Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Processo de Integração

 FICHA 1: APRESENTA A REALIDADE

Na leitura se destacam seis aspectos: como a facilitadora percebe a descrição dessa realidade; a clareza no horizonte que o grupo tem; as convicções profundas que parecem; a luz da Palavra junto a Elias; algumas expressões alentadoras; intuições do novo.
Realidade é realidade. Apresenta-se como é! Não adianta negá-la nem sublimá-la. Na leitura feita dos instrumentos que me chegaram às mãos percebe-se o olhar de vocês à realidade existente.



1. COMO PERCEBO A DESCRIÇÃO DESSA REALIDADE:

• Está “grávida” de vida. O problema é que “a árvore não deixa ver o bosque”. Por isso é “gravidez” ainda.
• Há vida na Espiritualidade que aflora, algumas vezes como satisfação, outras como desejo profundo. Se espremer este documento sai: espiritualidade, medo e esperança.
• É a Espiritualidade que marca esse grupo religioso desde os inícios: Encarnação, Eucaristia, Trindade Santa que leva à COMUNHÃO.
• Caminho claro que leva à fonte inicial: alusões constantes ao fundador e grupo inicial. “Saudade é o amor que ficou”.
• As estatísticas mexeram com o grupo: idades e poucas vocações, concentração em alguns lugares, “peso” das obras...
• A constatação do que existe provocou: tristeza, medo, angústia, preocupação, “indignação”, não ver muito a saída. Mas, ao mesmo tempo, gerou: alegria da pertença, da entrega, da interculturalidade “corre por nossas veias sangue indígena, afro, português, italiano, japonês, polonês, alemão, ucraniano, espanhol...”. Existem muitas habilidades e profissionalismo no grupo.
• Muitas vezes se expressa gratidão e esperança.
• Também se expressa um novo impulso para a missão desde um novo paradigma: “ser presença de Deus no mundo”, embora preocupe também o tema das atividades apostólicas e das obras. Veio a pergunta: até quando podemos levar adiante tantas obras e trabalhos?
• Aparece claro (embora poucas vezes) que o enfoque tem que ser o projeto de Jesus e não tanto a diminuição de forças.
• Formula-se a necessidade de uma nova maneira de viver o Carisma. Mas não se aprofunda nessa ideia.
• Aparece bastante o tema do “vírus” da decadência do amor primeiro. Os critérios do mundo nos afetam: individualismo, ter, poder, acomodação...
• Se fala em crise de fé, de espírito de competição na maneira de ver a realidade. Alguma expressa que se sente desvalorizada no grupo.
• Há desejos profundos de que todas se sintam incluídas no processo de se fazer a integração.
• É preciso conversão para ver que o esforço, por pequeno que seja, tem seu valor. Desejo de participar.
• Cansaço por refletir sempre e nunca sair do lugar. O novo não aparece.
• O desconhecido nos assusta. Temo que a querida Congregação corra o risco de extinção.
• A proposta de interprovincialidade está mais centrada em nós do que no Reino. Podemos salvar a Instituição e não ser fiéis ao Projeto de Deus.
• Estamos mais centradas nas Irmãs do que na missão.
• A situação é delicada para uma “reforma”.
• Apesar do medo ao novo, há disponibilidade de entrar no processo.



2. APARECE CLAREZA DO HORIZONTE:

- Ter claro o fundamento é essencial. Isto está claro. O que não aparece claro para o grupo é como “seguir na mesma direção” neste momento da história. Fala-se da necessidade de manter a mística, o profetismo, a espiritualidade carismática.
- Os Documentos iniciais da Congregação e as Constituições orientam o aminho e confirmam o que foi expresso na ficha 1.
     - Deixar-se interpretar pela Palavra de Deus, pelos apelos da Igreja, pelas necessidades dos pobres (C. 3).
     - É preciso deixar-se esvaziar-se de si mesmas (C. 16)
     - Ser capazes de discernimento e opções pessoais (C. 18).
     - Definição de Missão como manifestar a presença de Deus a todos (C. 20).
     - A partilha favorece a unidade a serviço da missão d(C. 30).
     - Somos responsáveis pela busca da vontade de Deus (C. 38).
     - A busca da vontade de deus traz consequências que é preciso assumir (C. 41).
     - Temos que ter disponibilidade para a inerência (C. 56).
     - Temos que participar ativamente nas decisões (C. 53). (As arquibancadas estão todas quebradas. É proibido, não participar).
     -Avaliação periódica e discernimento de presenças (C. 78). (qualquer decisão que for tomada necessita de avaliação).
- O desafio agora é saber aonde se quer chegar e traçar os passos do caminho. Quais seriam os passos?

