Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Irmã Rosalinda - Anna Guidolin

 11/08/1918     16/06/2013



CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY
PROVÍNCIA DE PORTO ALEGRE


IRMÃ ROSALINDA
(Anna Guidolin)

* 11 / 08 / 1918
+ 16 / 06 / 2013

 
“Cantai ao Senhor um canto novo,
porque Ele operou maravilhas.
Sua mão e seu santo braço lhe deram vitória.”
(Salmo 97)

A família de José e Catharina Vivan Guidolin, em Nova Prata, no dia 11 de agosto de 1918, foi agraciada com o nascimento de mais uma filha que recebeu o nome de Anna. Seus pais, profundamente cristãos, educaram os filhos na fé, no amor a Deus e ao próximo. Dos 13 filhos, três se tornaram religiosas: duas, na Congregação de São José e uma, na Ordem Carmelita.
Comungando a vida de fé, de amor e de trabalho dos pais, cresceu, dentro da jovem Anna, um apelo para dedicar-se a Deus no serviço do próximo. Como “Filha de Maria”, aos 10 anos, ficou sensibilizada pela pergunta de um sacerdote sobre a vocação para ser Irmã. Este pensamento ficou gravado em seu coração.
Irmã Rosalinda assim se expressou quando foi interrogada sobre como surgiu sua vocação: “Estando num grupo de Filhas de Maria, por incentivo do sacerdote que falou sobre Vida Religiosa, senti uma grande vontade de ser Irmã. Esta ideia não me deixou mais. Levou-me a ser Irmã e seguir este caminho com o grande desejo de poder amar mais a Deus e ajudar o próximo. E os pais me apoiaram”.
Madre Justina Inês, então, Superiora Provincial, passando, ocasionalmente, na localidade, lançou um olhar sobre, a ainda adolescente, Anna e disse: “Esta menina tem sinais de ser uma jovem chamada para a Vida Religiosa”. Quando manifestou seu desejo de ir para o convento, os vizinhos tentavam dissuadi-la dizendo: “Você quer fugir do trabalho...”. Ela respondia: “Gosto de trabalhar com meu pai, mas quero ser Irmã”.
Iniciou sua caminhada vocacional aos 19 anos. Fez o Postulado e o Novici-ado, no Convento São José, em Garibaldi. Neste tempo, foi confirmando sua decisão e, com muita alegria, via seu sonho concretizado. Em 19 de novembro de 1938, fez sua Pri-meira Profissão, pronunciando os Votos de Pobreza, Castidade e Obediência, iniciando assim um tempo de experiência de vida comunitária, oração, estudo, aprofundamento da Vida Religiosa e de trabalho. Cinco anos mais tarde, em 24 de fevereiro de 1944, sentindo-se realizada e firme em sua vocação, consagrou-se definitivamente a Deus e ao serviço da Igreja e dos irmãos.
Quando entrou no Juvenato, em Veranópolis, foi-lhe dado o serviço de cozi-nhar para cerca de 70 pessoas, entre Irmãs e Pensionistas. Algo que era para ela, em casa, uma aversão, transformou-se em altar onde encontrava o sentido do seu trabalho e fazia de sua ocupação, uma oferenda de amor a Deus e às Irmãs da comunidade. Exerceu, também, a profissão de cozinheira, com muita dedicação e alegria, em diversos locais: na Escola Normal Regina Coeli e no Hospital Del Prete, em Veranópolis; no Seminário Diocesano de Caxias do Sul; na Escola Nossa Senhora de Lourdes de Cacique Doble; no Educandário São João Batista, nas Comunidades Sévigné e São Luiz, em Porto Alegre.
Fazer a Vontade de Deus, manifestada pelas Superioras, era sua alegria, mesmo quando era difícil acolhê-la. Muitas vezes, faltava o necessário para preparar as refeições. Então, buscava meios de providenciar o que precisava, seja pelo próprio trabalho na horta ou apelando para a generosidade de pessoas amigas. Dizia ela: “Tudo se torna fácil quando encontramos o essencial e o sentido da missão”.
Era uma pessoa muito alegre, às vezes, jocosa, empenhava-se para manter a harmonia entre as pessoas. Nos pequenos atritos, procurava apaziguar os ânimos e estimu-lar as Irmãs a perceberem os aspectos positivos e construtivos do bom relacionamento in-terpessoal como fator de vida fraterna.
Ir. Rosalinda tinha as disposições de Marta, sempre pronta para servir e, o coração de Maria, em sua atitude de escuta, que Jesus tão bem ressaltou na visita que fez a seus amigos de Betânia.
Destacava-se por uma grande confiança em Deus. Encontrava o sustento de sua vida na oração diária e na participação da Eucaristia. Foi neste espírito de fé e de amor que aceitou os limites da doença, não podendo mais realizar suas atividades.
Diminuindo as forças físicas, passou a integrar a Comunidade São Luiz, em Porto Alegre, prestando pequenos serviços compatíveis com seu estado de saúde. Dava muita importância à convivência fraterna.
Em escritos que deixou, encontramos: “No meu desejo de construir comu-nhão, procurava olhar o positivo das Irmãs. Realizei minha vocação na simplicidade. Procurei servir do melhor modo possível e com muito amor. Por mais de 50 anos, preparei, diariamente, o alimento para as pessoas. Agradeço a Deus por ter-me chamado à Vida Religiosa”.
Em março de 2011, sofreu uma queda que resultou em fratura do fêmur. Foi, então submetida a uma cirurgia da qual se recuperou bem e, após algumas semanas de hospital, ainda muito debilitada, foi transferida para a Comunidade Nazaré, a fim de ter os cuidados de acordo com seu estado de saúde. Ali, passava seu tempo rezando e conversando com Deus, como era seu costume. No dia 16 de junho de 2013 veio a falecer, rodeada de Irmãs e enfermeiras, contando 94 anos de idade e 74 de Vida Religiosa.


Irmã Rosalinda,
você nos deixa o exemplo de doação,
de espírito positivo e de cordial caridade, característica da Irmã de São José.
Você rezava continuamente! Interceda por nós, suas Irmãs de Congregação,
seus familiares, por todas as pessoas amigas que sempre admiraram sua vida
de simplicidade e de doação e
por aquelas que a cuidaram durante a doença, para que todos trilhemos
a estrada segura que nos leva a Maria e, por ela, à Trindade.
Receba nosso carinho e nosso agradecimento
pelo que você foi no meio de nós e pelo que pôde realizar pelo Reino de Deus.

. Porto Alegre, 16 de junho de 2013
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