Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Irmã Suzana Maria Possebon

 22/03/1913     16/10/2016



 

 CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY NO BRASIL

 

 

 

Irmã Suzana Maria Possebon

 

                       * 22.03. 1913

                         +16.10.2016

 
Irmã Suzana Maria Possebon nasceu em Garibaldi, dia 22 de março de 1913, filha de Gerólamo Possebon e de Angela Soretti.

Recebeu a graça do batismo dia 19 de maio de 1913, na Paróquia São Pedro de Garibaldi e ali também foi crismada no ano de 1918.


Eram 14 irmãos. Três seguiram a Vida Religiosa Consagrada: Frei Jorge e Frei Hilário, já falecidos, e Irmã Suzana Maria, da Congregação das Irmãs de São José. 


O ambiente familiar era vivido num clima de religiosidade e respeito testemunhado pelos pais que incentivavam os filhos a serem honestos, simples e verdadeiros. O pai foi Catequista e Ministro da Eucaristia. A oração em família e a participação na comunidade igreja eram constantes. Os filhos cresceram num clima de fé, doação e desprendimento.


Irmã Suzana conta que, aos sete anos, quando fez a Primeira Comunhão, foi invadida de um desejo de ser religiosa contemplativa. Mais tarde, quando conheceu as Irmãs de São José, em Garibaldi, decidiu ser como elas. Assim, em 1931 entrou no Postulado e fez o Primeiro engajamento na Congregação das Irmãs de São José, iniciando sua grande peregrinação missionária, servindo os irmãos e irmãs, marcando a todos pela disponibilidade, obediência à Vontade de Deus, acolhida, zelo e caridade. Assumiu como primeiro desafio, o trabalho de auxiliar de Farmácia nos Hospitais Psiquiátrico São Pedro, Porto Alegre, Beneficência Portuguesa, Rio Grande; Nossa Senhora de Pompéia e Nossa Senhora da Saúde, em Caxias do Sul; São João em Sananduva e São Francisco em Concórdia, Santa Catarina. Irmã Suzana Maria confessa que o ideal que cultivava era o de sempre trabalhar pelos menos favorecidos, os pobres, porque esses sempre foram os preferidos de Jesus.


Em 1967, Irmã Suzana, corajosamente, respondeu ao chamado para assumir a missão em Mato Grosso do Sul, onde abriu a primeira Comunidade Religiosa em Fátima do Sul com mais duas Irmãs. Lembrando esse fato, Irmã Suzana diz: “Fomos muito bem acolhidas pelo povo e pelos sacerdotes. Logo nos engajamos nos trabalhos de Pastoral, na visita às famílias e assumi a responsabilidade pelo ambulatório por falta de enfermeiras profissionais.


As Irmãs fizeram de sua casa um espaço de atendimento às pessoas que chegavam para buscar remédios, conselhos, consolo, para fazer massagem com Irmã Suzana Maria. Os clamores da realidade a impeliam para abraçar as urgências da Evangelização e de dar às pessoas Vida digna de filhos e filhas de Deus. Irmã Suzana prestou serviços no Asilo da Velhice, Clube de Mães, junto aos Alcoólatras Anônimos, atendimento aos doentes a domicílio, aos Idosos, ajudava na Formação de Lideranças. Apesar das múltiplas atividades, ainda encontrava tempo para cultivar flores e cuidar dos afazeres e organização da casa onde residiam as Irmãs.


Era pessoa ativa, corajosa diante do diferente e do novo, sensível à dor, à pobreza.


Em Mato Grosso do Sul, atuou ainda nas comunidades de Glória de Dourados, Deodápolis e Dourados.


Irmã Suzana Maria destacou-se por um grande amor à Congregação. Sempre deu tudo de si para melhor responder ao chamado que Deus lhe fez para ser Religiosa Consagrada na Congregação das Irmãs de São José. Cultivava grande intimidade com Deus, saboreando seu amor na oração constante, no discernimento, na escuta atenta e dinâmica da Palavra de Deus e na contemplação da realidade, pois ali percebia a manifestação do Senhor em sua vida.


Vivia a alegria de quem segue Jesus e irradiava essa felicidade com quem convivia, trabalhava ou atendia e com as Irmãs de sua comunidade ou Região.


Na data em que celebrou 70 anos de Vida Consagrada, assim se expressou: “Minha gratidão à Santíssima Trindade que colaborou em minha vida para que, no dia a dia, eu não esquecesse de apresentar-lhe toda a humanidade para que fosse salva e sentisse o amor de Deus. Fico imensamente grata à Congregação”. Às jovens vocacionadas, dizia: “Jovens, escutem o apelo de Cristo seja qual for a vocação. Para  ser feliz é preciso doar a vida a serviço dos outros. Deus nunca abandona seus filhos que tanto ama”.


Gostava de um bom futebol.


Em 2004, por necessitar de cuidados e tratamento para a saúde, passou a integrar a comunidade Nazaré, em Caxias do Sul. Sua saída da Comunidade deixou no povo muita tristeza que ficou inconformado com sua ausência. Era considerada não só uma Irmã, mas era mestra, mãe e amiga.


 E, em 2008, passou a fazer parte da comunidade da Betânia, em Garibaldi.


Quando era perguntada: “Como vai, Irmã Suzana?” Ela respondia: “Estou pronta para quando Ele quiser me buscar”.


Nem mesmo no final de sua vida, Irmã Suzana Maria descuidou de sua formação, de cultivar a sabedoria do Evangelho.


 Gostava de receber a visita dos familiares e interessava-se por tudo o que lhe contavam.


Quando, por deficiência da visão, não conseguia mais ler, convidava uma irmã para que ela fizesse a leitura do Evangelho, das Comunicações da Congregação, dos jornais e das notícias do dia. Estava sempre muito bem informada. Não descuidou nunca de ser missionária. Quando não podia sê-lo pelas ações, intensificava seu espírito missionário pela oração.


Irmã Suzana Maria, sua presença de 103 anos não foi em vão! Se Deus a presenteou com muitos dons, você foi generosa em desenvolvê-los a serviço de mais vida e do Reino de Deus. Somos agradecidas a Deus que a chamou à vida e por você haver realizado tantas maravilhas por onde passou. Interceda, agora, junto a Deus pela Igreja, pela nossa Congregação, pelas irmãs missionárias, pelas vocacionadas à Vida Religiosa Consagrada e por seus familiares.


Ir. Suzana Maria, descanse na paz do Senhor!


Garibaldi, 17 de outubro de 2016.



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