Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Fale Conosco
Memorial Saudades
Irene Ferras Pellegrini

 20/11/1933     31/08/2020



Província da Congregação Das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil

Núcleo SSma. Trindade        

                                                                                           Irene Ferraz Pellegrini

                                                                                                       * 20/11/1933    

                                                                                                                                            + 31/08/2020

 

  “Mostrar-me-ás o caminho da vida, a plenitude da alegria, Na tua presença, à tua direita, delícias sem fim” (Sl 16,11).

 

Irene Ferraz Pellegrini nasceu a 20 de novembro de 1933, em São Paulo – SP, caçula de 4 irmãos sendo um homem e três mulheres. Seus pais foram o Sr. Sírio Pellegrini e mãe D. Iracema Ferraz Pellegrini. Irene foi batizada a 18 de fevereiro de 1934. Encontrou na família, de tradição católica, a vivência cristã e tudo o de que precisava para crescer na fé tornando-se a pessoa generosa e doada que foi pela vida afora.

 

Não consta a data, mas sua família mudou-se para Santos onde em 1946, Irene concluiu o Curso Primário no Ateneu São José. Em seguida, cursou o Ginásio e o Magistério no São José de Santos, Colégio das Irmãs de São José, formando-se professora primária em 1953. Professora, passou a lecionar no Colégio São José onde trabalhou até 1962.

 

Desejosa de consagrar a vida a Deus, no seguimento de Jesus, decidiu-se pela vocação à Vida Religiosa.   Em 22 julho de 1962, Irene entrou no Noviciado da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry. No ano seguinte, a 30 de janeiro de 1963, recebeu o hábito. Seus primeiros votos, foram exatos dois anos depois, a 30 de janeiro de 1965. E a profissão perpétua a 12 de abril de 1971. Nesses anos, a VRC passava por muitos questionamentos e mudanças, no chamado “Aggiornamento” pós Concílio Vaticano II. Nada impediu, ao contrário, inspirou Irmã Irene a viver com fidelidade e fervor todas as etapas de sua formação à Vida Religiosa. 

 

Em Itu, na Faculdade de Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio, Irmã Irene fez parte de seu Curso de Pedagogia, até 1968. Concluiu este curso nas Faculdades Anchieta dos Jesuítas em São Paulo (FASP), em 1971.

 

Irmã Irene viveu sua missão, assumindo várias responsabilidades na Província. Em 1972, passou a ser Diretora do Colégio Santana e Coordenadora de Comunidade. Em seguida, a partir de 1978 foi Conselheira Provincial. Ainda no Conselho, no fim de novembro de 1982, passou a viver na família, por razões de doença, especialmente do pai. O Conselho Geral lhe concedeu a princípio afastamento por tempo indeterminado, mas em 1983 foi liberada da responsabilidade de Conselheira. A situação perdurou até o falecimento do pai. Não estar junto, não participar da caminhada como Província, tudo foi grande sofrimento para Irmã Irene, pessoa na qual todas as Irmãs confiavam muito.

 

Voltando à Província, foi Vice-Diretora do Colégio São José de Santos. E em, 1988, foi professora no Colégio São José, agora em São Paulo, de onde foi chamada em 1989, para ser Vice-Diretora do Colégio Santana.  A partir de 1990 até 2003, fazendo parte de várias comunidades, assumiu sempre o trabalho de Tesoureira da Associação de Instrução Popular e Beneficência (SIPEB), a Mantenedora das obras da Província. No período de 1990 a começo de 1992, exerceu inclusive a função de Administradora da Associação SIPEB.

 

Nada fáceis as travessias de I. Irene. A partir de 12 de setembro de 2003, precisou tirar novamente, licença de vida Comunitária para ser presença e ajudar um irmão e duas irmãs. Esse tempo de licença se estendeu até 2018 quando faleceu sua irmã Leonor Pellegrini.  Para Irmã Irene foram cerca de 15 longos anos, cuidando dos irmãos, com todo carinho e dedicação. Nesse tempo, Irene que sabia ser tão boa de convivência e prestativa com todas as coirmãs, aliás com todas as pessoas, nunca deixou de manter um lampejo de Vida Comunitária com as Irmãs da Comunidade de Santos.  

