Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Julinha - Irmã Júlia do Sagrado Coração Rabello

 07/01/1933     04/10/2016



Congregação das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil


                                                                                                      Irmã Júlia do Sagrado Coração Rabello

                                                                                                                         (Amélia Rabello)

                                                                                                                                                                  *07 /01 /1933          

                                                                                                                                                                   + 04 /10/2016

 

 
                                                                               

 

 

 

 

“No amor fraterno, sejam carinhosos uns com os outros. Vivam em harmonia,  afeiçoai-vos às coisas humildes” (Rm 12,10b.16).

 

    

Amélia foi o nome dado no nascimento à Irmã Júlia do Sagrado Coração Rabello. Maria era o nome de sua irmã gêmea que faleceu com apenas um mês de vida. Amélia nasceu no dia 07 de janeiro de 1933 em Dois Córregos, SP. O pai, José Antonio Rabello viera do Ceará quando pequeno. A mãe, Arminda Leme Rabello, era uma mineira bem sistemática. Educava os filhos só com o olhar, mas tinha por eles um amor sem igual. Na família eram 15 irmãos.


Seu pai tinha uma fazenda na qual cultivava de tudo, sendo o café o plantio principal.  No “tombo do café”, Getúlio Vargas, decretou a queima dos estoques para controle de preços e seu José Antônio perdeu tudo. Depois deste revés, mudou-se com a família para Piracicaba. Amélia tinha dois anos. O pai passou a trabalhar de servente de pedreiro e as filhas maiores, na fábrica de tecelagem ali perto de onde moravam.  


Com o tempo, as condições melhoraram e a família mudou-se para uma casa e quintal grandes noutro bairro de Piracicaba. O pai não desperdiçava um pedacinho de chão. Era tudo plantado. À noitinha, reunia a turma toda e contava histórias e causos antigos. Os  pais nunca brigavam, traziam os filhos no controle e ao mesmo tempo eram muito bons e amigos deles. Amélia crescia e brincava... também gostava de ficar horas contemplando o céu. Fez o curso primário.  Aos 13 anos teve um sonho que nunca esqueceu: “Ouvi gritos e corri para a rua. Era uma multidão que vinha acompanhando Jesus ao Calvário. Aí, ele parou, depôs a cruz e me olhou por três vezes antes de continuar seu caminho”. 


Quando jovem, “sempre tinha alguém arrastando a asa prá mim, e eu nem notava, nunca namorei”. Falou com a mãe que queria ser freira e ouviu um solene ‘de jeito nenhum’. Falou com o pai e ele disse que seria o ‘seu maior orgulho’. E acrescentou que não devia ser uma Irmã como N. da Santa Casa que não tratava bem as pessoas. O pai trabalhava de guarda nesta entidade e cada dia Amélia levava-lhe o almoço. Sempre o encontrava rezando.


Nunca ninguém convidou Amélia para entrar na VR. O convite foi seu sonho e o bom exemplo e alegria das Irmãs de São José, do Colégio Assunção que ela conheceu e passou a admirar muito. A mãe não concordava com a vocação, nunca lhe daria o enxoval. Além disso, pôs a filha para trabalhar numa fábrica de doces em meio a muitos rapazes, tudo na esperança de que mudasse de ideia e namorasse.  Ali trabalhou dos 15 aos 18 anos e no meio da turma fazia  seu apostolado.  Sugeriu comprar uma imagem de S. José para rezar e pedir a proteção do santo.


 

Completados 21 anos, Amélia, toda feliz com o cabelo encaracolado de permanente, saiu de casa fugida, sem se despedir da família e entrou para o Postulado das Irmãs de São José em Itu, no dia 14/01/1954. A mãe só chorava; todos os dias recebia a visita de Irmã Sophia Jorge e juntas liam a Bíblia.  Acabou mudando de opinião e lamentava não ter dado nada à filha. Explicou a razão do não apoio. Explicou que viu no filme de Santa Bernadete 
 
Soubirous como a maltratavam no convento e imaginava o mesmo com sua filha. A 30/07/1954, Amélia recebeu o hábito e o nome de Irmã Júlia do Sagrado Coração. Teve a alegria da presença da mãe. 
             Irmã Júlia do Sagrado Coração seguiu fervorosa sua caminhada vocacional. Depois do Noviciado, fez os primeiros votos a 31/01/1957 e a profissão definitiva a 30/01/1963. Contava de uma mulher perto de sua família, que tinha um amante, pois se casara só prá não passar fome e não gostava do marido. A entrada da Amelinha no convento mexeu com vida dela. Foi a Aparecida e confessou-se. De volta, chamou os vizinhos dizendo: “Casei-me sem amor, porque passava fome. Agora deixo meu amante para viver só com meu esposo até o fim de minha vida”.
             Em São Paulo, Irmã Júlia fez o Ginásio. Depois, o Curso Auxiliar de Enfermagem e de Técnica em Eletroencefalografia. Nesta área da Saúde, Irmã Júlia teve a alegria de servir ao Senhor, na pessoa do “querido próximo” incluindo as Irmãs. Várias Comunidades e Unidades de Saúde, seja em Campinas ou em São Paulo, foram seu campo de trabalho, de missão e de convivência. 
             Irmã Júlia sempre contou com muito carinho e atenção dos familiares. Seus tantos irmãos, lhe deram sobrinhos aos montes. A escritora Rachel de Queiroz, cearense, faz parte da família de seu pai sendo parente dele em algum grau.
             Em 1993, Irmã Júlia foi transferida para a Comunidade do Patrocínio e aí se dedicou a serviços diversos até que saúde lhe permitiu. Nos últimos anos, dependente de cuidados em muitas tarefas diárias, contou com acompanhamento, imenso carinho e atenção das Irmãs de sua Comunidade que não pouparam esforços para que nossa Irmã Julinha, como era chamada, se sentisse bem e amparada. No Patrocínio, além das Irmãs, a Julinha sempre foi bem tratada pelas funcionárias da casa e Irmãs que chegavam.  Foi no Patrocínio, que o Senhor, como no sonho de menina, passou chamando-a para junto de si, nas alegrias eternas. Foi no dia 04/10/2016. 


Julinha rezava e abençoava as pessoas. Suas palavras de carinho acordavam o melhor de cada coração. Gostava de ajduar e prestar pequenos serviços.  Era estimadíssima por todas as pessoas que trabalhavam ou passavam no Patrocínio. As crianças se encantavam com ela.


Ir. Julia era pessoa de oração. Com muita piedade, repetia cantos religiosos, jaculatórias, mantras. Ultimamente dizia que estava com saudade de Deus e pedia que viesse buscá-la. Deus ouviu sua prece!


“O Senhor se aproxima dos que o invocam, daqueles que o invocam com sinceridade” Sl 145,18. Todos os que tiveram o privilégio de estar com I. Júlia puderam testemunhar a sinceridade e pureza de seu coração. Os mais próximos que conviveram com ela, ou os que apenas uma vez a encontraram, todos puderam ouvir uma palavra de amor, de alegria e incentivo. Sentiremos falta, mas sabemos que Irmã Júlia está com o Pai na alegria completa. O Espirito Santo console nosso coração. Quando a saudade apertar, nos alegrarão doces lembranças de Irmã Júlia do Sagrado Coração, suas canções, palavras de afeto, as orações, os sorrisos.


 

Querida Ir. Julinha, na alegria Deus, lembre-se de nós e de seus familiares!

 

                                                                                                                            Itú, 04.10.2016







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