Irmãs de São José de Chambéry do Brasil e Bolívia
Bibliografias
30/08/2016
Anselm Grün falar sobre reconciliação e paz

Público lota auditório para ouvir Anselm Grün falar sobre reconciliação e paz


Em silêncio absoluto a plateia que lotou os 1.620 lugares do Salão de Atos da PUCRS ouviu o monge beneditino e escritor alemão Anselm Grün falar sobre Reconciliação e Paz em uma noite chuvosa de segunda-feira em Porto Alegre. Depois de passar por Recife, Salvador, Brasília, São Paulo e Limeira, o senhor grisalho e sorridente chegou à Capital trazido pela Editora Vozes e pela Santa Casa de Misericórdia, que promoveram o III Simpósio de Espiritualidade e Saúde, com apoio de diversas instituições, entre elas a Arquidiocese de Porto Alegre.

 

Anselm Grün tem mais de 300 obras sobre espiritualidade, traduzidas para 30 idiomas. Foto: Leonardo Mayer, divulgação

 

Na passagem pelo Brasil, país que adora e diz visitar com frequência, Grün lançou o livro “Em casa, com Deus”. Após a palestra, feita em alemão e traduzida simultaneamente, uma longa fila se formou no saguão em busca de fotos e autógrafos. “Não tenho pressa, vou autografar até o último livro”, teria avisado o religioso antes de o mestre de cerimônias da noite, o advogado e comunicador Cláudio Brito, dar início ao evento. O também monge Zacharias Heyes acompanhou a estada no Brasil e fez o lançamento do livro “Onde eu me sinto em casa”.

 

Antes da principal palestra da noite, o Grupo de Diálogo Inter-Religioso de Porto Alegre deixou sua mensagem de paz, assim como dirigentes dos clubes Grêmio e Internacional, que com um abraçado simbolizaram a necessidade de tolerância e diálogo. Esses também foram temas abordados pelo ex-ministro Nelson Jobim. Segundo ele, as dificuldades hoje são basicamente fruto de tolerância e é mais fácil as pessoas se juntarem para odiar, pois o ódio gera catarse. Em contraponto, é muito mais difícil reunir-se para amar. “Que o futuro seja visto por todos vocês não pelas dificuldades, mas pela missão de construir”, enfatizou.

 

Para um público diverso, com grande presença de bispos, padres, religiosos e seminaristas, Grün falou que ninguém está sempre reconciliado e em paz, mas ensinou passos para cada vez se chegar mais perto disso. Num primeiro momento, o escritor destacou a importância de se estar bem consigo mesmo. “Quem se divide por dentro também se separa das pessoas”, disse.

 

Para o monge, é preciso se despedir de ilusões e pensamentos equivocados sobre si, pois eles geram sofrimentos. Segundo Grün, aceitar nossos lados escuros e sombrios e de certa forma abraçá-los ajuda no relacionamento com o outro. “Quando abraço minha descrença, purifico e aprofundo minha fé. Quando ignoro a descrença, não consigo entender quem descrê e quero apenas combatê-lo”, exemplificou, enfatizando que “sempre que eu rejeito algum ser humano, eu rejeito algo em mim mesmo”.

 

O escritor por diversas vezes citou o evangelhista Lucas e falou ainda de como é importante olhar para as feridas e machucados, sobretudo da infância, mas não permanecer na posição de vítima. Para ele, reconhecer a dor é o primeiro passo para o perdão, e perdoar é uma purificação interior, que afasta as coisas que causam energias ruins. “Se não perdoarmos continuamos sob a influência do outro.”

 



Envie seu comentário!!!
*Campos marcados com  barra são de preenchimento obrigatório.
topo voltar