- Tomar consciência da realidade e iluminá-la com a Palavra. Foi a tentativa de preparação deste seminário.
- Assumir o que essa realidade provocou em cada uma de nós e buscar saídas processuais.
- Deixar ir “o velho” deixar vir “o novo”.



3. APARECEM CONVICÇÕES PROFUNDAS

- A itinerancia é um legado. Temos que permanecer nela.
- Temos necessidade de parar, rever, analisar, escutar os apelos de Deus hoje. Mas a mudança acontecerá em pequenos grupos.
- Quanto mais me fortaleço na adesão ao corpo congregacional e provincial, mais me comprometo nas buscas e decisões comuns.
- A oração, o diálogo, a participação são necessários para ver bem.
- Deus vai à frente. A obra é dele. Nunca nos abandonou. Não nos abandonará agora.
- Deus não precisa de nós. Nós é que precisamos dele. O que nos pede é somente fidelidade na busca.
- É um sinal forte de Deus a “escuta coletiva”.
- A “viração” é graça, pois nos coloca em estado de pobreza e incapacidade diante da situação. Temos que aproveitar bem este momento.
- Somos chamadas a renunciar ao conhecido e dar o salto na fé. A leitura orante, a escuta de Deus nos ajudará.
- Se olharmos o processo como algo de Deus, estaremos dispostas a caminhar, mesmo que tudo não esteja claro.


4. A LUZ DA PALAVRA JUNTO A ELIAS

- Não recolho aqui tudo o que foi falado sobre a luz que a Palavra de Deus projetou no grupo. Percebi que a experiência de Elias provocou:
- Revisão de vida e de estado de ânimo.
- Encorajamento para fazer o caminho.
- Desejo de fidelidade e participação.
- Confiança na ação de Deus no meio do grupo.
- Mudança de paradigma sobre onde e como perceber a ação de Deus e encontrar-se com Ele.
- “Paz inquieta”. Comprometimento.
- Somos chamadas a renunciar ao conhecido e dar o salto na fé. A leitura orante, a escuta de Deus nos ajudará.
- Se olharmos o processo como algo de Deus, estaremos dispostas a caminhar, mesmo que tudo não esteja claro.
- Há uma expressão que me chamou a atenção. Dizia: “Elias estava preocupado com a situação organizacional. O sistema implantado já não correspondia às necessidades do povo. Um novo modelo tinha que ser implantado”. E puxa para o hoje: necessidade de novo modelo.
- Aparece, muitas vezes, o tema de “passar o manto” a outras pessoas, principalmente aos leigos e leigas.
- A fuga de Elias também tocou o grupo. Deus o encontra mesmo na fuga.
- Há uma chave de ouro, que aparece muitas vezes: DEIXAR DEUS SER DEUS EM MIM”.


5. ALGUMAS EXPRESSÔES ALENTADORAS:

• Apesar de minha idade, posso dar muito ainda.
• Embora confusa, desejo caminhar para encontrar o querer de Deus sobre nós.
• O que não podemos perder de vista é nosso ponto de partida: a dinâmica do Carisma.
• Ninguém pode ficar de fora. Todas temos algo para dar.
• Não perder de vista o chamado para além-fronteiras. (não misturemos as coisas todas juntas, Questão de metodologia).
• Não estou sozinha. Juntas podem realizar o inimaginável.


