Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
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Vidas que inspiram comunhão
Por sua vida deveras evangelizar, com muita paciência...

Irmã Cecília Inês Muraro (Gemma Theresa Muraro), nasceu em Flores da Cunha RS, no dia 29 de Julho de 1925. Fez seu noviciado em Garibaldi e os primeiros votos no dia 18 de outubro de 1943.

 

No fim de janeiro de 1944, seguiu para Pelotas com a Madre Maria Alice. Porém, mal começaram as aulas, precisou voltar para o Sévigné com tuberculose declarada.

 

A doença tomava conta dos dois pulmões e o físico dela (alta e magra) não favorecia a recuperação. Ali começou o seu calvário, que ela assumiu com muita coragem e plena confiança no Senhor. Irmã Cecília Inês viveu autenticamente a Máxima do Pequeno Projeto: “Deseja poucas coisas neste mundo, e o que desejares, deseja-o bem pouco, ou melhor, vive sem desejos e sem projetos, entrega-te com toda a confiança, à Providência de Deus Pai”. Nos cinco anos de primeiros votos lutou contra fortemente contra a doença.

 

Para facilitar a compressão do pulmão, foi submetida a várias cirurgias e até lhe extraíram cinco costelas. O que sofreu, só Deus sabe.       

                                                                                                                                                                           

Entregou-se nas mãos do Pai e assim se expressava: “O Pai distribuiu as tarefas, a mim coube esta doença. É minha missão por enquanto, devo cumpri-la com ardor e alegria”.

 

Em 1951, ela voltou a Porto Alegre, onde ficou um mês na chácara em Teresópolis, numa casinha onde ficavam as Irmãs tuberculosas sob os cuidados de Madre Matilde. Assim ela escreveu a sua irmã: “Minha irmã, nem pense em mim, sobretudo não faça a besteira de sofrer por mim. Pois você estaria cometendo um grande erro em pensar que estou sofrendo. Não derramei nenhuma lágrima (e, depois, não seria boba de chorar, pois não há ninguém para me consolar). Estou muito contente de fazer o que Jesus quer; que esteja aqui ou acolá, isso nada importa! Eu ganho o mesmo que vocês que se matam no trabalho. É Ele que distribui o trabalho a cada uma”.

 

Saindo de Teresópolis recuperada, Irmã Cecília Inês foi trabalhar no Hospital São Pedro de Garibaldi, RS.

 

No dia 01 de agosto de 1954, escreve para a sua Irmã Maria Inês. Eis alguns trechos dessa carta: “...Nosso Senhor gosta de me judiar. Mas não faz mal, pior para Ele, pois eu preciso de milagres, tenho a certeza de que está obrigado a fazê-los. Eu sempre fui a mais feliz do planeta e continuo sendo”.

Em 1960, Irmã Cecilia Inês passou a integrar a Comunidade do Hospital São Francisco-Concórdia-Santa Catarina, como coordenadora da comunidade. Ali cursou o ensino médio de contabilidade. No mesmo ano, passou uns meses em São Paulo, fazendo curso de Administração Hospitalar.

 

Em um momento significativo de mudanças na Igreja e no País - (Vaticano ll, na Igreja e ditadura militar, no país...) - foi eleita Superiora Provincial de Caxias do Sul/RS e soube discernir os sinais dos tempos. Encarnou em si os anseios de mudança e de fidelidade ao Evangelho e ao Carisma. Encorajou e levou adiante, com afinco, determinação e audácia, na Província, todo o processo de renovação em que a Congregação estava empenhada.

 

De 1966 a 1970, foram vividos momentos significativos na Congregação e nas Províncias:

Elaboração das novas Constituições e desta vez com a participação de todas as Irmãs.

Foi repensado todo o processo de formação inicial.

Houve mudança do hábito religioso para traje civil.

Início da formação de pequenas comunidades, descentralizadas das grandes obra (hospitais e colégios) e inseridas em outras áreas de missão. Abertura de comunidades missionárias no Nordeste e Centro Oeste do Brasil.

 

Irmã Cecília Inês deu o grito de partida para a renovação da Província de Caxias do Sul.

Aberta, acolhedora, lúcida e prudente, segura na iluminação que a envolve, buscava na oração-contemplação e nas pessoas, algo novo e belo aos olhos de Deus. Era uma seta a apontar o caminho pelo ser e agir.

 

Dizia: “Somos flores de um jardim, quanto mais bonitas, maior a alegria do Jardineiro”. “Deus nos ama tanto gratuitamente, é preciso dar-lhe todo o amor que podemos dar”. A gratuidade de Deus a comovia e a levava a uma profunda contemplação. Parece que ninguém passou despercebido ao seu lado. Mulher segundo o plano de Deus gerava vida onde passava. Irmã Cecília Inês tinha grande empenho em viver e nos ajudar a viver as duas dimensões: Filiação divina e fraternidade entre nós.

 

Seu dinamismo missionário, a levou a promover o “Grande Encontro” de todas as Irmãs, de 17 a 28 de dezembro de 1967. Despertou e incentivou o espírito missionário, dando respostas aos inúmeros pedidos de missionárias, para Mato Grosso, Bahia e Maranhão.

Em 1969, ao enviar as Irmãs missionárias, Ir. Cecília Inês escreveu a elas uma carta.

 

Caxias do Sul,10/02/1960

Queridas Irmãs missionárias!

Nossa Congregação, fazendo parte da Igreja Peregrina, que é por natureza missionária, como Jesus enviou os apóstolos, envia também suas filhas “onde a Igreja mais necessita e onde ninguém vai”.

