Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
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Vidas que inspiram comunhão
“À sua passagem, o vale de aridez se muda em fonte”.

Irmã Ida de Jesus – Maria do Carmo Oliveira

* 05/12/1924                      +01/12/1995

“À sua passagem, o vale de aridez se muda em fonte”.

O advento de 1924, a 05 de dezembro, na cidade paulista de Fartura, acendeu-se uma luzinha na família, antecipando o Natal do Senhor, a menina Maria do Carmo, carinhosamente chamada de Carminha. Essa luz cresceu tanto que continuou a brilhar no céu, mais luminoso ainda, em 1º de dezembro de 1995. Filha de João Batista de Oliveira e Ida Bertoni de Oliveira, foi bebendo no leite materno, a fortaleza espiritual de sua mãe, a bondade misericordiosa do pai, a alegria e o amor fraterno dos irmãos e irmãs, herdando desta família um autêntico cristianismo, voltado para as pessoas e suas necessidades. Irmã Ida contava que seu pai, proprietário de uma farmácia, fornecia sem medida e indiscriminadamente, medicamentos gratuitos para os pobres da região. Ele soube passar esta liberalidade aos filhos. Carminha herdou esta herança familiar.

 

Em 18 de fevereiro de 1995, a consagração batismal selou para sempre em seu coração a presença e o amor de Deus, até que recebeu a Eucaristia pela primeira vez, a atração irresistível por Jesus, já a levava a manifestar o grande zelo apostólico. Desde criança se fez catequista e pregadora da Palavra. Fez seus primeiros estudos em Fartura em meio a família que amava com grande ternura e cujo amor crescia sempre mais à medida que a família também crescia. Seu curso de magistério foi feito no colégio Nossa Senhora do Patrocínio em Itú, São Paulo. Era inteligentíssima e muito estudiosa, foi sempre alma brilhante, mas impressionava muito pela sua grande e sincera piedade.

 

Em 17 de julho de 1943, com 19 anos ingressou no noviciado das Irmãs de São José de Chambéry, recebendo após 06 meses o hábito da Congregação e o nome da Irmã Ida de Jesus. Deu pleno sentido a este nome, com uma ida constante a Jesus cheia de fervor. Guardou este nome mesmo quando foi oferecida a possibilidade de voltar ao nome de batismo. Tudo na Irmã Ida era interiorizado e aprofundado com intensidade e, pode-se imaginar como deixou-se moldar pela formação que recebia no noviciado, imbuindo-se do espírito da Congregação com amor e entusiasmo. Fez seus primeiros votos a 29 de janeiro de 1949, expressando publicamente, nesta solenidade, o que já havia em seu coração. Sua profissão sempre acolhida como missão, foi a de professora, estendendo-se as áreas: Orientação Educacional, administração, sociologia e francês. Como auxiliar de mestra de noviças, logo depois da profissão, passou às noviças seu empenho de fidelidade, amor e entusiasmo pela vocação com o nome de pastora, que era dada a esta função. Como professora, marcou muito as alunas, que guardaram dela admiração e grande amizade conforme a expressão de uma delas: Como ex-aluna de Irmã Ida, quero dizer bem alto o seu empenho e sua dedicação na sala de aula. Além de uma excelente professora tornava-se amiga, sempre pronta a ajudar. Sabia fazer das lições um momento alegre, entusiástico, valorizando cada aluna, sobretudo as mais fracas. No Patrocínio, enquanto havia internato, era a animadora dos jogos de volley, promovendo torneios que mobilizavam todas as turmas, quer para jogar, quer para uma torcida alegre.

 

Em 1962, foi aberto em São Paulo uma escola de Ciências Religiosas e Pastoral, em nível superior, MATER CHRISTI. Irmã Ida foi escolhida para cursar a primeira turma, cujos professores eram teólogos nacionais e estrangeiros, com temas conciliares, além do programa sério e denso. As aulas e os estudos para Irmã Ida eram momento de oração contemplativa, sem lhe tirar a possibilidade de achar tempo para o apostolado: preparar jovens japoneses para o batismo e acudir, como podia, os sofredores de rua que encontrava em seu caminho.

