Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Fale Conosco
Vidas que inspiram comunhão
Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração

O BRILHO DA BONDADE

IRMÃ MARA EUGÊNIA

Amabile Benetti

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29).

Na comunidade Bom Conselho, distante 12 km de Sananduva, RS, nasceu, em 20 de maio de 1913, Amabile, filha de Eugênio Benetti e de Francisca Michelin, sendo a caçula entre três rapazes e nove moças.

Era uma família alicerçada na fé, acolhia e hospedava os sacerdotes, quando iam celebrar em sua comunidade ou nas comunidades próximas.

Como residia perto da apela, a família assumiu tudo o que diz respeito à mesma: limpeza, cuidado com as alfaias, ornamentação, reza do terço, culto...

O pai, muito carinhoso, contava à pequena Amabile, que os freis Capuchinhos pregavam missões e ensinavam a doutrina cristã ao pov. Espontaneamente a pequena lhe disse: “Eu também quero ser frei”.

O Senhor da seara pousou seu olhar nesta abençoada família, escolhendo 4 (quatro) de suas filhas para seu serviço, na Vida Religiosa: Irmã Saint Joseph, Irmã Madalena Sofia, Irmã Maria de Lourdes e Irmã Maria Eugênia.

Aos 17 anos, Amabile ingressou na Congregação das Irmãs de São José, em Garibaldi. Em julho de 1930 iniciou o tempo forte de formação – o Noviciado, recebendo o nome de Irmã Maria Eugênia. Após esse período, vivido com muito fervor, em 17 de julho de 1931 fez seus primeiros votos e foi enviada em missão, como professora, na escola de Montenegro.

Exerceu esta mesma missão em Carlos Barbosa, Garibaldi, Pinto Bandeira, São Marcos, Rio Grande, Segredo, Marcelino Ramos e Porto Alegre. Com que carinho e ternura se relacionava com as crianças e seus pais!

Em 24 de outubro de 1963, o Conselho Geral aprovou o projeto temporário da nova Província de Lagoa Vermelha, ou seja, o período de experiência. Irmã Maria Eugênia foi designada para ser a primeira superiora provincial. Mesmo desconhecendo totalmente a realidade assumiu essa responsabilidade com as conselheiras, também designadas em 17 de janeiro de 1964.

Exerceu esta função por 6 (seis) anos, sendo reeleita por mais um mandato. Após esse 2º mandato, foi eleita Conselheira Provincial. Em 1973, novamente foi eleita superiora Provincial por um período de 3 (três) anos.

Irmã Maria Eugênia marcou todas as Irmãs da Província pela sua bondade, acolhimento, compreensão e abertura frente às necessidades da realidade local e da Província e fora dela.

Falando de seus primeiros anos de vida religiosa, Irmã Maria Eugênia guardou uma recordação profunda da venerável Madre Justina Inês que, face uma grande dificuldade em que se encontrava lhe disse: “Vai, prossiga, porque o bom Deus faz milagres”.

Uma senhora a quem Irmã Maria Eugênia ajudou a sair de uma situação caótica em que se encontrava, assim se expressou: “Deus opera suas maravilhas em lugares inesperados, através de pessoas estranhas e em ocasiões imprevisíveis”.

Após um encontro, revelou algo de seu íntimo: “Desejo viver a cordial caridade na gratuidade e dar atenção especial aos tempos fortes de oração, de partilhas de experiências”.

Em suas anotações lemos:

- pelos pais que tive, exemplos de fé, justiça e caridade;

- pelo chamado à Vida Religiosa;

- pelo carinho, compreensão e amor das Irmãs com quem convivi;

- por todas as graças que recebi, por aqueles que procuram viver a justiça e fazem o bem;

- por minhas limitações que me ajudam a viver a humildade.

Quando Irmã Maria Eugênia soube de sua designação para ser Superiora Provincial da novel Província de Lagoa Vermelha, foi à capela e diante do Santíssimo, e batendo no Tabernáculo reclamou do Senhor: “Por que eu? Mas por que?” E, por fim, se entrega: “Faça-se a tua vontade”.

Em sua idade avançada, ainda gosta de ler jornais, ouvir notícias, estar por dentro da realidade, trazendo-a para a oração.

Irmã Maria Eugênia alimentou um sonho: Não dar trabalho para ninguém.

Dizia ela: “Sonho também em ver a Província vivendo uma profunda comunhão e as Irmãs assumindo com autenticidade sua vida consagrada, com novo elã, entusiasmo, coragem e audácia, não tendo medo do sacrifício.

Sonho com uma nova sociedade justa, fraterna, solidária, segundo o projeto do Pai.

Sonho em ver as jovens vocacionadas apaixonadas por Jesus Cristo e seu Reino”.

 

Sempre interessada pela vida e missão da Província, já enfraquecida pela idade e sua saúde abalando-se pouco a pouco, necessitou de maiores cuidados. No final de 2004, passou a integrar a comunidade de São José do patrocínio.

Na simplicidade e, humildade, foi aceitando e se entregando no ‘faça-se a tua vontade’.

Todas as Irmãs lhe são agradecidas pelo alicerce que colocou na Província em seus primeiros anos de formação. Hoje, ela continua sendo rocha viva, formada pelos longos anos de dura caminhada, conduzindo, muitas vezes, pelo deserto a Província em formação, pelo exemplo de firmeza no carregar a cruz de cada dia. “Quotidie moris” (Cada dia morre-se um pouco), era a frase que seguidamente repetia e “Avanti co la croceta que la procession lé longa”. (Avante com a cruzinha, pois a procissão é longa).

Apesar dos limites de sua memória, alegrava-se com o que ia acontecendo e com carinho, acolhia as Irmãs que a visitavam.

 

Irmã Maria Eugênia aprendeu realmente a mansidão do Divino Mestre Jesus e a irradiou para as pessoas que dela se aproximaram.

                                                                                                                                                    Faleceu em 13 de julho de 2011.

Galeria de imagens

(6 imagens)
Envie seu comentário
*Campos marcados com  barra são de preenchimento obrigatório.