Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Imã Joana Margarida Gasperrin

 18/10/1930     13/04/2013



Congregação das Irmãs de São José de Chambéry
Província de Caxias do Sul e
Região Norte/Nordeste do Brasil


 IR. JOANA MARGARIDA
(Onorina Gasparin)


* 18/10/1930
+ 13/04/2013

“Eu te exalto, meu Deus, meu Rei, e bendigo o teu nome para sempre e eternamente”.

Onorina Gasparin nasceu no dia 18 de outubro de 1930. Recebeu na Congregação o nome de Ir. Joana Margarida. Natural de Veranópolis, Capela São Valentim. Filha de João e Margarida Matiello Gasparin. Ir. Joana Margarida, em suas anotações, assim se expressa: “Tive um pai que me amou e doou seus dias, seus anos sem medir. Rezava, trabalhava,cantava e nos acompanhava em tudo. Aos domingos, montado numa mula, fosse frio ou calor, lá ia para a missa ou na capela para a reza do terço e acompanhar nossa catequese. Minha Mãe foi a mulher forte e corajosa, criou 15 filhos dos quais eu sou a décima primeira.”
Na convivência familiar, Ir. Joana Margarida sentia-se privilegiada. Recebeu o batismo, a crisma e aos seis anos fez a primeirra Eucaristia na capela São Valentim. Viveu uma infância muito alegre no aconchego da família, no encontro com amigas nas festas e na escola. Na família, todas as noites, o pai após o terço, rezava um Pai Nosso pelos Padres e Freiras, para que nunca faltassem. Crescendo neste clima, a vocação à Vida Consagrada encontrou na jovem Onorina terreno propício para se manifestar e crescer. Também, o que contribuiu para alimentar e concretizar seu desejo de ser Irmã foi o testemunho de outras jovens que já estavam com as Irmãs de São Carlos e São José. Assim a graça de Deus ia trabalhando e uma de suas irmãs foi para o convento, abrindo a porta. Sem exitar, aos 12 anos ingressou no Juvenato do Colégio Regina Coeli, em Veranópolis.
No dia 18 de fevereiro de 1948, iniciou a etapa do Postulantado e, em outubro deste mesmo ano, foi admitida ao Noviciado. Fez seu primeiro engajamento no dia 17 de outubro de 1950 e o definitivo em 11 de fevereiro de 1956.
Irmã Joana Margarida, nas comunidades por onde passou e trabalhou, semeou muita alegria, deixou coisas novas, amizade e saudade. Esteve em São Marcos, Flores da Cunha, onde fez parte do coral “Di Trento”, marcando presença muito significativa na Paróquia, dando atenção às lideranças, à catequese, liturgia e outras atividades da comunidade. Ao mesmo tempo trabalhou na educação em escolas da Congregação e outras, dando sempre grande parte do seu tempo na Pastoral Paroquial.
No projeto de Deus, Irmã Joana Margarida estava sendo preparada para servir aos irmãos em Estados mais carentes. Foi quando, em 1984, ouviu um chamado especial, ao qual não resistiu em dar sua resposta ao convite que lhe foi feito para ir à missão na Região Norte/Nordeste. Lá, no Estado do Maranhão, permaneceu seis anos nas cidades de Riachão, Paraibano e São Domingos do Maranhão. Deixando o Maranhão, em 1995 foi para a Bahia, onde integrou a comunidade de Remanso. Nesta realidade, nem o forte calor e a seca limitaram seu grande elã pelo Reino de Deus. Seu jeito simples cativava e conquistava as pessoas semeando alegria e entusiasmo.
Nas paróquias sempre foi uma presença de apoio e ajuda aos sacerdotes. Para ela, isso era motivo de alegria, louvor e gratidão a Deus. Assim se expressa: “Louvado seja Deus para sempre e que tenhamos bons e dinâmicos padres em todo mundo”.
