Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Elvira Teresa Debastiani

 22/06/1933     16/12/2018



Província da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil

 

                                           Irmã Elvira Teresa Debastiani


                                                                                            * 22.06.1933

                                                                                           + 16.12.2018


“Deus me chamou pelo nome e me disse: ‘És minha!’” (Isaías, 43,1) Foi com essa frase bíblica que Irmã Elvira definiu a graça do chamado especial de Deus para viver como Religiosa na Congregação das Irmãs de São José.


Seus pais Angelo Debastiani e Modesta Cambruzzi eram pessoas de trabalho, de fé e oração. Tiveram cinco filhos. Como agricultores, o cuidado principal era com as parreiras de uvas especiais que por várias vezes foram premiados com o primeiro lugar na Festa da Uva, em Caxias do Sul.


Irmã Elvira foi batizada no dia quatro de agosto de 1933 na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha. Com 17 anos, entrou no Noviciado em Garibaldi e, em 1952, fez seu primeiro engajamento, sendo enviada, como professora, para Vacaria, na Escola Normal São José. Trabalhou ainda no Colégio São José de Caxias do Sul, em São Marcos, Flores da Cunha, Viamão, Santa Cruz do Sul e em Carlos Barbosa no Colégio Santa Rosa por 18 anos, exercendo as funções de Diretora e Secretária. Mas foi como missionária em terras distantes que revelou seu zelo apostólico, sua liberdade interior e sua sede de anunciar Jesus às pessoas sedentas de mais vida digna, de pão e de acolhimento. Seu espírito missionário a fazia capaz de assumir a missão onde dela precisassem. Porque seu coração estava livre de qualquer apego, soube dizer “SIM” na alegria, na paz e com coragem aos apelos feitos para os mais diversos lugares e atividades. Além do Rio Grande do Sul, exerceu sua missão em outros estados: Mato Grosso do Sul trabalhou nas cidades de Amambaí, Fátima do Sul e Juti; Rondônia, em Colorado do Oeste e Pimenteiras do Oeste e no Maranhão no município de Balsas. Sabia dar valor e importância a todas as tarefas que fazia. Em toda essa longa trajetória, Irmã Elvira teve bem presente que ser missionária é também estar junto ao Mestre e nele confiar. Tinha consciência de que ela era um simples instrumento nas mãos do Senhor. Nas dificuldades, como São Paulo repetia: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Filipenses 4,13). Em seu trabalho apostólico, Irmã Elvira deu muita importância à organização dos grupos de Famílias onde é partilhada e rezada a Palavra de Deus, a visita às famílias, aos doentes, procurando sempre ser uma presença alegre e serviçal.


Como Irmã de São José, tinha grande apreço à Vida Comunitária. Procurava traduzir na prática o que rezam nossas Constituições: “Unidas, construiremos a cada dia a Vida de Fraternidade pela aceitação de nós mesmas e do próximo, pela partilha do que temos e do que somos...”. Era muito importante para Irmã Elvira dedicar tempo ao cultivo pessoal pela oração diária, retiros, direção espiritual, estudo e aprofundamento da Palavra de Deus e, quando possível, pela participação na celebração Eucarística. Muito comunicativa, expressava-se com espontaneidade e simplicidade. Sua convicção de vida era de que “vale a pena investir tudo por uma causa tão sublime que é o seguimento de Jesus no serviço aos irmãos e irmãs”. E esse desafio a impulsionava a enfrentar os sofrimentos, as dificuldades e as próprias limitações que, segundo ela, tudo toma um outro colorido quando se tem amor.


Na celebração do seu Jubileu de Ouro de Vida Religiosa em 2002, assim se expressou: “Celebrar 50 anos significa reconhecer e agradecer a fidelidade de Deus em minha vida independente de minhas resistências, é acolher o amor de Deus que é maravilhoso”!


Irmã Elvira tinha um grande carinho aos familiares. Ficava muito feliz quando podia se encontrar e passar um tempo com eles. Partilhava de suas conquistas e alegrias bem como era motivo de preocupação quando sabia do sofrimento ou doença das pessoas que amava. Todos eram lembrados em suas preces.


No decorrer do ano de 2014, passou a residir na Casa Nazaré em Caxias do Sul a fim de receber maiores cuidados em vista de sua saúde já fragilizada. Mesmo sabendo da gravidade da doença nunca perdeu a esperança e a alegria. Mostrou-se pessoa dócil, nunca fazendo exigências. Confiava nas pessoas que dela cuidavam. E no dia 16 de dezembro, aos 85 anos de existência e 66 de Vida Religiosa Consagrada, entregou sua vida ao Senhor que certamente a acolheu no Reino dos Céus dizendo: “Vem, és minha!”


Querida Irmã Elvira, louvamos a Deus pelo dom da tua vida. Queremos te agradecer porque fizeste dela um dom aos irmãos e irmãs. Agora, junto de Deus e em companhia de tantas Irmãs que já partiram para o Pai, intercede por nós, Congregação, teus familiares, suplica a Deus que dê à sua Igreja vocações sacerdotais e religiosas. E na saudade, te dizemos: descansa na paz e no amor de Deus!


Garibaldi, 17 de dezembro de 2018.






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