 

Em 1965, foi nomeada mestra de junioristas. Segue o depoimento de uma juniorista, tendo-a como Mestra na etapa: Nesta missão, tive o privilégio de experimentar muito de perto, sua imensa compreensão e respeito pela caminhada de cada uma das Irmãs. Não media esforços e gastava todo o seu tempo para acompanhar as jovens e para oferecer o melhor conteúdo nas aulas, que dava entusiasticamente: Teologia, Espiritualidade, Carisma etc. Quanta riqueza partilhada. Quanto entusiasmo despertado para o serviço e a missão. Quanto apoio fraterno para crescimento e a superação das dificuldades. Isto é testemunho dado tanto pelas junioristas como as que deixaram a Vida Religiosa.

 

Viveu, neste tempo, momentos difíceis na saúde, inclusive necessitou de algumas cirurgias. Partilhava como se entregava a Deus nestas horas difíceis e incertas. Dizia-nos como rezar nestas ocasiões: “Aproveita, Senhor, agora, para realizar em mim teu plano de amor, forma no meu ser, os teus traços através desta dor.”

 

Fazia eco a um canto que nos ensinara para as aulas de formação: Faze ó Pai refletir em mim a luz de Cristo e minha vida aparecerá na tua verdade.

 

Oferecer-te minha vida ó Cristo, Imagem do Pai, só poderei se em tuas mãos tua a tomares”

 

Em 1968, foi também mestra de noviças e nesta função foi chamada à França para as primeiras versões das novas Constituições e ajudar a preparar o Capítulo Geral de “aggiornamento” em 1969. Participou deste Capítulo como auditora e foi eleita Conselheira Geral. Nesta função, teve oportunidade de oferecer e partilhar os seus grandes dons, sobretudo o seu Carisma particular de relacionamento. O grupo do Governo Geral desta época foi um grupo muito aberto, favorecendo experiências em vista do “aggiornamento” e volta às fontes. A contribuição de Irmã Ida foi marcante, nas Províncias que visitava. Ir Ida tinha um coração sem fronteiras. Sabia acolher cordialmente qualquer pessoa que dela se aproximava com o mesmo sorriso e o mesmo amor. Em Roma, além de participar dos estudos e reflexões das Congregações e estabelecer contatos muito enriquecedores para a nossa Congregação; foi cofundadora do grupo Latino Americano que até os dias de hoje é muito expressivo, inspirando também o grupo de brasileiras.

 

As cartas de condolências, por ocasião de sua partida pra junto de Deus, enviadas à Província, pelas Províncias da Europa e do Brasil, expressam muita gratidão à Irmã Ida, pela contribuição que ela deu a toda a Congregação, quer por sua pessoa, quer pela sua comunicação e conteúdo oferecidos nos 11 anos de mandato como Conselheira Geral.

 

Em 1980, Irmã Ida permaneceu em Roma e França fazendo uma pesquisa sobre formação e oferecendo a toda a Congregação um opúsculo atual ainda: “Notas sobre Formação”.

 

Voltando ao Brasil, trabalhou por um ano em Brasília no CENFI, Centro de Formação Internacional para Missionários. Por dois anos, colaborou na casa de formação e em 1984, foi eleita Conselheira Provincial. Após 8 anos, deixou o Conselho Provincial e sentia que seu coração teria que se transbordar no meio do povo simples e humilde, expressando ao Conselho Provincial o seu desejo de ir à periferia de Goiânia, para um trabalho pastoral junto com o povo pobre e simples.

 

Voltando a São Paulo, por causa de sua saúde debilitada, agora vai viver com grande intensidade sua vida espiritual e suas amizades... Continuou seu amor ao Carisma e sua dedicação às pessoas. Sua última comunidade foi o Patrocínio, que ela considerava com carinho a “Casa Mãe”.

 

Estar perto de Irmã Ida era ter uma certeza: encontrar sempre um coração solidário, amigo e fraterno que deixava seus próprios interesses e cuidava com carinho dos outros.

 

Irmã Ida deixou entre nós o perfume do Carisma, pois o exalava no seu cotidiano através das relações que estabelecia nos mais diversos ambientes e realidades. Seu coração era grande e amável.

 

Aprendamos desta mulher e irmã que doou sua vida na Congregação a favor do querido próximo.

 

Irmã Ida intercede por nós, pela Congregação e pelo querido próximo.

 

 

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