Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Maria Mechtilde Brand de Moraes

 12/10/1918     11/05/2018



Província da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil

 Núcleo Santíssima Trindade

                                                                                 Irmã Maria Mechtilde Brand de Moraes

                                                                                                       * 12/10/1918

                                                                                                                                              + 11/05/2018

 

 “Mostrar-me-ás o caminho da vida, a plenitude da alegria na tua presença, delicias sem fim” (Sl 16, 11).

 

Em Porto Feliz, vivia o casal Francisco de Souza Moraes e D. Amalia Brand de Moraes, ela tendo entre seus ascendentes, migrantes alemães refugiados no Brasil, ao tempo da I Guerra Mundial na Europa. A família foi abençoada com cinco filhos, três meninas e dois meninos. A primeira, foi uma menina que nasceu no dia 12 de outubro de 1918 e, logo aos 08 de dezembro, foi levada à pia batismal, recebendo o nome de Dalila.  Teve a felicidade de crescer numa família onde prevaleciam os valores cristãos que moldaram sua retidão de caráter, testemunhada vida a fora.

 

Em Itu, no Colégio Patrocínio, Dalila cursou o Magistério - chamado então de Curso Normal - que concluiu em 1938. A família tinha seus planos para as filhas que, aliás, todas se formaram e foram excelentes professoras.

 

Na cidade, ia acontecer uma badalada festa e estava programado um grande baile. Dona Amália preparou as três filhas belamente vestidas para fazerem bonito no evento. Dalila escolheu a hora para revelar sua opção: Não participaria do baile, queria ser religiosa! A mãe ficou surpresa e muito contrariada, não queria saber dessa conversa. Mas, persistência era com a Dalila mesmo. Levou à frente seu propósito e escolheu a Congregação das Irmãs de São José para viver a consagração a Deus e ao serviço do “querido próximo”. 

 

Entrou para o Noviciado no dia 03 de fevereiro de 1940. Vendo a felicidade da filha, a mãe, D. Amalia, não resistiu mais e se fez presente na tomada de hábito que foi a 08 de setembro de 1940. Dalila recebeu o nome de Irmã Maria Mechtilde. Fez seus primeiros votos no dia 28 de janeiro de 1943 e a Profissão definitiva a 29 de janeiro de 1946.

 

A área da Educação mereceu o melhor das energias de Irmã Maria Mechtilde. Por longos anos, entre 1942 e 1969 (e também posteriormente), foi primeiro, professora no Patrocínio; transferida, assumiu cargo de Diretora de Orfanato em Campinas e depois, no Santana; em seguida, no Curso Primário do Colégio São José de São Paulo, e novamente professora em diversos Colégios. De 1969 a 1971 foi Coordenadora em Santos. Voltou ao São José de São Paulo como professora e Diretora do 1° Grau, assumindo em seguida o cargo de Orientadora Educacional. De 1990 a 1996, foi Coordenadora da Comunidade do Colégio São José.

 

Irmã Maria Mechtilde buscava continuamente preparar-se para servir melhor. Cursou Pedagogia que concluiu em 1973, além de Orientação Pedagógica e Orientação Educacional no mesmo ano. Cursou Especialização em Orientação Educacional no ano de 1976. E não perdia oportunidade de conhecer mais, frequentando cursinhos breves afins ao seu trabalho, oferecidos pela Associação de Educação Católica (AEC – hoje ANEC) ou por outros órgãos competentes.  Apreciava muito ler livros e partilhar seus conteúdos. Também como religiosa, Ir. Maria Mechtilde cuidou de se aperfeiçoar buscando, através de diversos meios, aprofundar sua formação bíblica, litúrgica e pastoral.

 

Finalmente, após uma vida tão dedicada e laboriosa, foi transferida para Casa de Repouso São José, em 2002.

 

Irmã Maria Selya Fing: “Convivi com I. Mechtilde no Colégio São José de São Paulo. Sempre admirei seu modo simples de ser. Era uma verdadeira pedagoga, amava sua missão de educadora. Acompanhava as mudanças que iam acontecendo na área, atualizava-se lendo muitos livros. Seu repertório contemplava também livros religiosos, de literatura, etc...  Sem dúvida, a diminuição da visão, nos seus últimos anos, foi motivo de sofrimento para ela. Após diagnóstico médico, deixou a leitura e se abandonou totalmente nas mãos de Deus. Ir. Mechtilde tinha muito medo, mesmo pavor, de sentir qualquer tipo de dor.  Era portadora da síndrome de fibromialgia cujas dores agudas migram por todas as partes do corpo. Em silêncio sofreu martírios sem nunca se queixar. Logo se desculpava quando involuntariamente gritava aos menores e inadvertidos toques. As pessoas que tratavam dela tinham o maior cuidado e eram devidamente compreensivas.  Quando  era para ir ao dentista, ou tomar uma picada de agulha, ou ainda, fazer um exame de mamografia...  precisava ajuda de terceiros. Nos últimos anos, no Taboão, encantava com suas atitudes. Permanecia horas a fio sentada no seu canto, muito silenciosa. Nunca se ouvia dela uma palavra de queixa ou reclamação. Seu modo de ser inspirava muito, verdadeiro testemunho de entrega a Deus”. 

 

Nossa querida Irmã Maria Mechtilde, presença agradável e edificante, encerrou seus dias, quase centenários, a 11 de maio de 2018. Entrou na alegria de seu Senhor selando a entrega definitiva, de sua bela e longa vida, ao Pai das luzes (cf Tg 1,7).

 

Querida Irmã Mechtilde, lá no céu, intercede por nós!









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