Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Irmã Maria das Graças

 15/04/1918     17/04/2013



Província de São Paulo

NECROLÓGIO
Irmã Maria das Graças (Odette Iacoponi)
15/04/1918 - 17 /04/2013

“Que vosso louvor transborde de minha boca;
meus lábios exultarão, cantando de alegria!” Sl. 70, 8.23

No silêncio do coração, para não perder o costume, nossa querida Irmã Maria das Graças deve ter entoado esses versículos do Sl. 70, 8.23, ao ouvir no dia 17 de abril de 2013, o chamado do Esposo a quem dedicou toda sua vida: “Vem, Esposa minha! Entra no gozo eterno! Une-te a tantas Irmãs que te precederam e a toda a família celeste! Os sofrimentos e as lutas passaram”.

Nossa querida Irmã nasceu na cidade de São Paulo, no dia 15 de abril de 1918. No ano seguinte, no dia 23/03 foi levada à Pia Batismal, recebendo o nome de Odete Iacoponi. Era filha de Pais católicos, Vasco e Gabriela Iacoponi. Foi nesse clima de fé que foi crescendo o desejo de consagrar sua vida, abraçando a vida religiosa. Em que Congregação?

Odette escolheu a nossa, Irmãs de São José! Assim, no dia 01 de janeiro de 1942 troca suas vestes pelo hábito e continua sua formação, em Itu, fazendo os Primeiros Votos no dia 29 de janeiro de 1944 e a Profissão Perpetua no dia 29 de janeiro de 1947.

Acompanhemos sua trajetória de estudos e profissão. Em 1938 faz o Curso Particular de Secretariado em São Paulo. Em 1950, em Taubaté, no Colégio Bom Conselho forma-se no Ginásio. E nesse estabelecimento, de 1944 a 1975 é professora de artes. Transferida para o Colégio Santana, em São Paulo, continua lecionando artes. A grande lembrança que tenho da vida de nossa Ir. Maria das Graças, diz uma Irmã, é do seu trabalho e vida no Colégio Santana, como grande artista, esculpindo objetos em argila e esmerando-se na pintura em porcelana. Sempre muito silenciosa! Seria essa uma característica dos artistas mergulhados em sua criatividade?

Em 1975, com a saúde fragilizado, deixa sua profissão para um tempo merecido de descanso, permanecendo no mesmo Colégio Santana.

Seu amor à arte e aos pobres a reanima para, em 1976, dedicar-se ao ensino de Artes na Colméia do Colégio Santana, que educava crianças pobres dos bairros.

Em 1978 I. Maria das Graças integra a Comunidade de Nazaré, dedicando-se por algum tempo a lecionar aulas de pintura e bordados para as crianças da Casa São José, obra social da Paróquia de Santa Cecília – SPES. Foi um trabalho muito bonito, feito com grande empenho e carinho. As crianças gostavam muito de suas aulas. Sentiam-se amadas e compreendidas pela Mestra. Nesse espaço dedicado ao aprendizado não eram apenas as artes o foco, mas também a formação humana e cristã a base do ensino. Quando deixou esse trabalho, as crianças ficaram tristes e pediam seu retorno. Até hoje há pessoas que perguntam pela Irmã que ensinava Artes no SPES.

No dia 28/04/1999 é transferida para o Patrocínio em Itu, ficando responsável pelo refeitório. Com que amor e dedicação preparava o ambiente para acolher as Irmãs nos encontros e Retiros! Ficávamos curiosas ao entrar no refeitório, para descobrir as surpresas em guloseimas, enfeites, arranjos. Sempre um ambiente novo, agradável e acolhedor! Mantinha tudo limpo e com aspecto atraente.

Sentindo suas forças enfraquecerem, sobretudo a vista, foi transferida para a Comunidade da Casa de Repouso São José, no Taboão da Serra em 2004. Mesmo com visão bem comprometida, reconhecia as Irmãs pela voz. Sempre contente, conversava e dava boas risadinhas gostosas.

O que admirava na Ir. Maria das Graças era a atenção que dava a cada pessoa, como se fosse a única e a delicadeza de se lembrar do nome das pessoas que dela se aproximavam. Para mim, diz uma Irmã que acompanhou nossa Ir. Maria das Graças na trajetória final, o artigo 67 de nossas Constituições revela a qualidade de sua vida:

“Em seguimento de Cristo que se fez Servo,
cada irmã assumirá essa missão com espírito
de disponibilidade e serviço.
Unidas, viveremos junto a nossos irmãos,
dando especial atenção aos mais pobres.
Humilde e fraternalmente caminharemos com eles,
Descobrindo seus valores e a ação do Espírito Santo.”
E conclui: Presença simples, discreta e fraterna!

Querida Irmã Maria das Graças! Continue em seu silêncio a saborear o mistério do grande Artista que a habitava e que se revelava na beleza de sua Arte. E reze por nos!


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