Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
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01/06/2021
Uma “atitude unitiva” - Casa Comum

“Vou recordar as obras do Senhor, vou descrever aquilo que vi”. (Eclesiástico 42,15)      

 

O “cuidado da Casa Comum” é tão importante para o presente e o futuro da humanidade. Que todos os povos, cientistas e a humanidade toda devem ser mobilizados, para contribuir com essa causa, que diz respeito à sobrevivência de todo o cosmo e seus habitantes.

 

Essa convicção, confirma que a espiritualidade que alimenta a vida e missão da grande família das Irmãs de São José, vai além da experiência de ser religiosa, ela se expressa em “atitude unitiva” para com toda a criação.

 

Nossa raiz e nossa essência têm sua fonte nos Mistérios Trinitários, na Encarnação e na Eucaristia, relação de amor que, às vezes, nos move por dentro e, outras vezes, nos faz subir até às profundezas do céu. Podemos amar e ser amados, contemplar e glorificar o Criador, como “o sol brilhante contempla todas as coisas, e as obras do Senhor estão cheias da sua glória”. (Eclesiástico 42,16).

 

Segundo a Sagrada Escritura, somos a imagem de Deus que é Amor.  Sonhamos e vivemos a partir do amor. Quando olhamos ao redor, vemos muitas expressões, rostos e histórias desse amor que se expressam de diferentes formas: na amizade, no abraço, na paixão, na compaixão, na fé, na comida, na bebida, no trabalho e nos olhos que se contemplam ou, nas mãos que se ajudam. Por vezes, esta experiência de amor acontece na aceitação, no saber compartilhar a vida, no solicitar ajuda a quem confiamos, na ação de oferecer possibilidades, para que o outro encontre aconchego para a alma.

 

A Laudato Si nos diz que: “cada criatura tem uma função e nenhuma é supérflua. Todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. O solo, a água, as montanhas: tudo é carícia de Deus. A história da própria amizade com Deus se desenrola sempre num espaço geográfico que se torna um sinal muito pessoal, e cada um de nós guarda na memória lugares, cuja lembrança nos faz muito bem. Quem cresceu no meio de montes, quem na infância sentava-se junto ao riacho para beber água, ou quem jogava numa praça do seu bairro, quando volta a esses lugares sente-se chamado a repetir a sua própria identidade” (nº 84). “Sentir cada criatura, que canta o hino da sua existência, é viver jubilosamente no amor de Deus e na esperança” (85).

 

Assim, a “atitude unitiva” implica encontro, presença mesmo à distância, porque o amor que emana da Trindade encurta tempo e espaço.

 

Vivemos e nos relacionamos o tempo todo com a criação e desejamos este encontro de carinho, cuidado, respeito e inclusão de todos os que habitam a Casa Comum.

 

Sem sombra de dúvida, o amor é justiça, paz, integridade da criação. É compromisso e nos aproxima cada vez mais de uma consciência que ajuda a agir em favor da inclusão social e da pertença a esta Casa, lugar e espaço de todos.

 

Quando olhamos ao redor e vemos “o outro”, é um convite a pensar que não vivemos sozinhos, somos interdependentes, pois, “tudo está interligado como se fôssemos um, tudo está interligado nesta Casa Comum”. À luz da Trindade, nossa “atitude unitiva” é unir todas as coisas em “si”, com o “outro” e tudo em Deus.

 

A Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato Sí, que completou seu sexto aniversário, nos aponta para “o urgente desafio, que é proteger a nossa Casa Comum, que inclui a preocupação de unir a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da Casa Comum. O Papa deseja encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores de atividade humana, estão trabalhando para garantir a proteção da Casa que partilhamos. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos”. (nº13)

 

 

Vivemos em tempos sombrios, onde diferentes vírus desejam destruir a humanidade, seja através das mídias, dos líderes políticos descomprometidos, da fragilidade dos relacionamentos e das palavras que perderam o sentido e a credibilidade. Precisamos nos manter fortes em nossas convicções de pertencimento, de que tudo está intimamente interligado. Portanto, necessitamos criar uma cultura do cuidado, da inclusão e um estilo de vida solidário. O convite está lançado, é urgente renovar o diálogo sobre a maneira como estamos cuidando de nossa Casa Comum, “O Planeta Terra.”

 

 

Convido a saborear e contemplar, com todos os sentidos, a letra da canção de Pe. Cireneu Kuhn:

Tudo está interligado como se fôssemos um. Tudo está interligado nesta Casa Comum.

O cuidado com as flores do jardim.

Com as matas, os rios e mananciais.

O cuidado com ar e os biomas.

Com a terra e com os animais.

O cuidado com o ser em gestação.

Co´as crianças um amor especial.

O cuidado com doentes e idosos

Pelos pobres, opção preferencial.

A luta pelo pão de cada dia.

Por trabalho, saúde e educação.

A luta pra livrar-se do egoísmo.

E a luta contra toda corrupção.

O esforço contra o mal do consumismo.

A busca da verdade e do bem.

Valer-se do tempo de descanso.

Da beleza deste mundo e do além.

O diálogo na escola e na família

Entre povos, culturas, religiões.

Os saberes da ciência, da política

Da fé, da economia em comunhão.

O cuidado pelo eu e pelo tu.

Pela nossa ecologia integral

O cultivo do amor de São Francisco

Feito solidariedade universal.

 

Ir. Elisa Fátima Zuanazzi, ISJ

 

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