 

Atendendo aos pedidos da Igreja, com satisfação vemos realizar-se também o desejo do fundador, de dilatar os espaços de caridade.

 

As Irmãs, indo para o Nordeste, vão realizar o desígnio do Pai que quer congregar num só amor todos os povos. Vão para realizar a missão do Filho, que foi enviado para evangelizar os pobres e salvar a todos. Vão cumprir a missão de Espírito Santo, que por todos os tempos, unifica a Igreja na comunhão e no ministério, dotando-a com vários dons. Como missionárias, Irmãs de São José, com amor de filhas, vão em seguimento a Cristo Pobre, Casto e Obediente no serviço e na imolação de si mesmo até a morte da qual Ele saiu vitorioso por sua Ressurreição. Ao serem enviadas, as missionárias entram na vida e na missão daquele que se aniquilou a Si mesmo, tomando a forma de Servo (Fl.2,7).

 

Por isso, deve estar preparada a dedicar a vida à sua vocação, a renunciar a si mesma e a tudo o que até então considerou seu, e a fazer-se para todos - (1Cor 9,22).

 

Anunciando o Evangelho entre os povos, com confiança, torna conhecido o mistério de Cristo em cujo nome exerce sua delegação, seguindo as pegadas de seu Mestre “manso e humilde de coração”, mostrando que “seu jugo é suave e o peso é leve”(Mt 11,29). Por sua vida deveras evangélica, com muita paciência, com longanimidade, suavidade e em caridade não fingida (cf 2Cor 6,4-6), dá testemunho ao seu Senhor, se necessário, até a efusão do sangue.

 

Deus dará as virtudes e a fortaleza para conhecer que a abundância do gozo consiste na intensa experiência de tribulação e da altíssima pobreza para espalharem generosamente e com transbordante alegria os tesouros de sua liberdade (cf 2Cor 8,2).

 

Os arautos do Evangelho, para não negligenciarem a graça que neles há, renovem cada dia espiritualmente a sua mentalidade (cf 1Tm 4,14).

 

A missionária deve ser pronta no começar, constante no completar as tarefas, perseverante nas dificuldades, suportando pacientemente e com coragem a solidão, fadiga, o trabalho sem frutos. Generosamente vá ao encontro das pessoas. Adapte-se totalmente aos costumes estranhos dos povos e ás condições. Na mútua caridade e na concórdia, colaborem com os irmãos e com todos os que se dedicam ao mesmo tempo, para que unidos e fiéis, à imitação da comunidade apostólica, tenham um só coração e uma só alma (cf At 2,42). Imbuídas de fé viva e esperança inabalável seja a missionária uma pessoa de oração. Arda no Espírito de fortaleza, amor e sabedoria (cf 2Tm 1,7).

 

Aprenda a contentar-se com a situação (cf Fl 4,11). Em espírito de sacrifício leve em si a morte de Jesus, para que a vida de Jesus opere na vida daqueles aos quais é enviada (cf 2Cor 4,10).

 

De boa vontade tudo gaste e se desgaste a si mesma pela reza das almas (cf  2Cor 12,15) para diariamente exercendo seu ofício cresça no amor de Deus e do próximo (LG). Deste modo, obedecendo com Cristo a vontade do Pai, continue, querida Irmã, a sua missão sob a autêntica hierarquia da Igreja, cooperando no Ministério da Salvação.

 

A todas a minha saudação cordial no Cristo com votos de Feliz Ação Missionária”.

Irmã Cecília Inês – Superiora Provincial.

 

Em 1978, Irmã Cecília Inês integrou a região do Maranhão, residindo em Balsas.

 

Foram nove anos de presença, atuação e testemunho. Como profissional, deu uma inestimável colaboração à Diocese de Balsas, implantando o processo contábil e organizando o patrimônio. Como sofreu nesta empreitada!  Quem conheceu a realidade local, a retidão de Irmã Cecília Inês e sua eficiência profissional, pode imaginar as dificuldades que ela enfrentou. Mas, em poucos anos, deixou tudo organizado.

 

Além da sobrecarga do trabalho, ajudou a Diocese a amparar legalmente os seus funcionários no que dizia respeito à documentação, direitos trabalhistas e previdenciários.

 

“Nós fomos testemunhas das caminhadas de Irmã Cecília Inês até o bairro Cajueiro, no sol causticante da tarde, para visitar as famílias, organizá-las em círculos bíblicos, encorajar as catequistas, animar a oração na comunidade”.

 

No período de 1977 a 1984, as comunidades do Maranhão passaram por momentos difíceis e até conflitivos. Irmã Cecília Inês, com sua autenticidade, retidão, escuta e discernimento foi interlocutora importante na consolidação da comunhão entre todas as Irmãs. Em 1988, Irmã Cecília Inês deixou Balsas para integrar a comunidade de São Luís, com uma nova tarefa: organizar a Associação das Irmãs de São José - Província do Maranhão. Em julho de 1990, sentindo fortes dores na coluna, partiu para Recife para buscar tratamento especializado. Partiu sem se despir, na esperança de logo voltar. Mas, o problema não era a coluna! Um câncer estava dizimado em seu corpo. Foi necessário procurar outros meios. Foi então para São Paulo. Já estava paralisada... não mais caminhava. Dependia dos cuidados de suas Irmãs.

 

No dia 22 de setembro de 1990, pelas 21 horas, a face de Deus não era mais uma experiência de fé, mas uma realidade para Irmã Cecília Inês, a missionária do Pai!

 

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