Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
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Memorial Saudades
Genoveva Guidolin

 21/01/1926     15/07/2020



PROVÍNCIA DA CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY NO BRASIL

Núcleo Sagrada Família

                                                                    Irmã Genoveva Guidolin

                                                                                ¶ 21/01/1926

                                                                                                                      X 15/07/2020

 

O Senhor é minha Luz, Força e Salvação”. (Sl 26 e 90)


Genoveva nasceu em Nova Prata, Rio Grande do Sul, Brasil, no dia 21 de janeiro de 1926. Seus pais, José Guidolin e Catharina Vivan, imigrantes italianos, cristãos convictos, levaram a pequena Genoveva, a décima entre os 13 filhos, para ser batizada, na Igreja Matriz São João Batista de Nova Prata, no dia 28 de janeiro de 1926. Nesta mesma Igreja, foi crismada no dia 26 de novembro de 1929, pelo Exmo. Dom João Becker, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, por ocasião de sua Visita Pastoral.


Genoveva cresceu num ambiente de fé, religiosidade e compreensão. Lembrava, com saudades, o dia da Crisma e da Primeira Eucaristia. Foi no encontro com Jesus Eucarístico que sentiu, pela primeira vez, o desejo de ser toda de Jesus.


Cursou o Ensino Primário, em Nova Prata. Enquanto crescia no saber humano, também alimentava o desejo de dedicar sua vida a Deus e aos irmãos menos favorecidos.


Decidida a seguir os passos de sua irmã Rosalinda, foi conduzida a Garibaldi, onde concluiu seus estudos fundamentais. Convicta de que estava no caminho certo, Genoveva solicitou sua entrada na Congregação das Irmãs de São José. Seu pedido foi atendido e, em 20 de fevereiro de 1944, foi admitida ao Postulado. Em 17 de outubro do mesmo ano, foi admitida ao Noviciado e, em 19 de outubro de 1945, fez seu primeiro engajamento emitindo os votos temporários de Pobreza, Castidade e Obediência.


            Após seus primeiros anos de experiência na missão educativa, decidiu confirmar seu propósito de ser Irmã de Vida Religiosa Consagrada, emitindo, em 17 de outubro de 1951, seus votos perpétuos como Irmã de São José.


            A jovem Irmã iniciou sua missão como professora primária no Colégio São José de Caxias do Sul, em 1945. Em 1950, foi transferida para Pelotas, dedicando sua vida à missão educativa, no Colégio São José.


                Entretanto, para melhor exercer sua missão era necessário aprimorar seus conhecimentos. Por isso, foi transferida, em 1969, para Porto Alegre, integrando a comunidade São José, na Rua Vigário José Inácio. Cursou a Faculdade de Geografia e História e Pós-Graduação em Orientação Educacional, na PUC, Rio Grande do Sul, Brasil. Como estudante e professora, no início, dedicou seu tempo entre o Colégio Sévigné e o Colégio Nossa Senhora do Rosário, sendo este dos Irmãos Maristas. Mas, a partir de 1969, dedicou-se plenamente ao Colégio Rosário e, tornou-se ponto de referência para as moças, pois, durante um ano, Irmã Genoveva foi a única mulher a lecionar neste Colégio. No início, não foi fácil. Com Irmã Genoveva, as mulheres foram ganhando espaço na escola. Depois de 15 anos em sala de aula, assumiu a coordenação do Serviço de Orientação Educacional, que exerceu com muita dedicação, carinho e eficiência.  

       

          Mas quem era Genoveva, carinhosamente, chamada de Genô?


Uma criança simples, amorosa, terna, vivaz, alegre; uma jovem de olhos abertos para a realidade do mundo e, especialmente, para a realidade feminina. Melhor a definem alunos e colegas, que passaram por sua vida: - “Mulher sempre atenta ao mundo e ao outro. Capaz de mover montanhas diante de uma injustiça” (Ana Maria Tortorelli  Massignan). - “... grande colega e uma referência de mulher na educação” ( Rukrenita Klusenar).