Chegando em Remanso, encontrou pessoas que gostavam de cantar, dançar e tocar. Foi quando ela se dedicou com muito carinho à Infância Missionária, desenvolvendo a arte através de cantos, encenações bíblicas e danças. Colocou seus dons a serviço do Reino de Deus em todos os lugares por onde passou.
Irmã Joana Margarida encontrava ânimo e força no cultivo da oração pessoal diária e comunitária, na leitura orante da Bíblia, nos retiros, na formação permanente e no testemunho dos outros. Tinha muito presente a Espiritualidade e o Carisma da Irmã de São José.
Dizia ela: “Esforçar-me-ei para ser como Jesus, uma pessoa que faz o bem, ainda que isto me custe sofrimento”. Esta ideia-força do nosso fundador, Pe. Jean Pierre Médaille, iluminava sua caminhada em seu modo de ser e agir.
Em Remanso, assim se expressam os grupos de pastorais:
“Irmã Joana Margarida, na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário se doou por inteiro, com dedicação, alegria, responsabilidade e muito amor. Ela é exemplo de amor, doação e perseverança, pois nos transmitiu força e coragem para que saibamos usar nossos dons para servir o próximo.
Podemos afirmar que Irmã Joana Margarida contribuiu muito:
• Como Mãe da catequese paroquial, diocesana e da Infância Missionária.
• Como Mãe da música, iniciou com as crianças das periferias, da sede e da Associação São José de Remanso, a formação musical. “Para desenvolver esta formação, ela sempre contou com o apoio financeiro de familiares e de pessoas amigas de Flores da Cunha e região”.
• Incentivou e colaborou significativamente na criação do coral Santa Cecilia – com quatro grupos – uma valiosa contribuição na Pastoral Litúrgica.
• Acompanhava com carinho os Centros Comunitários e Vilas e iniciou o Grupo de Leigos e Leigas do Pequeno Projeto. Marcava presença significativa nas Escolas através de contatos com as direções e professores, no apoio à Pastoral da Juventude, no acompanhamento da Animação Vocacional, na escuta e orientação de vida junto aos jovens e adultos.
Em meio a tanta seca, Irmã Joana Margarida, pela comunidade das Irmãs, animava as parcerias na construção de cisternas, distribuição de sementes e mudas. É uma filha fiel de São José; semeou a boa semente, muitas delas já floresceram e produziram frutos, outras estão brotando. Cabe a nós a obrigação de regar e adubar estas sementes com a nossa fé, o nosso amor-serviço, dando continuidade na colheita dos bons frutos.
Ao celebrar seus 60 anos de Vida Religiosa Consagrada, deixou às jovens e leigos e leigas do Pequeno Projeto uma mensagem: “Deixem-se iluminar e guiar pelo Espírito Santo e sigam o que Ele prepara para cada um e cada uma. Só assim, alcançaremos a verdadeira felicidade aqui e além”e termina com esta prece:
“Ó Senhor, minha força, tende piedade de mim e vinde depressa em meu auxílio.”
Nas dificuldades dizia: “Se os outros venceram por que eu não? – Coragem, eu venci o mundo! (Jo 13,33) De coração agradeço a Deus, à minha família, à Congregação e a todos os que fizeram caminho comigo”.
Depois de uma longa e laboriosa caminhada em Remanso, Bahia, sua saúde foi enfraquecendo, necessitando de cuidados especiais. Voltou para o Sul, em fevereiro deste ano, integrando a Comunidade da Casa Nazaré, em Caxias do Sul.
Agradecemos a Deus por termos tido a oportunidade de convivermos com Ir. Joana Margarida e agora, junto de Deus, pedimos que ela interceda por todos nós, por seus familiares, pelas pessoas que amou e serviu.
Obrigada, Ir. Joana Margarida, missionária do amor e da comunhão. Seja feliz e goze das alegrias eternas, onde esperamos nos encontrar um dia!

Caxias do Sul, 14 de abril de 2013.
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