Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Processo de Integração


SEGUNDA FICHA:

Na segunda ficha fomos convidadas a refletir sobre isso, também com o Profeta Elias:
• Tomar consciência do que já temos em comum e o que precisamos fortalecer. O que essa constatação provoca em mim?
• Em quais dos aspectos me sinto mais chamada a implicar-me? Por quê?

Iluminar a realidade com a Palavra de Deus:
Nesta segunda ficha continuaremos orando com o texto sobre Elias. Ele partilhará conosco sua experiência de “espera de Deus e seu jeito original de se revelar”. O jeito de Deus não sempre se parece com o nosso. Muitas vezes queremos “dar ordem” a Deus ou “ensinar-lhe” como deve fazer. Mas, seus caminhos não são os nossos. Elias passou por um processo difícil como ele mesmo nos contará.

Elias continua partilhando sua experiência
Na solidão do deserto e no silêncio passei pelas provas mais difíceis: Deus queria revelar-se a mim, mas eu não estava preparado para acolher a sua presença. Minha vida estava orientada pelos critérios do passado e Deus é o ETERNO PRESENTE. Pensava que Ele podia revelar-se somente através da tempestade, do raio, do terremoto, do fogo... E Ele tinha outras formas de revelação.

Eu penava ser o “dono” da luta contra Baal. Estava convencido de que o combate à idolatria dependia do meu trabalho. Acreditava, inclusive, que se Jezabel me matasse, Deus sairia perdendo...
Contrariando todas as minhas convicções sobre onde e como encontrar Deus, Ele se manifestou onde eu menos esperava: em uma brisa suave! Quando senti sua presença cobri o rosto com as mãos (1 RS 19,13), pois me lembrei de que eu não podia ver o rosto de Deus. Claro, se eu o visse, deixaria de buscá-lo.

Essa presença profunda de Javé produziu em mim uma sensação de imobilidade: fiquei parado na entrada da gruta (1 Rs 19,13). Senti como se alguma coisa estava mudando dentro de mim. Estava tendo uma nova experiência de Deus. Comecei a concebê-lo de outra maneira. Percebi que Deus é livre e não se sente obrigado a obedecer aos critérios que a tradição havia estabelecido para chegar a conhecê-lo e assim “controlar” sua presença. Não era necessário ter sempre os mesmos sinais para se manifestar.

Percebi também que Deus não dependia da minha defesa e da minha luta. Apesar dos altares destruídos e da Aliança rota e dos profetas assassinados (1Rs 19,14), a causa de Deus não estava perdida. Não era eu que defendia Deus. Era Ele que me defendia e sustentava.

Consegui perceber algo mais: a presença de Deus é totalmente gratuita. Quando eu me sentia mais frágil e solitário, sem nenhum título de glória, então Ele me fazia sentir essa presença transformadora.

Ao dar-me conta disso senti um forte chamado: DEIXAR DEUS SER DEUS EM MIM. Nesse momento, senti uma grande liberdade interior. Essa liberdade que me possuía, lançava-me à ação. Ele me mandava voltar pelo mesmo caminho, o caminho do conflito e do perigo. Era esse o lugar ao que me enviava para traçar um novo itinerário de vida para o meu povo (1Rs 19,15-17). Trabalho difícil. Mas Deus me prometia a sua força e presença. O único que Ele me pedia era ser leal comigo mesmo e andar na verdade e na transparência. O resto, Ele o faria.

Sei que você também vive numa realidade de conflito, pois a sociedade valoriza só quem é produtivo, quem tem muitos títulos de glória, quem realiza muitas coisas, quem tem uma agenda muito cheia de compromissos, quem tem obras apostólicas que competem no mercado... Numa situação ou em outra:
• Tem alguma semelhança a sua experiência com a minha? Explique como isto se manifesta.
• Que luzes a minha experiência de Deus projeta sobre a sua?


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