Entre as muitas qualidades com as quais foi dotada por Deus, Irmã Genoveva destacou-se como mulher de fé, de coragem, de disponibilidade e, especialmente, de grande amor à juventude.


          Nós, Irmãs de São José, no convívio diário, a reconhecemos como mulher-gratidão, mulher-alegria, mulher-compreensão... Encontramos em seus escritos: ”Brotam de meu coração sentimentos de gratidão a Deus. Tenho muito a agradecer: a vida, o ter nascido numa família profundamente cristã, o chamado à Vida Religiosa Consagrada, as graças e as bênçãos recebidas ao longo de minha vida, mesmo aquelas que vieram em forma de cruz. Deus foi muito bom comigo. Nunca me faltou a sua graça. Agradeço todo o bem que realizei, os corações que foram tocados com minhas palavras e exemplos, nesta longa caminhada de lutas, desafios e conquistas. Meu coração agradecido louva a Deus por tudo o que consegui fazer de bom, de ajuda aos outros. Se consegui tudo isso, foi a graça, a luz e a força do Senhor que nunca me faltaram”.


            Deixou escrito: - Dizem algumas pessoas que me conhecem, “que carrego comigo uma luz que irradia, ilumina e cativa, que sou uma pessoa de Deus, que as sementes lançadas, um dia irão brotar e desabrochar. Com humildade, acolho tudo e o devolvo a Deus, autor de todo bem”.


          Irmã Genoveva tinha uma missão que considerava fundamental viver o carisma da Congregação: “Ser sinal da presença de Deus e buscar a união total de nós, Irmãs de São José, e de todas as pessoas entre si, conosco e com Deus”. O fator de fecundidade desta missão é a intimidade com Deus, que leva à construção de comunidades fraternas, de oração, amizade, aceitação, acolhida, perdão, o cultivo de um coração pobre e solidário com os menos favorecidos.


           “Tenho muito carinho por todas as pessoas que, de uma forma ou outra, me ajudaram nesta longa caminhada. Na minha memória e no meu coração, estão registradas as coisas boas que colhi no convívio com cada pessoa. Obrigada, por tudo. Deus as recompense e esteja sempre presente em suas vidas, como esteve na minha, com LUZ e FORÇA”.


           Em 2016, com a reestruturação da Província das Irmãs de São José no Brasil em Província Única, Irmã Genoveva integrou o Núcleo Sagrada Família, sendo transferida para a Comunidade Sévigné, onde intensificou sua espiritualidade e fraternidade e, ao mesmo tempo, continuou sua atividade no Colégio Rosário, permanecendo nele num total de 51 anos.


           No dia 28 de junho de 2010, acometida por um AVC, Irmã Genoveva foi hospitalizada no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. Apesar de todos os cuidados, não resistiu à enfermidade. Foi acolhida na Casa do Pai, no dia 15 de julho de 2020, com 94 anos de idade e 75 anos de  Vida Religiosa Consagrada, dedicada à educação. Seu corpo descansará em paz aguardando a ressurreição, no Jazigo das Irmãs de São José, no Cemitério Metropolitano São José, em Porto Alegre, RS.

         

Querida Irmã Genoveva, 

como educadora por 75 anos, teu nome brilha no céu e

permanece conosco e com todos os teus colegas educadores, educandos, familiares, Irmãs de Congregação e pessoas amigas.

Agradecemos-te pelo “SIM generoso” de cada dia, em exercer essa missão tão nobre e difícil, em tempos desafiadores. Intercede junto a Deus para que os educadores espalhem as sementes do bem, o gosto pela vida, um jeito novo de construir a sociedade, a esperança de um mundo transformado:

mais humano, mais justo e mais fraterno.

Somos agradecidos pelo teu serviço em benefício dos mais necessitados, em resposta à Igreja e à Congregação.

Deus te guarde na Sua paz, querida Genoveva!

                                                                                        

                                                                                                       Porto Alegre, 15 de julho de 2020.