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Inicial Memorial da saudade Rosa Antônia Furlanetto
Imagem da irmã

Rosa Antônia Furlanetto

Estrela de nascimento 15/07/1934
Cruz de falecimento 17/01/2026

PROVÍNCIA DA CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY NO BRASIL

NÚCLEO SAGRADA FAMÍLIA

 

IRMÃ ROSA ANTÔNIA FURLANETTO

(Victória Furlanetto)

*15/07/1934

                      +17/01/2026

 

“Não tenhas medo. Eu estou contigo” (Is, 40) 

Irmã Rosa Antônia, filha de Luiz Furlanetto e de Angela Furlanetto, nasceu em 15 de julho de 1934, em Roca Sales/RS. Seus Pais de profunda fé Cristã, levaram-na à Pia Batismal, na Paróquia Santa Teresa, em Bento Gonçalves, em 20 de julho de 1934.  Foi Crismada na Capela Santo Isidoro de Campinhos, Paróquia de Roca Sales, em 30 de maio de 1937. Seus Pais tiveram 14 filhos, sendo Irmã Rosa Antônia, em ordem cronológica, a 9ª filha. No 2º casamento, seu pai teve mais cinco filhos.

Vamos ouvir Irmã Rosa Antônia contando sua história.  “Desde cedo, o sofrimento marcou minha vida. Minha Mãe faleceu com 45 anos no parto de gêmeos.  E, então, fui levada por meus avós paternos à casa deles, junto com o meu maninho Danilo, de alguns dias de vida, o outro maninho tinha falecido no parto. Eu tinha 4 anos e cinco meses. Fiquei com eles até completar sete anos, quando passei a cuidar, até os treze anos, de três crianças pequenas na casa de um tio. Quando voltei para casa de meu pai, com treze anos, não conhecia mais meus irmãos. Tudo era estranho. Meu pai havia casado de novo. Foi difícil aceitar esta situação. A saudade de minha mãe bateu mais forte dentro de mim. Senti muito sua falta. Esta dura experiência me acompanhou ao longo de minha vida, mas na solidão, desânimo, tristeza, entre lágrimas e alegrias, pessoas amigas me fizeram sentir a ternura de Deus Pai e Mãe que me carregava ao colo. Senti que Deus me amava, agia em mim dando-me força e coragem para continuar a caminhada da vida.

Foi no aconchego da família que senti o primeiro chamado à Vida Religiosa. A oração em família era diária e sempre rezávamos pelos Padres e Irmãs. Eu não conhecia Irmãs. Minha vocação despertou quando meu pai levou minha irmã Adelaide para Garibaldi e, de lá, para o Juvenato de Flores da Cunha, pois ela queria ser Irmã. Ao despedir-se, uma amiga de minha irmã perguntou-me se eu também queria ir para o Juvenato. Respondi, decididamente: não! E, quando meu pai voltou de Flores da Cunha, também me perguntou se eu também queria ser Irmã. Quase sem querer e sem compreender bem o que significava, respondi que sim. Então, meu Pai disse: para o ano que vem. Respondi: só vou se for este ano. No ano que vem não vou mais. Quinze dias depois, eu já estava no Juvenato de Flores da Cunha, onde fiz o Curso Primário, na Escola São José.  Após a conclusão do Curso Primário, em 1952, fui para Garibaldi, sendo admitida ao Postulado, no Convento São José, em 18 de fevereiro de 1953. Em 15 de dezembro do mesmo ano, fui admitida ao Noviciado. Em 18 de dezembro de 1955, fiz minha Profissão Temporária pelos votos de Pobreza, Castidade e Obediência. Cinco anos mais tarde, confirmei minha consagração, em 29 de janeiro de 1961, pela Profissão Definitiva.