6. INTUINDO O NOVO:

• Repensar os lugares e as frentes de missão nessa realidade de sociedade e de mundo onde tantas respostas existem. Repensar a intuição carismática.
• Que os novos passos a dar não se fundamentem nos problemas de relações e nem na estabilidade profissional. (isto é importante, mas não podemos focar somente nisto)
• Ter em conta o que pode oferecer o laicato associado ao Carisma.
• As mudanças são penosas, mas necessárias. Estamos em outro mundo.
• Precisamos Interpretar os sinais e acolher a ação de Deus em nossa vida pessoal, comunitária e congregacional. Assumir “desconstruir” para poder construir.
• Saber priorizar necessidades e investir energias de maneira integrada.
• Preparar lideranças e exercer um governo “circular” onde todas possam participar com o que podem dar.
• O projeto de integração pode ser perturbador e desestabilizador para muitas de nós. Mas, poderá nascer algo novo, abençoado por Deus.
• Aceno para a Intercongregacionalidade (sem usar a expressão).


FICHA 2. - SEGUIR IMPULSIONANDO

O grupo expressa o que deve seguir sendo impulsionado. Destacam-se coisas interessantes:
1. O processo iniciado (cf. textos primitivos)
- Pequenas comunidades como fermento na massa. (Fala-se de comunidades compostas de 3 a 6 Irmãs).
- “Instituto Aniquilado”. Pequenas células no meio do mundo.
- A união das congregações (47). Elas se ajudam para anunciar a Boa Nova a todos os povos. (Intercongregacionalidade).
- A força da reestruturação que aparece no período de 1851 a 1991.

2. O caminho feito nos últimos anos
2.1. Em nível de organização e animação-governo
- As diversas equipe e comissões. Todas as existentes.
- A reunião anual dos Conselhos de Províncias e de Coordenadoras.
- A integração das Associações.
- Reunião das congregações a cada dois anos.
- O Plano de Formação inicial e continuada.
- As comunidades de inserção em meios populares e as comunidades Inter.
- A dinâmica de Planejamento de ações estratégicas.
- As missões de fronteiras e as clínicas naturalistas.
- Os grupos de LLPP e o Sexto Projeto.
- O acompanhamento vocacional.
- O grupo de História do Carisma e de resgate de nossa memória.
- Os projetos de missão interprovincial e internacional.
- O Projeto comum de finanças.
- Os Planos de saúde e as casas de saúde.
- A Equipe de Gestão Integrada.
- Os encontros de Imãs de gerações diferentes.
- A ONG “Associação Cidadania de São José”.


2.2. Em nível de mística e de atitudes

- A caminhada conjunta a partir do Projeto de Integração.
- A orientação da formação inicial e continuada.
- O fundo missionário e a colaboração entre os países.
- O sentido de partilha e ajuda apostólica. Colocar os bens econômicos a serviço de todas.
- Comunicação e conhecimento mútuo.
- Liderança comum, colegiada.
- Apostar pela vida em todos os nossos trabalhos e ações.
- A vivência do aprendido na formação.
- Perder o medo de compartilhar ideias.
- Mayor entrosamentos na questão administrativa dos bens e na itinerancia da missão.
- Manter a mística de Atos 2,42-47: ter tudo em comum.
- Colaborar na missão em outros países.
- Manter nosso Carisma de comunhão a serviço da vida.
- Intercomunicação geracional.
- Manter os olhos fixos em regiões de missão além-fronteira.
- Os temas comuns de retiros em todas as províncias e a união entre nós e o fortalecimento comunitário.
- Consciência de “corpo congregacional”.
- Fortalecimento da identidade e o sentido de pertença.
- Perdão pelos erros e acolhida do querer de Deus sobre nós hoje.
- Acolhida das decisões dos Capítulos Gerais (2009).
- Despertar o reencantamento e o amor primeiro.
- Cuidar do essencial em nossa vida, sem fugas nem justificações.
- Diálogo sereno e constante diante das mudanças.
- Despojamento do “sempre foi assim” para abrir-se ao novo que quer nascer.


3. PALAVRA DOS CAPÍTULOS GERAIS

Os Capítulos Gerais de 1997 e de 2003 nos desafiaram a implementar novas e flexíveis estruturas de organização e de governa da Congregação para gerar responsabilidade e vida. O Capítulo de 2009 reafirma a necessidade de dar continuidade a este processo em todos os níveis. DFCG-2009, p.8.


topo voltar