Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Fale Conosco
Memorial Saudades
Antonia Cesta

 15/02/1922     01/04/2021



“Tenham os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Flp 2,5). Antonia era filha do Sr. Jeronymo Cesta e de D. Encoronata Torniziello Cesta, imigrantes italianos. Nasceu no dia 15 de fevereiro de 1922, em Piracicaba – SP e foi a quinta filha entre 4 irmãs e três irmãos. A mãe teve 14 gestações, mas 7 foram abortos espontâneos pelo trabalho na roça de cana de açúcar. Família de oração e temente a Deus levaram logo menina à pia batismal, a 22 de abril. D. Encoronata tinha sobrinho padre na Itália, filho de uma irmã que ficou com os avós, e que D. Encoronata só reencontrou após 70 anos. Antonia teve a bênção de viver num lar muito família. A mãe, era semianalfabeta, porém, extremamente sábia. O pai, era Administrador da Fazenda Santa Rosa, de proprietários franceses. De noite, depois do serviço, à luz de lampião, seu Jeronymo dava aula para os colonos. Os colonos o admiravam muito. Quando ele precisou ir a São Paulo se tratar, faleceu após a cirurgia. Os colonos o homenagearam com várias coroas. Também uma escola em Piracicaba, reconhece esta sua dedicação com um quadro. Irmã Antonia tinha monte de razões para amar muito, seus familiares. Sempre atenta e carinhosa, sabia o nome e história de cada um de seus muitos sobrinhos e até de sobrinhos netos e bisnetos. Não faltavam os de lindos cartões artesanais que fazia. Morando próximos, viajava para conhecer os recém-nascidos. A tristeza da partida, é compensada pela boa e feliz lembrança de seu legado: saudades e lições contagiantes de simplicidade, humildade e carinho, bênção na família e na vida de muitas pessoas. Cursou primário na escola da Faz Santa Rosa em Piracicaba onde morava. E o Ginásio e Magistério, como aluna interna no Colégio Nossa Senhora da Assunção das Irmãs de São José formando-se em 1944. Formada, já tinha se decidido pela Vida Religiosa na Congregação das Irmãs de São José, mas lhe foi sugerido aguardar um tempo fazendo a experiência de trabalhar fora antes de seguir sua vocação. Até que chegou seu dia. No dia 28 de janeiro de 1947 entrou no Noviciado em Itu. No dia 03 de agosto do mesmo ano, recebeu o hábito com o nome Irmã Ana da Assunção, voltando depois ao nome de batismo. Dois anos mais tarde, a 28 de julho de 1949, fez seus primeiros Votos e celebrou a Profissão Perpétua no dia 11 de fevereiro de 1953. Viveu com grande fidelidade todas essas etapas inicias da Vida Religiosa Consagrada. Dos anos 1950 a 1962, sua vida foi na missão de Magistério, nos Colégios de Itu, Jaú e Piracicaba. Era muito dedicada em tudo que fazia e muito querida pelas alunas. Amava os encontros no Patrocínio com as alunas. De 1964 a 1969 serviu como Secretária e Bibliotecária nos Colégios de Franca e novamente Piracicaba. De 1970 a 1973, fez o Curso de Serviço Social começando em Taubaté e completando em Piracicaba. Ao mesmo tempo, era Secretária do Colégio, então serviço bastante manual, ficou sua bela e regular caligrafia. Em 1988, o Colégio Assunção foi repassado aos Salesianos e Irmã Antonia Cesta transferida para a Comunidade do Patrocínio em Itu. Chegou em 1988 e saiu em 2018, ao todo 30 anos com algumas intermitências, presença e serviço em outras comunidades, como nos anos 2001 e 2002 no Colégio São José - SP, uns meses em Jussara – GO, etc. No Patrocínio por alguns anos, tinha a maior alegria em ensinar datilografia a crianças carentes. Fica na memória, a pessoa de sorriso fácil, contagiante, de fala doce e com seu jeito elegante de ser. Fica em nosso coração a saudade. Uma das características de Irmã Antonia era o seu dom de acolhimento. Recebia e acompanhava com alegria as pessoas e apresentava o Patrocínio com muita satisfação e orgulho, detalhando cada cantinho do local, em especial tudo o que se referia à Madre Teodora. Era artista em pintar cartões e papel de carta com os carimbos que preparava. Quantas pessoas alegrou com esse presente, distribuído em profusão ao longo de anos. No Patrocínio, foi sacristã, preparando a Missa e Celebrações, cuidando da decoração do altar e da Igreja, com o maior zelo. Ao visitar familiares, queria voltar logo para cumprir suas tarefas. Depois de longa e frutuosa jornada a serviço do Senhor e do “querido próximo”, inesperadamente, no dia 01 de abril de 2021, um enfarte levou nossa querida Irmã Antonia para junto de seu Deus a quem tanto amou e para quem viveu seus 99 anos de existência. Fez sua Páscoa definitiva. Ressuscitada descanse em Paz nos braços de Deus. Gratidão a Deus pelo privilégio de tê-la entre nós por 99 anos. ________________________ As Irmãs fazem uma autobiografia, Irmã Antonia fez esta, “confissão”, em que fala de sua vulnerabilidade bem humana, assumindo-se serenamente. Reconhece os dons recebidos, “agradece a Deus ser capaz de sofrer” e avalia suas travessias difíceis como “foi bom para minha santificação”. Irmã Antonia viveu o desafio de ser pessoa de fé confiando na intervenção divina, "inclusive através dos medos, das fragilidades, da fraqueza" pronunciando o seu SIM”, (Cf. Papa Francisco) sempre com fidelidade, com 99 anos de fidelidade! (Apenas lembrar que na Bíblia, temos as Confissões de Jeremias: 1,4-19 / 11,18-12,6 / 15,10-21 / 17,14-18...). “Fui criada por Deus. Corpo perfeito. Órgãos perfeitos. Inteligência, bom senso, memória, capacidade de sofrer. Meus pais me deram estudos. Meus pais me amavam. Fui capaz de superar o desejo de possuir certas coisas. Nunca tive doença grave. Chorei muito que me lembro na adolescência e na juventude. Chorei muito nos primeiros 20 anos de minha Vida Religiosa (VR). Sofri e sofro moral e espiritualmente. Gosto de rezar, mas sou preocupada e me prejudico. Tenho gosto artístico, mas sofro vendo perecer coisas por ignorância, desprezo. Gosto de ser boa. Tenho desejo de ser anta, de amar muito a Deus. Sofro na VR, mas agradeço a Deus ser capaz de sofrer. Não minto, embora não fale tudo e me defenda. Participo da missa 95% do ano, embora muitas vezes gosto de comungar mas sofro porque queria ser mais fervorosa. Fico em paz quando me confesso (confessar-me custa-me muito). Gosto de prestar favores. Não faço questão de agradecimento por favores, mas se sofro, sofro mais ainda se não me entendem. Tenho algumas qualidades artísticas. Desejo ser zelosa embora não o seja. Comecei a sentir que quando fui jogada no lixo em 1963/ 1987 / 1985 saboreei com amargor o aniquilamento, mas certa de que foi bom para minha santificação” (Antonia Cesta, 1986). Querida Irmã Antonia, serviçal e amiga, Artista de lindos cartões e papéis de carta, Feliz, contemplando a beleza eterna, ore por nós!