Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Ana Rita Carvalho Pinto

 08/07/1920     20/03/2019



Província da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil

      Núcleo Santíssima Trindade    

                                                                             Cleria Carvalho Pinto

                                                                      (Irmã Ana Rita Carvalho Pinto)

                                                                                                           * 08/07/1920     + 20/03/2019


Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! (Mt 25, 34)

 

A família do Sr. Francisco de Carvalho Pinto e D. Tarcilia Ferreira de Carvalho viu seu lar crescer até inteirar 12 filhos, entre eles Jandyra e Cleria que se tornariam Irmãs de São José. Jandyra com o nome de Irmã Maria Rosa (falecida a 14/01/1989) e Cleria com o nome de Irmã Ana Rita. Cleria nasceu a 08 de julho de 1920, em Palmeiras, SP e foi batizada a 29 de agosto do mesmo ano.

 

A infância de Cleria, bem como de seus irmãos e irmãs, foi muito sofrida. A mãe, D. Tarcilia, teve um filho prematuro que sobreviveu por alguns meses.  Nesse período, cuidando do bebê, a mãe ficou muito doente e veio a falecer deixando a maioria dos filhos pequenos. O pai não conseguiu superar o sofrimento. Em consequência, acabou ficando doente e faleceu também. A perda de ambos, pai e mãe, na infância, foi uma travessia dolorosa porque, sem eles, os irmãos e irmãs tiveram que ser separados e foram criados por vários tios.

 

Além dessas passagens difíceis, pouco se sabe da Cleria criança e jovem, a não ser que tornando-se adulta, ela bem como a irmã, Jandyra, decidiram tornar-se religiosas e escolheram ser Irmãs de São José.

 

Cleria foi recebida no Noviciado, em Itu, no dia 28 de julho de 1945. Recebeu o hábito a 06 de agosto de 1946 e a 28 de julho de 1948, fez seus Primeiros Votos. Percorrendo com fidelidade as várias etapas de sua formação como religiosa, teve a graça de fazer a Profissão Perpétua a 03 de fevereiro de 1952.

 

Mesmo criadas/os em separado, as duas irmãs religiosas – Maria Rosa e Ana Rita - eram bem ligadas a familiares. Irmã Ana Rita tinha muita preocupação com sua irmã Mariinha que era bem doente e várias vezes ficou de licença para ajudar a cuidar dela.  Em especial, as duas visitavam a família de sua irmã Célia, uma vez por ano, nas férias. Essa visita era muito aguardada pelos sobrinhos Maurício, Regina e M. Aparecida porque as tias sempre chegavam com uma sacola de presentes e doces. Eles, crianças, disputavam quem carregaria as malas e sacolinhas das tias.

Foi nos serviços domésticos ou como atendente prática de saúde, de enfermagem – as cuidadoras de hoje – que Irmã Ana Rita serviu ao “querido próximo”, na maior parte de sua longa vida. No Asilo São Lourenço, em Jaú, cuidou de serviços domésticos, por 20 anos. No Departamento D. Pedro II, no Jaçanã em São Paulo, por 9 anos foi responsável por um pavilhão de internados homens. De novo no Asilo São Lourenço, em Jaú, cuidou das pessoas internadas por 13 anos. Dedicada, delicada, silenciosa, operosa, persistente e piedosa – mulher de coragem -  essa foi nossa Irmã Ana Rita.

 

Irmã Ana Rita que trabalhava muito e com amor e dedicação aos velhinhos. Falava aos funcionários para nunca os maltratar. Seu testemunho numa carta: “As Irmãs que trabalham fora, com as crianças, acham que também devemos largar o serviço no horário marcado, mas eu saio com remorso porque sinto que os doentes precisam de nossa presença. O trabalho delas é diferente. Elas saem e as crianças vão embora para suas casas. E nós, aqui, no Asilo, deixamos os velhinhos doentes. Eu tenho feito bastante esforço para sair logo conforme combinado, mas quase não consigo... estou cuidando de uma turma de velhinhos que está quase no fim”. Na Casa de Repouso, Irmã Ana Rita repetia às funcionárias: “Não maltratem os velhinhos, eles já sofrem muito. Antes, maltratem a mim”! ...

 

Em janeiro de 1990, o Patrocínio, em Itu, passou a ser a sua Comunidade. Aí, por 22 anos assumiu serviços diversos. Formou um grupo de costureiras voluntárias, bem comprometidas, que fizeram dezenas de enxovais para bebês de mães carentes.

 

Em novembro de 2012, bem debilitada, Irmã Ana Rita foi transferida para a Casa de Repouso São José, para cuidado da saúde. Na Casa de Repouso, Irmã Ana Rita brindava todas/os com um semblante sereno e um belo sorriso. E a 20 de março de 2019, serenamente, foi sorrir no paraíso e alegrar seu Deus, tão amado no querido próximo e ser feliz com toda a corte celeste.

                                                                                                                Descanse em paz, querida, Irmã Ana Rita!

                                                                                                                      Junto do Senhor, lembre-se de nós!

 

 

 

 

 

 









topo voltar