Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Memorial Saudades

Irmã Ilmede Maria Cembrani

 30/03/1922     14/07/2015



Congregação das Irmãs de São José de Chambéry
Província de Caxias do Sul

Irmã Henriette (Ilmede Maria Cembrani)

* 30.03.1922
+ 14.07. 2015

“Sei em quem acredito” (2ª Tim 1, 12)
 
Irmã Henriette Cembrani partiu para a Casa do Pai aos 93 anos, no dia 14 de julho de 2015. Foi uma vida acompanhada de muito zelo missionário, fidelidade à missão e amor à própria Vocação. De coração sensível, procurava ser fiel às pequenas coisas, sabia respeitar e ter cuidado com as pessoas e com as coisas materiais. Soube viver na simplicidade, com bom gosto e na pobreza.

Era filha de José Cembrani e Henrica Égide Zamboni. Nasceu em Farroupilha no dia 30 de março de 1922. Ao falar da família, Irmã Henriette assim se expressava: “Foi na família que iniciei a vida cristã, a ter respeito, a viver o valor da honestidade e do amor ao trabalho. Nossa disputa em casa era a conquista do colo do pai e da mãe. Desse período me restam muitas saudades e gratidão pelo dom da vida e do grande amor que de todos recebi”.

Aos 12 anos, Irmã Henriette entrou no juvenato em Garibaldi que, para ela, foi um tempo de estudo, novos conhecimentos, amizades, oração e saudades imensas da família. Fez o período do Noviciado no ano de 1938 e em 1939, fez o primeiro Engajamento na Congregação das Irmãs de São José.

Em toda sua trajetória, conhecemos Irmã Henriette como a “mulher forte”, dedicada na profissão que sempre amou e onde se sentia feliz e realizada. Trabalhou nos Colégios São José de Pelotas, Caxias do Sul, em Veranópolis, Rio Grande, Concórdia, SC, Antônio Prado. Por um período de três anos, exerceu a função de Presidente da Associação Caritativo-Literária São José. Passou um ano na França para, além de participar de um curso de espiritualidade, desejava aperfeiçoar o idioma do francês.

Não é possível falar da vida e da atuação de Irmã Henriette sem lembrar sua predileção e sua missão junto aos pobres, os preferidos de Jesus. Quando já não tinha condições de ir ao encontro onde eles estavam, ela os acolhia em sua casa seja para reuniões, para dar-lhes um prato de comida, seja para alfabetizar pessoas adultas. Demonstrou grande amor aos Leigos e Leigas do Pequeno Projeto, que ela os chamava de “novos missionários do Senhor”.

Mesmo aposentada, aos 60 anos de idade, engajou-se nas Pastorais e Projetos Sociais nas periferias de Santa Cruz do Sul e no Bairro são Caetano, em Caxias do Sul. Integrou ainda as comunidades do Recanto São José, em Flores da Cunha e do Bairro Panazzolo. Em 2012, passou a residir no Bairro Vila Ipê, Caxias do Sul. Onde quer que Irmã Henriette estivesse, as pessoas se achegavam a ela para expressar-lhe cuidado e carinho, para ouvir dela palavras de conforto e esperança, para sentir novamente a alegria de viver e de se doar por amor.

Irmã Henriette, pessoa austera consigo mesma, compadecia-se diante do sofrimento, fazia tudo o que estava ao seu alcance para aliviar a dor, o sofrimento, as necessidades tanto materiais como espirituais de quem dela se aproximasse. Nunca se queixava, nada exigia para si mesma. Preocupava-se antes com os outros, com as Irmãs, com os menos favorecidos.

O quanto podia, estava a par dos acontecimentos e das realidades do mundo, da cidade, da Congregação e da Província. A leitura das mais diversas fontes, a fazia uma pessoa atualizada, reflexiva e de discernimento. Os desafios, as necessidades, a inovação não faziam de Irmã Henriette uma pessoa medrosa ou encolhida, mas tudo acolhia como sinal de esperança, de vida nova, mesmo sabendo que isso exigiria dela desprendimento e humildade. O importante para ela era ver concretizada a Vontade de Deus e viver “o aqui e o agora” de forma plena, de olhos fixos no futuro, tendo o presente como base e o passado como luz e sabedoria. Era pessoa organizada na vida pessoal, comunitária e na missão. Cultivava as amizades pela partilha pessoal, pela acolhida amorosa pela escuta e apoio incondicional.

Como Irmã de São José amava e zelava pelo Carisma de Comunhão. Sua vida era profundamente enraizada na Palavra de Deus, na Eucaristia e na devoção a Nossa Senhora e a São José. Costumava dizer às pessoas: “Cultivem os valores que não passam, só esses realizam”.

Irmã Henriette reconheceu que, se as dificuldades, os sofrimentos, as incompreensões se fizeram sentir na vida, sentia que o amor infinito de Jesus sempre a amparou. Por isso, ela repetia: “Sei em quem acredito”.

Irmã Henriette foi pessoa agradecida. Ao celebrar 70 anos de Vida Consagrada, expressou, com muita lucidez, seu grande hino de gratidão à Santíssima Trindade, à Família, à Congregação, aos Leigos e Leigas do Pequeno Projeto e às pessoas com quem conviveu nos Meios Populares.

Querida Irmã Henriette, a Igreja, o Mundo a Congregação precisam de tua fortaleza, de tua coerência e honestidade de vida, de tua transparência e amor aos menos favorecidos. Neste momento, com dor e já com saudades de te ver muito presente e participativa na vida da Congregação e da Província, expressamos nosso muito obrigada e nossa admiração. Alcança-nos a graça de sermos fortes e audazes nas nossas decisões como Irmãs de São José e que saibamos, antes de tudo, crer e confiar no Senhor. Intercede também pelos familiares, pelos que sofrem e que buscam vida digna, para que assim o Reino de Jesus esteja presente em todas as pessoas e situações.

                                                                       Descansa na paz do Senhor em quem acreditaste durante a tua vida nesta terra.

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