 

 “Conheci Irmã Irene Pellegrini no   Juniorato em Itu e a caminhada junto, continuou até atualmente. Num tempo pós conciliar, quando muitas coirmãs entraram em crise e deixaram a Vida Religiosa ela, bem como várias outras Irmãs, tendo uma visão diferenciada   sobre a caminhada da Província e da Congregação, não desistiram de acreditar, de apostar na vocação escolhida e permanecer fiéis.  A visão inspiradora apontava para o compromisso da Vida Religiosa com os mais pobres, a partir de um novo olhar sobre a Igreja e Missionariedade.   Marcou minha vida, redefini a minha vocação a partir da Missão e comecei a entrar nesta caminhada de Missionariedade. Por onde andei, sempre Irmã Irene tinha interesse de saber sobre a Missão e não faltava um olhar crítico, na linha da opção e coerência. Sempre tinha uma   admiração e palavras de incentivo.  Era uma presença missionária, muito amiga. Ultimamente colaborou financeiramente com a Missão de Pacaraima/RR.  Muitas Irmãs poderão dar testemunho da doação sem limites da vida de Irmã Irene.  Ela fez sua travessia. Que ela nos acompanhe agora na Luz, e nos ensine a ser firmes e fiéis na nossa vocação de Unidade e Comunhão. Até um dia"! (Irmã Delcia Decker).

 

“A partir de 2004, pude ter mais contato com I. Irene que tinha como referência nossa comunidade. Era sempre muito envolvida com a irmã, Leonor, muito doente e carente de cuidados. Ambas muito unidas, e a Irene a provedora de tudo. A perfeita dona de casa, administrando, dirigindo tudo, enfim a amiga de todas as horas. Nada faltava, tudo era resolvido. No desejo de estreitar nosso relacionamento, combinamos tomar juntas o café da manhã, uma vez por mês. Foi ótimo. Ela gentilmente, trazia os pães quentinhos e tínhamos momentos de alegria, descontração, bate-papo. Era a oportunidade de colocá-la a par da caminhada da Província. Irma Irene cultivou sempre e muito bem, a corresponsabilidade, alegrava-se com as coisas boas, sofria com os contratempos. Manteve sempre a “marca” de ISJ. Viveu um tempo difícil quando, por conta de uma trombose, sofreu uma baixa na saúde e precisou ficar internada na Santa Casa, por uma semana. Num clima de doença, preocupada com a irmã, a semana longe de casa parecia não ter fim. Voltou bastante abatida e fraca, ofegante, com cansaço contínuo. Mas sempre firme nos compromissos e testemunhando alegria e coragem. Então chegou o momento doloroso da partida da Leonor. Ajudada pelos vizinhos, pode acudi-la, recebendo o último suspiro da irmã querida. Dor profunda. Venceu mais essa situação. Terminadas os funerais, logo no dia seguinte, Irene mudou-se para nossa comunidade e sentimos logo a riqueza de sua presença. Muito educada, simples, serena, vivemos mais de dois anos numa realidade de irmãs e nos querendo muito bem. Sempre organizando a vida, bens de família, contatos com profissionais e ao mesmo tempo a irmã querida em casa. A saúde não estava bem, muitas limitações na respiração, na locomoção, problemas vasculares, coração..., mas nada era motivo para prejudicar nossas relações fraternas. O amor pela oração, a atenção às pessoas, o contato com amigos de antigamente eram vividos por ela com alegria e encanto. Sentia grande amor pelos pobres, querendo sempre ajudar e nas preces, a intenção que ela sempre mencionava era pelos desempregados.  Mostrava-se inconformada com a situação do país, as dificuldades de um bem maior para os desprotegidos. Foi muito bom conviver com a Didi... muito bom mesmo. Vivenciamos um bem-querer que nos ajudou ser melhores. Irene partiu deixando-nos o legado de uma VR marcada pela autenticidade, coerência e uma fidelidade inteira aos compromissos de uma Irmã de São José”. (Irmã Geny Eiras).

 

Após voltar por dois anos, à Comunidade de Santos e resolver as pendências jurídicas com bens da família, Irmã Irene, já com a saúde bastante fragilizada, foi transferida para a Casa de Repouso São José. Permanência breve de apenas 50 dias. Foi hospitalizada na Santa Casa de São Paulo, e com três dias, partiu para o melhor lugar, nos braços do Pai, no dia 31 de agosto de 2020.

 

Querida Irmã Irene, seja feliz junto de Deus,

Na dimensão da vida perene e das alegrias sem fim.