Ir. Rosa Antônia exerceu sua missão apostólica em Montenegro, na Escola São José; em Rio Grande, no Colégio Santa Joana d’Arc, na Beneficência Portuguesa, na Vila Santa Rosa e na Comunidade da Casa de Formação; em Matelândia/PR, no Instituto São José; em Guaíba, na Comunidade do Bairro Fátima e na Vila Bom Fim; e em São Francisco de Paula. Nas comunidades por onde passou, dedicou-se a serviços diversos e à Pastoral Popular como Agente de Pastoral da Saúde, Pastoral da Criança, atendimento a doentes e idosos a domicílio, com grupos de mães e como Ministra da Eucaristia. Para melhor servir as Comunidades Populares, fez o Curso de Corte e Costura no SESI e aprimorou-se na arte do crochê.

Irmã Rosa Antônia foi muito sensível às necessidades do povo simples das periferias, a quem se dedicou com muito carinho.

Dedicava um grande amor à família de quem sempre recebeu incentivo e apoio em sua missão. Visitava seus irmãos, gostava de conversar com eles sobre sua vida, suas alegrias, suas dificuldades e seus sofrimentos. Em suas orações, a família sempre estava presente.

            Viveu sua Consagração Religiosa e o Carisma da Irmã de São José, testemunhando-o no seu jeito de ser: simples, disponível, humilde, alegre, generoso, acolhedor, na gratuidade do serviço, no perdão, na aceitação das limitações e na fidelidade à oração, ao cultivo pessoal e na busca contínua da UNIDADE desejada por Cristo: “Pai, que todos sejam um”.

Assim, Irmã Rosa Antônia ainda se expressa: “Pertencer à Congregação das Irmãs de São José é uma alegria muito grande. Nela cresci e tive muitas oportunidades de participar de encontros de formação e retiros espirituais, que confirmaram a certeza de que Deus me acompanha com seu amor e sua bondade infinita. Encontrei muitas amigas que me ajudaram a superar os momentos mais difíceis. Descobri a beleza da disponibilidade em servir com alegria e na gratuidade. Durante muitos anos e em várias Comunidades, fui responsável pela lavanderia. Sentia-me feliz em poder entregar às Irmãs suas roupas bem arrumadinhas.

Um grande desafio para mim foi o da vivência comunitária. Somos diferentes umas das outras, temos limitações, mas formamos uma família. E para mim, a Comunidade é o lugar onde se cultiva o apoio, a ajuda mútua, o perdão, a aceitação do diferente e onde é preciso morrer para não quebrar a Unidade.

Amo a natureza e, quando cultivo flores, me sinto renovada, e tenho coragem de começar sempre de novo. Sou agradecida ao Criador e coloco minha vida à sua disposição. Peço a Deus graça, força e luz para sempre aceitar minhas limitações e continuar permanecendo à sua disposição em qualquer situação de minha vida.”

Em março de 2020, Irmã Rosa Antônia, muito debilitada e necessitando de cuidados especiais, foi hospitalizada no Hospital de São Francisco de Paula e, posteriormente, foi levada ao Hospital Unimed de Caxias do Sul.

            Em 2021, foi acolhida na Comunidade Nazaré, em Porto Alegre, onde recebeu os cuidados de que necessitava até o dia 17 de janeiro. Será sepultada num dos Jazigos da Província das Irmãs de São José, no Cemitério São José, em Porto Alegre, RS. Ela tinha 92 anos de idade e 70 anos de Vida Religiosa Consagrada.

 

Querida Irmã Rosa Antônia,

                                  

Lá do céu, onde estás, bem junto do Pai,

intercede pelas Irmãs da Congregação, por teus familiares,

pelas Irmãs e pessoal de enfermagem que te ajudaram durante a vida e doença.

Nós Irmãs de São José, somos agradecidas por tua vida de dedicação e serviço

junto a doentes, idosos, pobres, e necessitados de uma palavra, um remédio, uma ajuda.

Deus seja tua recompensa eterna!

 

Porto Alegre, 17 de janeiro de 2026