Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Notícia
11/09/2018
Missão de Pacaraima Roraima, Com Raizes na Trindade e na Congregação

 

Porque nós, Ir. Ana Maria da Silva e Ir. Delcia Decker, estamos em Pacaraima? Com certeza o clamor deste povo chegou até a Trindade e a Trindade conhecendo nossa Congregação, com suas opções de missão e disposição para responder os apelos de nossos pobres, especialmente dos imigrantes e refugiados, fez o Espírito falar. Este apelo passou no coração de muitas Irmãs em nossa Assembleia da Província Única das Irmãs de São José do Brasil. Demorou, pois tínhamos de fazer processos internos para abraçar esta causa.  E aqui estamos desde dia 11/08/2018

Ir. Luiza Rodrigues nos acompanhou com muita esperança, pois sabem que vamos viver o “dinamismo da Reconciliação e Unidade, neste mundo fragmentado e nos entregou à serviço da Diocese de Roraima. Aqui temos a presença do Bispo D.  Mário Antônio da Silva, Pe. Jesus López Fernández de Bobadilla e mais dois Padres Orionitas, recém-chegados (Pe. Miguel e Pe. Sebastião).

 

Memória 

A imigração venezuelana foi intensificada a partir de 2016, após uma série de protestos pedindo a saída do presidente Nicolás Maduro do poder, levando o país a  viver uma crise econômica e social sem precedentes. Sabemos que há outras causas estruturais mais profundas conectadas a outros pontos do planeta. Mas estamos pontualizando aqui, a questão migratória de famílias venezuelanas.  Segundo dados do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), o número de solicitações de refúgio por venezuelanos ao Brasil passou de 829 em 2015 para 3.375 em 2016.


Até o dia 14 de julho de 2018, o centro de recepção e documentação, ofereceu assistência para mais de 2.800 venezuelanos. Destas, 62% das pessoas registradas, solicitaram refúgio e 37% solicitaram residência temporária. De acordo com dados recentes da Polícia Federal, estima-se cerca de 58.000 venezuelanos no Brasil.

 

Diante de toda esta situação, muitos grupos e órgãos responsáveis adotaram certas medidas tais como deportações, práticas de não solidariedade, ameaças, violências, fechamento de fronteira, etc, mas também muitos foram os esforços e atitudes que levaram a ações para amenizar o sofrimento dos imigrantes:

1.     Em 2016, foi detectado entre os imigrantes, um grupo mais vulnerável entre os venezuelanos que são os indígenas da etnia Warao. Em novembro de 2017, foi inaugurado o primeiro abrigo destinado a estas famílias. Este abrigo é coordenado por uma equipe: Secretaria Estadual de Trabalho e Bem Estar Social – SETRABES (coordenadora, assistente social, psicóloga, sócio-educadoras; pelo Ministério do Desenvolvimento Social; Fraternidade Federação Humanitária (controle de senso, emissão de carteiras, ações de convivência, etc ); pela ACNUR  e pelo Exército. Neste último mês, há um clima de tensão com os ataques, conflitos e mortes entre brasileiros e venezuelanos. Representantes do Consulado da Venezuela tem prometido casa e comida e favorecendo ônibus fretado pelo governo Maduro para a repatriação dos imigrantes. Porém, quem retorna não pode mais voltar ao Brasil. Muito sofrimento! Nós, Irmãs, temos feito visitas com frequência e após uma conversa com a Coordenadora Geral, percebemos a urgência de concretizar a Pastoral da Criança com este grupo. Vamos realizar uma reunião com todas as assessorias do abrigo e assim em conjunto concretizar a Pastoral da Criança.

 

2.     CAFÉ FRATERNO – nasceu na Igreja Católica, na pessoa do Pe. Jesus López Fernández de Bobadilla, em maio de 2017, como uma resposta concreta para a superação da fome, que clamava aos céus. Com ajuda de voluntárias/os do abrigo, às 3h 30min se inicia o processo de fazer o café e às 5h chegam as pessoas para tomar o café. Para este café, há muita ajuda (Igrejas, Exército, Congregações e donativos). Para atender aos imigrantes, foi inaugurado no dia 07/08/2017  o Centro da Pastoral do Migrante.  Este momento com as pessoas, é uma experiência única. Já ouvimos dizer de várias pessoas: “depois que vocês Irmãs chegaram, as pessoas que chegam para o café ficam mais alegres”. Procuramos cumprimentar, conversar sobre o cotidiano e esta relação continua no caminho durante o dia. É importante termos consciência de que cada gesto é missão de Reconciliação e Unidade.

 

3.     Uma das formas de aproximação, de conhecer a realidade e de estarmos abertas e solidárias, é caminhar ... caminhar.  No caminho, as VISITAS vão acontecendo de coração a coração, face à face, junto aos imigrantes. Com certeza, este mundo fragmentado recebe sinais de esperança. Nosso caminhar é também junto ao povo das  periferias e comunidades que têm sinais profundos de fragmentação e nos sinalizam a necessidade de Unidade e Comunhão na Paróquia e na sociedade.


Teríamos muito e muito a partilhar, mas temos certeza de que os Meios de Comunicação Social,  artigos, vídeos,  internet e outros meios, oferecem material real, sobre esta dura realidade. Mas importante é nos comprometer com esta realidade e fazer diferença. Que tenhamos a graça de “deixar cair nossas certezas” para ser presença de Comunhão e de Reconciliação. AMÉM.


                                                                                                                                                Ir. Ana Maria da Silva e Ir. Delcia Decker

                                                                                                                                                                    Pacaraima/Roraima

 

 

 









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COMENTÁRIOS!
Leonardo Pinto Xavier
14/09/2018 07:52:53
Deixo meu abraço às irmãs em Roraima e meu carinho à Ir. Delcia. Força, Fé e Amor na missão de acolher, cuidar e transformar as pessoas.

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