Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Luiza Crippa

 21/10/1921     16/06/2018



Província da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil

                                   

                                                                 Irmã Luiza Crippa

                                                                      * 21/10/1921

                                                                                                            +16.06.2018

 

 

“Eu sou o Bom Pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem. Dou a  vida por minhas ovelhas”. (João 10, 14)


          Irmã Luiza Crippa nos seus de 96 anos de idade e 76 de Vida Consagrada deixou-se iluminar e guiar por essa frase que tão bem define a missão de Jesus: “Ser o Bom Pastor!


          Como Irmã de São José, escolheu como fonte de vida o que caracteriza a Vida Religiosa Consagrada: A Vida Comunitária que exige conversão contínua, aceitação de si e dos outros e a partilha do ser, do fazer, dos próprios dons.


          Os pais, Adolpho Crippa e Thereza Colombo, tiveram 14 filhos. Irmã Luiza era a décima segunda. Nasceu no dia 21 de outubro de 1921, na Capela São José em Farroupilha.


          Quando irmã Luiza completou seis anos de idade, o pai faleceu. A lembrança do pai era a de um homem santo, de oração e trabalho. Graças a ele, a família sempre se manteve na harmonia, na fé viva e atuante, onde reinava o amor e a alegria. Descrevia a mãe como uma pessoa humilde, atenta no cuidado e nas necessidades de cada filho e que tinha amor aos pobres. Quando manifestou à mãe o desejo de ser religiosa, ela, no início, não consentiu. Irmã Luiza ficou aguardando o momento certo, que dizia ser o momento de Deus.  Durante o período de espera, rezava e aguardava a manifestação de Deus.


          Quando completou 19 anos, com o consentimento e a bênção da mãe, partiu para viver o diferente: A Vida Religiosa Consagrada na Congregção das Irmãs de São José. Assim no dia 19 de outubro de 1942, fez o seu primeiro engajamento na Congregação, prometendo fidelidade e amor a Deus e aos irmãos e irmãs por toda a vida. Antes disso, porém, no dia em que recebeu o hábito religioso, no dia 18 de outubro de 1941, à noite, recebe a notícia: “A mãe não está passando bem”. No dia 20 de outubro, a nova e triste notícia: “A mãe faleceu!”. Essa lembrança nunca mais se apagou da mente e do coração. Dizia ela: “no dia do meu aniversário, acompanhei o velório e o enterro de minha mãe do Convento São José de Garibaldi com minha prece, lágrimas, dor e saudade!”.


          Irmã Luiza sempre foi generosa e disponível. Várias foram as cidades e locais onde exerceu seus trabalhos e profissão como Religiosa: Colégio Sévigné e Machado de Assis em Porto Alegre, Colégio São José em Pelotas e Garibaldi, Ginásio Santa Rosa em Carlos Barbosa,  Alvorada, Pinto Bandeira e Nova Pádua. Foi presidente da Associação Caritativo-Lieterária São José por um período de seis anos. Exerceu também a função de Coordenadora de diversas Comunidades Religiosas por onde passou. No ano de 2016, integrou a Comunidade da Betânia até o dia 16 de junho de 2018 quando partiu para a Casa do Pai, formando, segundo ela mesmo dizia, a nova família na eternidade.


          Irmã Luiza gostava de recordar e reviver sua vida. Dizia: “dos lugares por onde passei, guardo a saudade, lindas recordações, amizades, momentos gratos, crescimento na fé, alegria de servir, valorizando e vivendo o Carisma de Comunhão. Vivi também momentos de medo, mágoas, fraquezas humanas, mas sempre amparada pela graça e o perdão de Deus.”


            Ao completar 50 anos de Vida Religiosa, decidiu, com a ajuda de sua Irmã, Thereza Crippa, visitar todas as famílias da Capela São José, Farroupilha, onde nasceu. Foram muito bem acolhidas por todos que depois se fizeram presentes em grande número no dia da celebração Eucarística. Isso marcou positivamente as duas Irmã e a Comunidade como um mometo especial de Comunhão, de participação e de alegria.


            Irmã Luiza Crippa tinha um grande respeito pelas pessoas e situações da vida. Assim que chegava nas localidades, procurava conhecer as pessoas, inteirava-se na vida e nos grupos existentes através da escuta, da presença amiga, do apoio e sempre que solicitada estendia a mão para as suas necessidades.


            Salientou-se pela sua atitude de gratidão a Deus pelo dom da vida e da Vocação. Na prece diária, assim se expressava: “Ó Pai, te louvo e agradeço por tudo o que me deste: a Vida, saúde, família e Congregação. Quero continuar minha missão: “Amar e servir”. Era corajosa, sincera, coerente, desejosa de ser sempre mais. Buscava sua força na oração diária e nas leituras sobre diferentes assuntos que, segundo ela, ajudavam a alargar os horizontes das partilhas e traziam novas motivações para a oração. Ao ser perguntada o que gostaria de dizer e ver concretizado na vida das jovens vocacionadas, a resposta foi decidida e que certamente serve para todos nós: “Se o Senhor é a luz e salvação de minha vida, por que ter medo de caminhar? Por que ter medo de falar, de calar, de acolher e perdoar? O caminho marcado pelo Pai é o melhor. O importane não é o que faço, é deixar que Ele faça por mim”.


         Querida Irmã Luiza, obrigada pela tua existência tão cheia de ensinamentos, de testemunhos de fé, de alegria, de coragem, de doação e de total confiança em Deus Pai. Ajuda-nos, como Congregação, falando ao Senhor das nossas dificuldades, dos nossos sonhos, das nossas realizações, das nossas necessidades. Confiamos em ti que estás na plenitude da Vida.

           

                                                                                                                  Garibaldi, 16 de junto de 2018.






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