum, homens e mulheres com o coração vazio em busca do sentido da vida, sedentos do divino”.


Irmãs, a travessia supõe escuta amorosa da Palavra de Deus, dos gritos da humanidade fragmentada, dos gemidos sufocados pela violência cotidiana... “Passemos para a outra margem”. Que Deus Trindade, o grande maestro de nossas vidas, nos ilumine e conduza pelos caminhos desejados para nossa Congregação em terras brasileiras e moçambicanas. 


Conselho Provincial


Curitiba 24 de março de 2019








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