Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
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Memorial Saudades
Irmã Zenaide Bernanrdi

 25/08/1924     14/04/2021



“O Senhor é meu Pastor, nada me faltará.” (Sl 23,1)

 Lá em Alfredo Chaves, hoje, Veranópolis/RS, na família do casal Adriano Bernardi e Fhilomena Amábile Zandoná Bernardi, no dia 16 de julho de 1924 nasce Maria, que recebe este nome por ter nascido no dia de Nossa Senhora do Carmo. Dentre os 14 filhos do casal, Maria ocupou o segundo lugar. Seu nascimento foi motivo de grande alegria e seguido de muita dor, pois Maria era gêmea, mas seu irmão não resistiu, vindo a falecer logo após o nascimento. Maria também era muito pequena e frágil, com pouco peso e prematura. Os cuidados, carinho, atenção, dedicação foram muitos, principalmente da avó paterna que era a parteira, mostrando assim que poderia viver. O pai demorou mais de um mês para registrá-la, devido a sua fragilidade.

 Tudo isso passou e Maria foi crescendo numa família querida e abençoada por Deus. Teve a alegria de poder ajudar a criar vários dos irmãos. Sendo a filha mulher mais velha, aprendeu logo os afazeres domésticos: lavar, cozinhar, cuidar da horta, limpar a casa, cuidar dos animais. A mãe ensinou Maria a ser organizada e caprichosa. Na preparação da comida, a mãe ficava por perto para que a filha colocasse tempero, sal, água conforme o alimento precisava. O pai foi um homem justo, correto, trabalhador, simples, amigo, alegre, companheiro., zelava pela formação cristã dos filhos. Sentiam a alegria de estarem juntos como família.

 Desde cedo, despertou em Maria o desejo de ser Irmã, pois, em família, sempre rezavam pelas vocações sacerdotais e religiosas. Ao manifestar esse desejo aos pais, a mãe chorou de alegria e disse: “Eu queria ser Irmã, mas como era a filha mais velha, meus pais não me deixaram seguir essa vocação e agora, Deus chama minha filha. Obrigada, Senhor!”

 Iniciou sua caminhada vocacional em Veranópolis/RS, na companhia de outras juvenistas, todas vindas do meio rural e algumas Irmãs. Foi uma época de pouco estudo e muito trabalho na horta, lavoura e na limpeza do colégio. Em meio a isso, dedicavam tempo para a oração do terço, das ladainhas e outras orações devocionais.

 Maria sempre foi uma jovem disposta e prestativa. Ingressa no postulado no Convento São José em Garibaldi/RS com 16 anos e escuta das Irmãs: “Com a profissão definida, esta vai ajudar na cozinha porque sabe preparar os alimentos e é rápida”. Este foi o trabalho exercido por ela durante 65 anos. Foi admitida ao noviciado no dia 18 de outubro de 1941 e no dia 19 de outubro de 1942 fez sua Profissão temporária, entregando-se definitivamente a Deus e aos irmãos como Irmã de São José no dia 21 de fevereiro de 1948. Na sua entrada no noviciado, recebe o nome de Zenaide.

 Ir. Zenaide sempre trabalhou em comunidades numerosas, sendo de irmãs e pensionistas, nos seguintes lugares: Colégio Sevigné de POA, Colégio São José de Pelotas, Hospital de Antônio Prado, Casa Provincial e Colégio Rainha da Paz/Lagoa Vermelha e na Comunidade Emaús de Passo Fundo, todas no RS. Sempre realizou este trabalho simples com alegria, disposição e profundamente agradecida pela confiança depositada nela e no seu trabalho. Sempre se sentiu muito respeitada.

 Sua maior alegria ao redor de grandes panelas e enormes fogões, sempre foi uma: Servir bem as pessoas para terem um alimento saudável, acompanhado de muito amor, com sabor de carinho. Todas as irmãs com as quais conviveu, afirmava que foram queridas, amigas e foram testemunho de verdadeiras Irmãs de São José.

 Após sua aposentadoria, como cozinheira, aos 81 anos, dizia ter sido agraciada com tempo de maior descanso e cuidados. Tudo se tornou diferente para ela. Não tinha preocupação e só se ocupava com seu Deus, Nossa Senhora, Santos da sua devoção e ser companhia para as Irmãs. Rezava bastante, mas nunca foi boa na leitura, dizia ela, e então, rezava muitos terços e ficava olhando para Jesus, que a amava e que ela queria muito bem. Ocupava o tempo com crochê, tricô, jogo cartas, passeio, visitava às comunidades.

 Assim se expressava: “Tudo o que vivi nesta minha longa vida, é só graça e benção de Deus! Ele é o Bom Pastor, cuida muito bem desta “velha ovelha”, e quero ser fiel a Ele até o fim. Sou uma pessoa muito feliz na minha Vida Religiosa Consagrada, agradecida à Congregação, por tudo o que recebi. Das comunidades por onde passei e vivi, guardo belas recordações, saudades e eterna gratidão”.

 Tudo o que era da Congregação: Constituições, Textos Primitivos, Máximas, escritos diversos, vida das Irmãs sempre encantavam Irmã Zenaide, gostava quando as irmãs partilham com ela suas experiências. A passagem do Evangelho que sempre acompanhou Irmã Zenaide foi: “O Senhor é meu Pastor, nada me faltará.” (Sl 23,1).

 Em 2014, com as forças diminuindo, passa a integrar a Comunidade São José do Patrocínio. Ir. Zenaide sempre foi uma presença agradável, alegre, atenta às necessidades das pessoas. Incentivava para que jovens entrassem e assumissem a Vida Religiosa. Sua vida sempre foi uma festa. Nunca ouvimos Ir. Zenaide reclamar ou se queixar de uma dor ou murmurar por alguma necessidade que não fora satisfeita. Tudo para ela sempre foi muito bom e tinha tudo o que necessitava e para ela tudo sempre estava “azul” – expressão que usava para dizer que estava muito bem, além de ser uma benção ao time do seu coração. (Grêmio)

 Aos poucos, no silêncio, simplicidade e humildade como viveu sua vida, foi se entregando ao Pastor, onde nada lhe faltava e faz sua entrega definitiva no dia 14 de abril de 2021, contando com 96 de vida e 78 de Vida Religiosa Consagrada como Irmã de São José. O corpo da Ir. Zenaide, após missa celebrada na Capela Funerária Sagrada Família, foi sepultado no Jazigo das Irmãs de São José do Cemitério Municipal Santa Clara em Vacaria /RS, conforme as exigências sanitárias que nos é exigido neste momento de pandemia.

 Querida Ir, Zenaide, receba do Bom Pastor, a bela coroa de uma vida doada a serviço da vida de tantas Irmãs que por você foram servidas e pelo povo que marcou com sua presença alegre, disposta, radiante; junto de Deus, interceda pela sua família, pela Congregação das Irmãs de São José que tanto amou e dedicou a vida, e peça, junto a Jesus e Maria, para o fim da pandemia, doença esta, que assola tantas famílias e está deixando rastros de tristeza e dor em toda a humanidade.


 Descanse na paz do Senhor!