Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Artigos
07/12/2018
Oportunidades de mais vida

Isolene Baboni de Sena Silva

Diretora do Centro Promocional Madre Teodora

 

O Centro Promocional Madre Teodora (CPMT) tem origem remota na chegada das Irmãs de São José ao Brasil em 1858. O nome homenageia a Madre Maria Teodora Voiron, uma vida dedicada ao trabalho social e à educação. Em 1911, Madre Teodora fundou a Associação de Instrução Popular e Beneficência (SIPEB) que é a mantenedora do CPMT e de outras obras.  O CPMT é um projeto conforme as leis vigentes da Assistência Social. Em dois períodos, no contra turno escolar da rede pública de ensino, atende 260 crianças, de 6 a 11 anos, uma clientela em situação de vulnerabilidade social nas periferias de Itu/SP.

 

O objetivo é “ajudar as pessoas a ampliarem sua visão de mundo e a empreenderem seu projeto de vida, contribuindo para a transformação social e para relações justas e fraternas. Tudo isso dentro de um ambiente solidário, transformador e estimulador de geração de talentos”.  

 

Com as devidas competências, para alcançar o objetivo, os/as Educadores/as Sociais do CPMT, oferecem atividades socioeducativas como: Artesanato, Esportes, Informática, Jogos de Raciocínio, Educação para a Paz, Atenção Psicológica, Dança Circular, Complementação Pedagógica, Recreação. Oferece também oficinas de um Projeto do Centro Latino-americano de Estudos de Violência e Saúde (CLAVES), visando prevenção a maus tratos e abuso sexual. Há reuniões bimestrais com os pais e responsáveis.

 

Ao longo de tantos anos de serviço às pessoas em situação de vulnerabilidade social, muitas famílias têm histórias para contar e infinita gratidão pelo apoio recebido. Tal é a história de Marilucia Martins, que vem lá da década de 80...

 

Marilucia é uma de seis filhos de Maria Aparecida e Antônio Martins, família que mal sobrevivia numa casa de apenas dois cômodos, sem condições básicas de alimentação e vestuário. O pai trabalhava numa empresa, em cidade vizinha, só retornando à casa, nos finais de semana. A mãe trabalhava fazendo faxinas nas casas e deixava as crianças aos cuidados da filha mais velha, também uma criança.  Com certeza, menores sujeitos a riscos e perigos. Marilucia relata: “Aos 7 anos enquanto a mãe trabalhava, fugi para a rua e fui mordida por um cachorro. A sorte foi que uma vizinha veio me socorrer, me levou ao hospital e levei oito pontos no braço. Por ter sentido pena de mim, a vizinha me presenteou com uma sandália, a primeira que eu tive. Minha irmã mais velha se sentiu muito culpada”.

 

Sem qualquer apoio do governo, por sorte, cinco filhos do casal foram atendidos pelo CPMT e toda a família passou a ser assistida enquanto era incentivada a buscar seus próprios recursos. A realidade dura se impôs e aos 9 anos de idade, Marilucia, teve que ajudar a mãe nas faxinas para complementar a renda familiar. Aos 12 anos, já era empregada doméstica e nunca deixou de trabalhar.

 

Aos 26 anos, Marilucia tornou-se mãe solteira. Sempre batalhou para que seus filhos, Geovanna e Gabriel, ao contrário dela, tivessem todo o necessário e aprendessem a valorizar o que têm. Eles também tiveram a sorte de conseguir vaga no CPMT, onde a mãe, Marilucia passou a ser voluntária nas horas vagas.  Que alegria quando recebeu a proposta de ser contratada como Educadora Social! É que Marilucia, em meio à luta para sustentar os filhos, buscou se capacitar, cursando a Faculdade de Pedagogia, ainda a ser concluída.

 

Recordando sua história, Marilucia reconhece, emocionada, a contribuição recebida das Irmãs de São José para construir sua vida. Faltam palavras para expressar a profunda gratidão e amor pelo projeto do CPMT, lugar que sente como seu, onde é acolhida e amada. E onde, hoje, apesar de “crianças difíceis”, seus filhos, são acolhidos e educados pelas Irmãs e pela equipe.  Todas as chances lhe são oferecidas... e terão uma bela história de vida para contar.

 





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