Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Virginia da Imaculada Scapin

 18/11/1925     22/11/2018



Província da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil

      Núcleo Santíssima Trindade    

                                                                                       Irmã Virginia da Imaculada Scapin

                                                                                                        * 18/11/1925

                                                                                                                                   + 22/11/2018

 

 

 “Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes”! (Mt 25, 40).

 

Clelia Scapin nasceu em São Paulo – SP, no dia 18/11/1925, sendo filha do Sr. Victorio Scapin e de D. Virginia Scapin. Foi caçula de oito irmãos, cinco mulheres e três homens. Foi batizada no alvorecer de um Ano Novo, a 1° de janeiro de 1926, com o nome de Clélia.

 

Irmã Virgínia conheceu as Irmãs de São José no Colégio São José de São Paulo, onde fez todos os seus estudos: Cursos Primário, Ginasial e Secretariado. Já trabalhava profissionalmente como secretária quando decidiu ser religiosa comprometendo sua vida no seguimento de Jesus. Comunicou aos pais sua decisão, eles ficaram com um pé atrás, mas acabaram cedendo e Clelia entrou para o Noviciado das Irmãs de São José, em Itu, no dia 13/01/1954 e recebeu o hábito no dia 30 de julho de 1954, com o nome de Irmã Virgínia da Imaculada. Fez seus primeiros votos no dia 08/08/1956 e a profissão definitiva no dia 15/08/1961.

 

Irmã Virgínia serviu na Congregação, especialmente como exímia secretária, prestando este serviço em vários colégios. Em 1977, concluiu o curso de Pedagogia nas Faculdades de Educação Piratininga em São Paulo - SP. Com esta formação, trabalhou como professora e também assumiu cargo de Direção de Escolas.  De 1969 a 1983 foi Superiora e Diretora do Seminário da Glória, uma Instituição Pública, Estadual, em sistema de internato, para educação de meninas pobres e órfãs. O Governo do Estado confiara a Direção do Seminário da Glória às Irmãs de São José de Chambéry, em Lei assinada no ano 1870. Na época, assumir esta instituição era um desafio e tanto. 

 

Leda Maria Franco, ex-aluna do Seminário da Glória testemunha:  “Enquanto Diretora, Irmã Virgínia foi doce e firme. Apoiava incentivando todas as nossas iniciativas durante o mês missionário, na Campanha da Fraternidade e em outros eventos. Também incentivava a Equipe de Voleibol, da Fanfarra e era sempre muito presente junto às alunas. Colaborou para que no Seminário da Glória fossemos uma verdadeira Família Educacional. Sinto imensa gratidão e alegria em ter tido Irmã Virgínia como Diretora, Irmã e amiga. Deus a tenha na sua glória.  Meus sentimentos enquanto celebro com vocês sua presença discreta e suave na família religiosa”.

 

Irmã Virgínia colaborou com a Província assumindo várias vezes o serviço de Coordenadora de Comunidade, testemunhando e incentivando sempre a vivência do carisma de comunhão e de nossa espiritualidade. 

 

Porém, onde Irmã Virgínia se doou especialmente e com dedicação sem limites, foi na, hoje chamada Escola Filantrópica Tabor, na Zona Leste de São Paulo. Irmã Virgínia fez parte do trio inicial desta missão: Irmã Yara Moraes Passos (falecida), Irmã Maria Amália Mathias e ela, Irmã Virgínia da Imaculada. O local, ao lado de uma favela, era uma chácara com casa de encontros para a antiga Cruzada infantil e estava no maior abandono quando D. Luciano Mendes de Almeida levou as três Irmãs para conhecê-lo. D. Luciano pensava em antes preparar a casa, mas de imediato as Irmãs responderam: “Não precisa. É aqui que nós já vamos ficar”. E começaram. Primeiro vieram 17 crianças da favela... Com paciência, pouco a pouco, elas “criaram” o Tabor, uma obra que chegou a atender em diversas modalidades, cerca de 1400 crianças e jovens da favela e arredores. Com a comunidade, foi aí que conviveu Irmã Virginia no meio dos pobres. Sofreu insegurança, foi vítima de assaltos, mas também colheu muitas alegrias partilhando e promovendo a vida do povo mais necessitado das periferias. Quando as enchentes castigavam a favela, as Irmãs não tinham dúvidas: Abrigavam e alimentavam nas dependências do Tabor todo o povo desalojado, até baixarem as águas. Foi esse povo querido da Zona Leste de São Paulo que mereceu de Irmã Virgínia, o melhor de suas forças, por 25 longos anos, de 1984 a 2009. Um álbum de memória destes 25 anos, registra essa bela história.

 

Chegava para Irmã Virgínia, o tempo de assumir nova etapa da vida. Com Irmã Yara, foi transferida para a Comunidade, iniciada no Lar dos Velhinhos em Piracicaba, onde ficou até 2011. De Piracicaba esteve um tempo no Patrocínio, em Itu. E em seguida foi transferida para a Casa de Repouso São José, no Taboão da Serra.

 

No último dia 18 de novembro, Irmã Virgínia ainda comemorou seus 93 anos, mas precisou de ajuda para apagar a velinha do bolo. Na tarde do dia 22, o Pai veio chamá-la para celebrar a festa da vida em plenitude, junto do Senhor a quem sempre amou e serviu no “querido próximo”.

 

Querida, Irmã Virgínia, nas alegrias do paraíso, lembre-se de nós, peregrinas/os.

 










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